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27 de janeiro de 2012

Extração do Óleo de Buriti


Impulsionado pelo Programa do Governo do Estado que está estimulando a exploração sustentável de sub-produtos das palmeiras, principalmente óleos, o Sr. Darci Mendes (na foto, conferindo o ponto do óleo), presidente da Comunidade Igarapé Branco no Ramal 3, em Cruzeiro do Sul, inicia os trabalhos com a extração do óleo de buriti. O óleo é rico em pró-vitamina A (500 000 UI), com índice de 300mg/100g, e está sendo empregado recentemente pela indústria cosmética entrando na composição de sabonetes, cremes e xampus. Excelente contra queimaduras na pele, provocando alívio imediato e auxiliando na cicatrização. Pesquisas descobriram que o óleo absorve radiações no espectro ultra-violeta, sendo um eficiente filtro solar.

O óleo extraído da polpa apresenta composição graxa rica em ácidos graxos insaturados (ácidos palmítico e oléico); alto teor de carotenóides, comportando-se como uma das fontes mais ricas em pró-vitamina A; alta concentração de tocoferóis com excelente atividade antioxidante e alta estabilidade oxidativa. O óleo de Buriti aumenta a elasticidade e diminui o ressecamento da pele exposta à radiação solar; auxilia na regeneração dos lipídeos da camada córnea e aumento de FPS. É indicado para formulações cosméticas anti-aging, produtos solares e pós-solares, fortalecedores capilares, produtos para cabelos tingidos e danificados, sabonetes líquidos em barra ou shower gel, cremes, loções e emulsões para a pele. (Retirado do site: http://www.inovam.com.br/oleo_buriti.htm )




No processo atual (que a intenção é que se modernize, com a construção de uma fornalha e implantação de um processo mais efetivo de separação do óleo), uma saca de frutos de buriti rende em média 1,5 l de óleo, depois de 2 dias de trabalho e esforço de três homens com prática. A partir do mesmo trabalho de fazer o vinho do buriti, e após choque térmico na massa, passa a ser separado manualmente o óleo. Este é o ponto mais custoso, em termos de mão de obra e tempo, e que pode ser atalhado se usando de alguma técnica que ainda é desconhecida pelos produtores.


Alternativo ao processo brevemente descrito acima, existe a prensagem a frio, proporcionada por uma máquina, que conforme relato do Seu Darci, é bastante cara para o orçamento da Comunidade. Mas não o seria para um investimento do Governo, que deve seguir investindo nestas comunidades que realmente estão interessadas em explorar de forma sustentável as palmeiras.


Meu interesse neste trabalho, além de acompanhar e aprender mais do conhecimento de palmeiras que estas pessoas tem, é refletir sobre a capacidade destas sementes de palmeiras, resistirem a alguma alta temperatura para depois germinarem. Segundo pude observar e de relatos do Sr. Darci, as sementes (pirênios) de palmeiras são submetidas à temperaturas de 60oC, possibilitando a despolpa e primeira etapa do processo de extração do óleo. As sementes não são desperdiçadas, jogadas fora, elas tem a capacidade de resistir a esta temperatura e depois são satisfatoriamente plantadas em viveiro com altos índices de germinação, segundo experiência do Seu Darci. No meu projeto de doutorado estarei monitorando esta germinação e além disso, submeterei as sementes à temperaturas ainda mais altas, como 80 e 120oC, para saber qual temperatura de fato mata a semente.

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