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25 de novembro de 2011

Acreanês




Logo que cheguei aqui não falava muito bem o Acreanês. Compreendia muito bem as pessoas mas elas tinham dificuldades em me compreender. Com o tempo, fui aprendendo expressões e consegui adaptar a velocidade da minha fala à velocidade de fala local. Fiz diversos intensivos e cursos de aprimoramento na língua, incluindo também as expressões típicas, e hoje, passo desapercebido como sendo Acreano.

Algumas expressões são muito típicas e dominá-las determina experiência em diversas situações. Exemplifico com o relato da saída de campo que fiz esta semana, em ida ao rio Croa e visita à comunidade. No deslocamento pelo rio e visita aos comunitários, foi falado, entre outras, as expressões: 'Abicar' que tanto pode ser abicar a canoa na margem, quando abicar, se intrometer na vida do outro. 'nobalde' - "Não se preocupe, que lá estas plantas vão aparecer 'no balde'..." ou seja, muitas, em quantidade. A floresta estava cheia de 'balseiros' - galharia e resto de troncos da queda de uma árvore. "Não adianta nos ficarmos 'bolando' aqui na 'várge' que não vamos encontrar nada", ou seja, ficarmos indo de floresta em floresta dentro da área de várzea que aquela planta não é típica de ali.

Um caso engraçado aconteceu outro dia aqui em casa. Ouvindo o noticiário flagrei o locutor falando. "a prefeitura vai pagar o 13o dos funcionários 'em dias'..." comentei com minha esposa e ela afirmou que isto é correto, pelo menos aqui no Acre. Após um breve e acalorada discussão com ela (que é meu principal motivo de falar tao bem o acreanês), me convenci mas há bem pouco tempo pude complementar meu convencimento lendo o significado de 'em dias' no Dicionário de Acreanês (fonte do significado das palavras acima também), do Gilberto Braga de Mello, que comenta:

Em dias - Trata-se de uma expressão institucional da maior importância. Todo mundo fala: - "O estado vai pagar em dias". E não quer dizer que vão pagar em vários dias, não, ao contrário, pagou pontualmente.(...) Parece que essa aplicação do termo no plural, indevida em outras praças, no Acre confere uma importância especial ao dia do pagamento, dando a ele valor de vários dias, do mês inteiro. Faz sentido.

Realmente faz sentido...


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23 de novembro de 2011

Histórias de rapés II - Rapé é coisa séria.

Assista o vídeo gravado do depoimento do Seu Jorge, do Croa, abaixo de sua famosa samaúma, sobre o uso do rapé. Seu Jorge é um dos mais conhecidos, e queridos, moradores do Croa. É conhecido por ser dono de um coração maior que o mundo e por seu trabalho com a medicina da floresta e como mestre do rapé. Ir ao Croa e não conhecer o Seu Jorge é como não ter ido ao Croa.



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9 de novembro de 2011

Cascas e Polpas (Gibran Khalil Gibran)


Em cada taça de fel que a vida me deu, a última gota era de mel.
No fim de cada subida íngreme que tive que escalar, encontrei uma planície verdejante.
Cada amigo que perdi na neblina do entardecer, encontrei-o na luz da aurora.
E quantas vezes escondi meu sofrimento e meu amargor sob o véu da resignação, acreditando que havia mérito nisso. Mas quando eu retirei o véu, achei que o sofrimento de transformara em satisfação e o amargor em alegria.
E quantas vezes acompanhei meu amigo ao mundo das aparências, julgando-o rude e ignorante. Mas assim que desvendei os mistérios da vida, compreendi que era eu o agressor e ele, o sábio e o cavaleiro.
E quantas vezes, embriagado de egoísmo, comparei-me ao cordeiro e comparei o meu companheiro ao lobo. Mas, quando voltei a mim mesmo, ele era homem e eu outro homem.
Eu e vós, meus semelhantes, somos fascinados pelas aparências e cegos às essências. Se um de nos tropeça, dizemos “é um decaído”. Se se atrasa, dizemos “é um indolente”. Se tartamudeia, dizemos “ é um mudo”. Se suspira dizemos ”é um doente”. Eu e vós, apaixonados pelas cascas do “Eu” e de “Vós”. Por isso, não percebemos o que o espírito escondeu em “Mim” e em “Vós”.

E que podemos fazer para que nossa vaidade não nos distraia de nossa verdade?
Digo que aquilo que vemos com nossos próprios olhos é apenas uma nuvem que nos esconde o essencial. E o que ouvimos com nossos ouvidos é um mero barulho que nos distrai do sentido profundo das coisas. É nossa visão que realmente vê. É nosso coração que realmente ouve. Sigamos sua orientação.
Quando cruzarmos com um policial que leva um homem á cadeia, não presumamos qual dos dois é o criminoso. E quando virmos dois homens, um ensangüentado e outro com manchas de sangue nas mãos, não concluamos qual é o agredido e qual o agressor. E se ouvirmos um homem cantar e outro chorar, paremos antes de concluir qual dos dois é o mais feliz.
Não, meu amigo, não ates as aparências às realidades. E não julgues da essência de um homem pelas suas palavras e seu comportamento.
Talvez aquele que julgues ignorante porque gagueja, possua um pensamento e um coração cheios de luz. Talvez aquele que desprezas pela feiura de seu rosto e a incivilidade de seus modos, seja uma dádiva do céu à terra e um sopro de Deus entre os homens.
Talvez visites no mesmo dia um castelo e um casebre, e saias do primeiro com veneração e do segundo com comiseração. Mas se pudesses rasgar o véu das aparências, tecido por seus sentidos, tua veneração se transformaria em comiseração e tua comiseração em veneração. Talvez encontres, entre o despertar e o ocaso de teu dia, um homem que fala como se a tempestade se exprimisse em sua voz e os exércitos se manifestassem em seus gestos, e outro que fala com palavras tímidas e entrecortadas. E talvez atribuas o heroísmo ao primeiro e a covardia ao segundo. Mas, se os reencontrasse quando a vida os chama para enfrentar os obstáculos ou sacrificar-se a um ideal, saberias que a soberba briosa não é coragem e a timidez calada não é covardia.
E talvez olhes pela tua janela e vejas uma freira e uma prostituta que andam entre os transeuntes, e concluas intempestivamente: “ que nobreza naquela e que indignidade nesta!”. Mas se fechasses os olhos e escutasses o éter falar, ouvirias uma voz te dizer: “ Aquela Me procura pela oração e esta Me procura pelo sofrimento, e na alma de cada uma delas, há um refugio para Minha alma.”
E talvez viajes pelo mundo à procura do que chamas de civilização e progresso e entres numa cidade feita de edifícios altos e palácios suntuosos e institutos modernos e avenidas largas, enquanto seus habitantes, vestidos com esmero, estão em movimento permanente: uns a cavarem a terra, outros a subirem no espaço, outros a dominarem o raio, outros a investigarem os ventos.
Dias depois, talvez chegues à outra cidade de casas humildes e ruas estreitas, enlameada nos dias de chuva, empoeirada nos dias de sol, habitada por um povo primitivo e lento que te olha, parecendo olhar para algo além de ti; e talvez abandones esta cidade, desgostado, pensando: "a diferença que eu vi naquela cidade e nesta é a diferença entre a vida e a agonia: lá uma forca e seu fluxo, aqui a fraqueza e seu refluxo; lá uma atividade que produz primavera e verão, aqui, uma indolência que produz outono e inverno; lá, a ambição e a juventude que dança num jardim, aqui, a decrepitude é velhice deitada ao pó.
Mas se puderes olhar para as duas cidades com a luz de Deus, vê-las-ias duas árvores iguais no mesmo vergel. E, meditando, talvez concluísses que o que te apareceu progresso na primavera, nada mais é que borbulhas luminosas e efêmeras, e que o que te pareceu mediocridade na outra é o reflexo de uma riqueza interior, meditativa e permanente.


Não, a vida não vale pelas suas aparências, mas pelas suas essências. Os frutos não valem pelas suas cascas, mas pela sua polpa. Os homens não valem pelos seus rostos, mas pelos seus corações.
E a religião não vale pelo que se manifesta nos templos e pelos seus ritos e tradições, mas pelo que se esconde nas almas e nas intenções.
A arte não está nas melodias de uma canção ou na vibração verbal de um poema ou nas cores e nas formas de um quadro. A arte esta nas distâncias silenciosas e inspiradoras que separam as notas agudas e graves de uma canção e no que um poema transmite ao coração do que permaneceu inexpresso na alma do poeta. A arte está no que um quadro nos permite imaginar para além de suas dimensões.
Não, meu irmão, as noites e os dias não estão na suas aparências. E eu que na procissão das noites e dos dias estou nestas palavras que te dirijo, mas no que minhas palavras refletem das minhas profundezas mudas.
Não me consideres um ignorante até que examines essas profundezas e não me consideres um gênio antes de despir-me das minhas aparências. Não me digas: “É um generoso”, antes de compreender os motivos de minha generosidade. Não creias em meu amor até sentir-lhe o calor, e não me acuses de frieza antes de tocar minhas feridas sangrentas.

Do Livro Curiosidades e Belezas, Gibran Khalil Gibran.
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4 de novembro de 2011

Mensagem dos Anciões da Nação Hopi


Vocês estão anunciando que esta é a 11º hora.
Agora, regressem e anunciem que esta é a hora.
Algumas questões que devem ser contempladas:
Onde estás vivendo?
O que você está fazendo?
Quais são as tuas relações?
Onde está tua água?
Conheça o teu jardim.
É o tempo de falar a verdade.
Criar a tua comunidade.
Sejam justos uns com os outros.
E não busque um líder fora de ti.
Este poderia ser um bom momento!
Há um rio fluindo rapidamente.
é tão grandioso e suave que muita gente poderá estar assustada.
Tentarão agarrar-se nas suas margens.
Sentirão arrancando-os e sofrerão enormemente.
Saibam que este rio tem o seu destino.
Os anciões dizem que devemos soltar-nos das margens, e empurrar-nos para o centro do rio,
manter os olhos abertos,
e a nossa cabeça por cima da água.
Veja quem está ai contigo e celebre.
Neste momento da história não devemos tomar nada pessoalmente,
sobre tudo a nós mesmos!
No momento em que o realizamos,
nosso crescimento chega a um alto no caminho..
Já passou o tempo do lobo solitário.
Reúnam-se!
Elimine a palavra luta da tua atitude e vocabulário.
Nós somos aqueles que sempre estivemos esperando.

The Elders Os Anciões
Oraibi, Arizona Oraibi, Arizona
Hopi Nation Nação Hopi
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2 de novembro de 2011

2 de novembro


"A vida não cessa. A vida é fonte eterna e a morte é o jogo escuro das ilusões."

Mensagem de André Luiz, 'Nosso Lar'
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