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20 de março de 2013

Strava: suor real, competição virtual.

Já faz algum tempo que quero escrever sobre o Strava. Na época da ideia do texto, o aplicativo Strava ainda estava bem no início e pouco se comentava dele no Brasil. Agora já é uma febre entre os ciclistas e corredores nas grandes cidades e capitais do país. Em pouco mais de três anos o aplicativo já somou mais de 1 milhão de usuários.


Pra quem não é familiarizado, Strava é um aplicativo para atletas, profissionais ou amadores, até mesmo, aqueles de final de semana. Você precisa ter um smartphone – ou Garmin, baixa lá o aplicativo que é gratuito, cria uma conta, e, ao sair para a atividade física, tipo correr ou pedalar, você inicia um botão que marcará assim o tempo e o percurso (velocidades etc.), além de altitude e, quando presente uma cinta cardíaca, ritmo cardíaco. Para visualizar você dá o pare na gravação do percurso, e salva ao mesmo tempo que sobe para o site do Strava. Então no computador você pode monitorar seus dados, observar o percurso no mapa com imagem de satélite.

Página principal do perfil de usuário no Strava.
As fotos podem ser integradas simultaneamente com o Instagram após cada treino.

Um recurso bastante popular no Strava é o de criar segmentos. Um segmento é um trecho selecionado no seu percurso. Ou seja, é possível percorrer várias vezes o mesmo segmento, no sentido de obter o menor tempo. Ao bater o menor tempo daquele segmento você ganha o ‘KOM’ daquele segmento, ou seja, o ‘King Of Mountain’ , alusão ao mesmo título que recebe o mais rápido corredor do Tour de France nas provas de subida de montanha (veja box com glossário do Strava mais abaixo). Existem segmentos bastante populares, como uma ladeira no Central Park em Nova York que já soma 90.000 passagens de 3.500 usuários do aplicativo, fazendo do ciclista que conseguiu o KOM – Chad Butts, uma celebridade.

Página no Strava mostrando o recurso de explorar segmentos próximos.

O Strava é assim, atletas profissionais, celebridades e pessoas comuns, podem colocar seus desempenho lado a lado e comparar. Bem recentemente, com a notícia do último lugar em que o Lance Armstrong podia competir: no Strava, um grande conjunto de reportagens e notícias sobre o aplicativo inundou a net. Mesmo depois da entrevista com a Oprah, ele continuou subindo suas atividades, mas por fim deletou a conta – que dizia: “De acordo com os meus rivais, colaboradores e companheiros de equipe, eu venci o Tour de France sete vezes”.

Muitos consideram o Strava como um verdadeiro paradoxo, e ainda o criticam como a mais anti-social das redes sociais já inventadas. Argumentam que as pessoas conectadas no site não estão preocupadas em relações sociais, chats, etc., mas sim em recuperar o mais rápido possível o KOM que aquele ƒ@d¢p## cretino lhe tirou... nem que seja a duras custas. Dizem que por conta do Strava a diversão de andar de bicicleta acabou. Agora é só pauleira e competição. Na verdade mesmo a interação social só existe depois que o ciclista chega em casa e sobe os dados para o site, esperando e dando ‘Kudos’ (que vem do grego kŷdos e significa glória, distinção). Estes críticos defendem que Strava mudou a vida social das pessoas igual aos smartphones, mas só que para pior.

Pode até ser que cartografia pura para bikers seja uma atividade em extinção (do tempo que não se podia sair de casa para andar de bike ou fazer uma cicloviagem sem uma boa estudada no mapa.. ou ter ele junto), mas no quesito facilitar o acesso aos trajetos e guardar os trajetos realizados, o Strava é definitivo. De fato, em todos os cantos da internet existem espertinhos, que ao sentirem seus egos inflados por conta de um ou outro KOM, mentem mesmo a ponto de gravarem percursos dentro de automóveis, ou super aproveitar o vácuo destes mesmo veículos, ou ainda terminar o segmento dentro de suas casas para que ninguém possa superá-lo. O Strava permite uma alternativa para gravar os dados direto após o percurso, que é subir os dados manualmente. Muitos se valem desta ferramenta para lograr quilometragem desleal nos desafios virtuais que o site promove (Challenges).

Página do Strava mostrando as Challenges, desafios virtuais com diferentes objetivos,
 como cumprir grandes trajetos em determinado tempo

O Strava não deixa de ser uma rede social, e segue regras como as mais badaladas seguem. Você pode escolher quem seguir e escolher quem pode lhe seguir, da mesma forma pode esconder: ‘hide’, segmentos que não lhe interessam em um determinado mapa, diminuindo a poluição visual e confusão na visualização. Outro recurso que é bastante popular é o de sinalizar KOMs suspeitos. Para sinalizar uma atividade de outro participante, é necessário que o relator tenha percorrido aquela segmento, daí clicar em ‘flag’ e relatar o motivo. Muito comum quando um atleta obtém um KOM mas a velocidade média, por exemplo, aparece superior à 60 km/h, ou Vel. Máxima a 120 km/h. Nestes casos há erro, intencional ou não, merecendo receber ‘flag’. Quando alguém supera o tempo do seu KOM um mail chega na conta, dizendo: ‘‘Uh oh’ alguém acaba de derrubar seu KOM no local...”...muitos que recebem a mensagem não esperam tempo nenhum para sair para a estrada e defender seu tempo. Estes já são chamados de ‘Stravaddict’, viciados em Strava.

Página no Strava mostrando meu percurso que participei em uma das 'Challenges' promovidas pelo site.
Apesar de ali aparecer 124 km, eu fui e voltei pedalando até o Rio Liberdade, que dá + de 200 km neste dia.

Fora as críticas, concordo com a maioria que considera o Strava um dos melhores inventos destas mídias sociais, ou no mínimo, um baita de um computador de bici, hehe. Quem usa direito, sem enganar o próximo, não enganando a si mesmo, pode encontrar no Strava a melhor ferramenta para apoio nos treinos ou mesmo mera diversão, como é meu caso. Lógico que a segurança e a diversão vem em primeiro lugar, e o próprio Strava incentiva o uso de equipamentos de segurança e de pedalar em condições seguras (estradas menos perigosas). Entretanto, muitos o tomam como muito sério, levando discussões iniciadas no site às vias de fato (brigas e bate boca em público, do tipo: –Tu tomou o meu KOM da Rêgo Barros, com vácuo!!).

Claro que ainda acho divertido somente porque só existe uma pessoa aqui na minha cidade que usa o Strava na bike: Eu. Por enquanto. Depois que um primeiro decidir bater os meus KOM’s aí isso tudo vai perder a graça...ou dependendo, aí que vai começar a ficar legal..hehe. Evil Smile

Bueno, agora algumas informações práticas para quem pretende rodar com um smartphone e o Strava (lembrando que ele funciona muito bem com os aparelhinhos Garmin), e quer rodar por muito tempo (+de 2 hrs de pedal):

- O principal é fazer a bateria do celular durar o máximo possível, então o aconselhável é desligar todos os aplicativos menos necessários (pra quê sair com o Instagram ligado? hehe); deixar ele full de bateria na noite anterior também vale;

- Desativar também a rede 3G, e o Wifi, para o cel não ficar doido procurando redes pelo caminho e usar mais bateria; Podendo, ativa o modo avião ON, que desliga todo o supérfluo e mantém o GPS (mas vale conferir se no seu aparelho o GPS fica ligado.)

- Quando sair, verificar uns 2-3 minutos depois pelo 'Signal GPS Ok', daí beleza, mas cuidado para não deixar o cel sem trava de tela, pois pode dar pause no treino sem você querer.

- Ao acabar o treino, chegando em casa, se tem rede wifi, ligar primeiro o wifi do celular, então apertar no botãozinho que parece uma bandeira de chegada. Aceitar o ‘Save Ride’ só então o Strava vai exportar os dados para sua conta.

Glossário:
KOM – quando se consegue o melhor tempo em um segmento, aparece uma coroa na página de perfil do atleta, e a indicação do nome do segmento e tempo.
QOM – versão feminina do KOM – neste caso ‘Queen of Mountain’ .
CR Crown- versão de melhor tempo para os corredores, já que o termo KOM é clássico para o ciclismo.
Medalha – reflete o tempo particular dentre os tempos pessoais.
PR – ‘Personal record’ quando o próprio tempo do atleta é superado; sendo mais baixo que outros em um segmento.
Kudos – ‘Give Kudos’ para elogiar e parabenizar um treino de outro atleta, ou mesmo quando ele se inscreve em alguma ‘Challenge’.
Challenge – Desafios que envolvem a inscrição por parte do atleta e depois, caso o objetivo seja concluído, o usuário Strava ganha um distintivo virtual - ‘badge’ na página principal do perfil no site.

8 comentários:

Lucio disse...

Bom dia, alguem sabe me dizer como faço pra incluir uma atividade manualmente... pois acabou a bateria do celular.

obrigado

Athaydes disse...

Oi Lucio, Acabou a bateria mas a informação fica no Strava no celular; quando ligar de novo, vai aparecer atividade não sincronizada; então manda sincronizar. Nesta mesma janelinha tem outro botão de Salvar atividade, exportar; assim você salva um arquivo que pode ser lido pelo Strava no computador.
Procura também: Strava Pedal.forum ; o tópico sobre isso no fórum Pedal, maior do Brasil. Lá tem um monte de dica!
Espero ter ajudado,
Bons pedais
Marcus

Daniela Sommer disse...

Olá, muito obrigada pela ajuda.
Estava a busca de como eu salvava minhas atividades de pedal no app, e achei sua dica.
Um abç.
Dani - Curitiba - Paraná

Rafael Barnabe disse...

Boa tarde, tudo bem?

Consegue me ajudar, quando vou acessar o strava via facebook pelo celular, ocorre a mensagem que o facebook não conseguiu se autenticar no strava, sabe o que é esse erro?

Abraço

Rafael Barnabe disse...

Boa tarde,

Consegue me ajudar?

Quando tento acessar o strava via Iphone autenticando via facebook, ocorre a mensagem que o facebook não conseguiu se autenticar no strava, sabe o que fazer?

Obrigado

Athaydes disse...

Oi Rafael, beleza? Conseguiu resolver seu problema? Eu não tenho facebook, mas recomendo que você crie uma conta do #strava mesmo, sem entrar pelo face... bons pedais! abs

Athaydes

Anônimo disse...

Quando se da uma bandeira vemelha para alguém a identidade é divulgada?

Athaydes disse...

Não porque você sinaliza - flag - o segmento, e não a pessoa.

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