Translate

5 de dezembro de 2011

A morte de uma bacaba


A imagem que está aí eu registrei na última semana. É a cena triste de uma bacaba assassinada (uma bacaba, ou abacaba, é uma palmeira). Prostrada ao solo pelo simples fato de possuir frutos. Foi vítima da ganância do homem que, provavelmente não utilizou o vinho produzido dos seus frutos para alimentação sua ou de sua família, e sim, para vender em Cruzeiro do Sul, por 4 ou 5 reais. Foi assassinada, derrubada covardemente por míseros 5 reais. Uma bacaba que poderia seguir produzindo frutos por muitos outros anos, como vinha fazendo por pelo menos 30 anos já. Acontece assim, o camarada interessado em coletar os frutos, fica com preguiça de subir no tronco da palmeira, e com um terçado (facão) põe abaixo a planta para "facilitar" seu trabalho.

Me permitindo um paralelo com nosso cotidiano, este é um fenômeno bastante comum nas relações de economia e natureza. O imediatismo na exploração da natureza faz com que, por exemplo, exista tanta pressão para a modificação do Código Florestal. É o ponto de inflexão quanto ao uso da Floresta. Muitos argumentam que a floresta não tem valor, pois o valor, o rendimento que buscam é um rendimento de curto prazo, imediato. Não pensam no futuro, não planejam a sustentabilidade do futuro. Derruba a floresta, põe soja, põe gado, degrada o solo, e depois que o a terra perde valor, abandona, vende, se livra dela e parte pra outra, outra pedaço de floresta para derrubar e ter lucro imediato.

Não satisfeito em ter que se esforçar um pouco mais para explorar a natureza com inteligência, o sujeito em posse do seu imediatismo, põe abaixo o pé inteiro de bacaba, sem lembrar que seus filhos podem vir a coletar bacabas deste mesmo pé, ou seus netos e bisnetos podem usar os frutos das bacabinhas que iriam nascer deste mesmo pé, sem falar nos animais da floresta que estariam se alimentando dos frutos. Mas precisava ele de 5 reais e a bacaba inteira pagou o preço.

--> Leia mais...

Blogs Favoritos