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22 de fevereiro de 2010

Nota de repúdio às notícias veiculadas pelas Revistas Veja e Isto É sobre a Ayahuasca


19/02/2010 - 21:51

Republicação da nota de repúdio às notícias veiculadas pelas Revistas Veja e Isto É sobre a Ayahuasca  

clique aqui para página original do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos – NEIP

Nós, pesquisadores do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos – NEIP (www.neip.info), com apoio dos abaixo-assinados, manifestamos nosso repúdio ao recente processo de desqualificação das religiões ayahuasqueiras brasileiras – em suas múltiplas tradições e vertentes –, que tem se dado através da veiculação de matérias obscurantistas e indutoras de juízos equivocados e preconceituosos. Referimo-nos à nota “Liberado” da Revista Veja (ed. 2150, 3/02/2010, não assinada) e à matéria “As Encruzilhadas do Daime” da Revista Isto É (ed. 2100, 5/02/2010, de Hélio Gomes). Reafirmamos: - O direito à liberdade religiosa e ao pluralismo religioso estão previstos na Constituição Federal do Brasil; - Estas religiões – o Santo Daime, a Barquinha e a União do Vegetal –, que nasceram no norte do país a partir da década de 30 do século passado, e depois se expandiram e se diversificaram em variadas manifestações nos centros urbanos, constituem legítima expressão cultural e religiosa; - Assim como outras práticas religiosas foram perseguidas no passado, como é o caso das religiões de origem africana, estes grupos têm sido sistematicamente perseguidos. É nosso dever combater a estigmatização das minorias religiosas; - O processo de regulamentação do uso da ayahuasca no Brasil é produto de um diálogo de mais de 25 anos entre governo, religiosos e estudiosos. A Resolução N. 1 do CONAD (Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas), de 25 de janeiro de 2010, reflete este processo; - O modelo que o Brasil encontrou de lidar com este assunto polêmico é de certa forma pioneiro, tendo influenciado a legislação de vários países no mundo; - Não há evidências científicas nem empíricas de que o uso de ayahuasca por gestantes e crianças seja perigoso. Os direitos de ambos de participarem dos rituais estão garantidos desde a Resolução N. 5 do CONAD, de 4 de novembro de 2004, e devem ser salvaguardados; - Não há evidências científicas nem empíricas de que a ayahuasca cause dependência, muito menos de que seu consumo leve à morte; - O consumo de substâncias psicoativas faz parte da história humana. Devemos abandonar o modelo de debate público que se reduz a demonizá-lo; - O debate sobre o importante tema das religiões ayahuasqueiras deve ser ético, respeitar os princípios constitucionais, considerar o conhecimento já acumulado e não substituir a tolerância dialógica por preconceitos, acusações, estigmas e sensacionalismo.

Atenciosamente,

Beatriz Labate – Pesquisadora Associada ao Instituto de Psicologia Médica da Universidade de Heidelberg Edward MacRae – Professor do Departamento de Antropologia e Etnologia da UFBa Henrique Carneiro – Professor do Departmento de História da USP Julio Simões – Professor do Departamento de Antropologia da USP Sandra Goulart – Professora da Faculdade Cásper Líbero Maurício Fiore – Doutorando em Ciências Sociais pela UNICAMP Thiago Rodrigues – Doutor em Relações Internacionais pela PUC-SP Renato Sztutman – Professor do Departamento de Antropologia da USP Eduardo Viana Vargas – Professor do Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMG Stelio Marras – Doutor em Antropologia pela USP Rafael dos Santos – Doutorando em Farmacologia pela Universidade Autônoma de Barcelona Matthew Meyer – Doutorando em Antropologia pela Universidade da Virgínia Maria Betânia de Albuquerque – Pós-Doutora pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra Clara Novaes – Doutoranda em Psicologia pela Universidade de Paris 5 Bruno Ramos Gomes – Mestrando pela Faculdade de Saúde Pública da USP Débora Carvalho Pereira – Doutoranda em Ciências da Informação pela UFMG José Eliézer Mikosz – Doutor em Ciências Humanas pela UFSC Isabela Oliveira – Professora da Faculdade de Comunicação Social da UNB Christian Frenopoulo – Doutorando em Antropologia pela Universidade de Pittsburgh Marcelo Simão Mercante – Pós-Doutorando em Antropologia pela USP Antonio Marques Alves – Mestre em Ciências da Religião pela PUC-SP Santiago López-Pavillard – Doutorando em Antropologia pela Universidade Complutense de Madri Sergio Vidal – Mestrando em Antropologia pela UFBA Wagner Lins Lira – Mestre em Antropologia pela UFPE Wladimyr Sena Araújo – Professor de História da Secretaria de Educação do Acre Maria de Lourdes da Silva – Professora de História da Faculdade de Educação da UERJ Pablo Rosa – Doutorando em Ciências Sociais pela PUC-SP Osvaldo Fernandez – Pós-Doutorando em Antropologia Urbana e da Saúde na Universidade de Columbia Stella Pereira de Almeida – Pós-Doutora em Psicologia pela USP Gabriel de Santis Feltran – Professor do Departamento de Sociologia da UFSCar Isabel Santana de Rose – Doutoranda em Antropologia pela UFSC Frederico Policarpo – Doutorando em Antropologia pela UFF-RJ Jardel Fischer Loeck – Doutorando em Antropologia pela UFRGS Brian Anderson – Graduando em Medicina pela Universidade de Stanford Luciana Boiteux – Professora Adjunta de Direito Penal da UFRJ Laércio Fidelis Dias – Doutor em Antropologia pela USP Cristiano Avila Maronna – Doutor em Direito Penal pela USP Manuel Villaescusa – Mestre em Psicoterapia Humanista pela Universidade de Middlesex Denizar Missawa Camurça – Bacharel em Biologia pela UnG Maria Clara Rebel Araújo – Doutoranda em Psicologia Social pela UERJ Alexandra Lopes da Costa - Pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Tom Valença – Doutorando em Ciências Sociais pela UFBa Alexandre Camera Varella – Doutorando em História pela USP Lucas Kastrup Fonseca Rehen – Doutorando em Ciências Sociais pela UERJ Guillaume Pfaus – Doutorando em Etnologia Urbana pela Universidade Aix-Marseille Arneide Bandeira Cemin – Professora do Departamento de Antropologia da Univerisidade Federal da Rondônia Gabriela Ricciardi - Doutoranda em Ciências Sociais pela UFBa José Ricardo Gallina - Mestre em Ciências da Comunicação pela ECA Apoiam: Luiz Eduardo Soares – Professor do Departamento de Ciências Sociais da UERJ Miriam K A Guindani – Professora das Faculdades de Serviço Social e Direito da UFRJ Roberta Uchoa – Professora do Departamento de Servico Social da UFPE e membro do Grupo Multisciplinar de Trabalho sobre a Ayahuasca do CONAD Mauro Almeida – Professor do Departamento de Antropologia da UNICAMP Salo de Carvalho – Professor de Direito Penal e de Criminologia da PUC-RS Clodomir Monteiro – Presidente da Acadêmia Acreana de Letras Pedro Strozenberg – Diretor Executivo do Instituto de Estudos da Religião Marilson Santana – Professor de Direito da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ Sérgio Seibel – Pesquisador Associado do Departamento de Medicina Legal, Bioética e Saúde Ocupacional da Faculdade de Medicina da USP Sonia Francine Gaspar Marmo – Membro da Executiva Estadual do Partido Popular Socialista José Murilo Jr. – Coordenador de Cultura Digital da Secretaria de Políticas Culturais do MinC Daniela Piconez – Diretora da Rede Brasileira de Redução de Danos Luiz Paulo Guanabara – Diretor Executivo da Psicotropicus – Centro Brasileiro de Política de Drogas José Eisenberg – Professor do Departamento de Teoria do Direito da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ Leilah Landim – Professora Associada na Escola de Serviço Social da UFRJ Newton Guimarães Cannito – Doutor em Cinema pela USP Maria Teresa Araújo Silva – Professora do Departamento de Psicologia Experimental da USP José Jorge de Carvalho – Professor do Departamento de Antropologia da UNB José Guilherme C. Magnani – Professor do Departamento de Antropologia da USP Robin Wright – Professor Titular Aposentado do Departamento de Antropologia da UNICAMP Edilene Coffaci de Lima – Professora do Departamento de Antropologia da UFPR Mariana Pantoja – Professora do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFAC Maria Filomena Gregori – Professora do Departamento de Antropologia da UNICAMP Jaco Cesar Piccoli – Diretor do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFAC John Manuel Monteiro – Professor do Departamento de Antropologia da UNICAMP Sylvia Caiuby Novaes – Profesora do Departamento de Antropologia da USP Edmundo Pereira – Profesor do Departamento de Antropologia da UFRN Bruno César Cavalcanti – Professor do Instituto de Ciências Sociais da UFAL Rose Hikiji – Professora do Departamento de Antropologia da USP Gilberta Acselrad –– Coordenadora do Núcleo de Estudos Drogas/Aids e Direitos Humanos – Laboratório de Política Públicas da UERJ Pedro de Niemeyer Cesarino – Pós-Doutorando em Letras pela USP Julio Delmanto – Coletivo DAR – Desentorpecendo a Razão Rosa Melo – Doutoranda em Antroplogia pela UNB Walter Dias Jr. – Mestre em Antropologia pela PUC-SP Claudio Alvarez Ferreira - Mestre em Ciências da Religião pela PUC-SP José Augusto Lemos – jornalista Afrânio Patrocínio de Andrade – Doutor em Direito pela Universidade do Museu Social Argentino Sérgio Brissac – Doutor em Antropologia pelo Museu Nacional – UFRJ Paulo Moreira – Doutorando em Antropologia UFBA Messias Basques – Mestrando em Antropologia Social pela UFSCar-SP Jussara Rezende Araújo – Professora de Projetos Educacionais da Universidade Federal do Paraná – Setor Litoral Fábio Mesquita – Médico, Doutor em Saúde Pública pela USP Marcelo Bolshaw – Professor do Departamento de Comunicação Social da UFRN Luiz Assunção – Professor do Departamento de Antropologia da UFRN Walter Moure – Doutor em Psicologia Clínica pela USP Bruno Torturra Nogueira – Repórter Especial da Revista Trip Marcos Messeder – Professor do Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia Wagner Coutinho Alves – Secretário da Associação Brasileira de Estudos Sociais do Uso de Psicoativos – ABESUP Patrícia Paula Lima – Doutoranda em Etnomusicologia pela Universidade de Aveiro Luiz Antonio Martins – Babalorixá de Umbanda João Pedro Chaves Valladares Pádua - Diretor Jurídico Psicotropicus – Centro Brasileiro de Política de Drogas Marcelo Ayres Camurça – Professor do Departamento de Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora Ilana Goldstein – Doutoranda em Antropologia pela UNICAMP Rachel Stefanuto – Professora do Instituto de Geociências da Unicamp Marco Tromboni – Professor do Departamento de Antropologia e Etnologia da UFBa Thaís Seltzer Goldstein – Doutoranda em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela USP Marcus Athaydes Liesenfeld - Professor do Campus Floresta Universidade Federal do Acre

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3 de fevereiro de 2010

Outros habitantes de Cruzeiro do Sul



Resultado de pesquisa mostra nove espécies de primatas dentro da área urbana da cidade:

Cruzeiro do Sul pode se considerar uma cidade privilegiada. Pelo menos no quesito macacos urbanos. São vários e de várias espécies, convivendo junto com a população da zona urbana. É o que constatou o projeto: “Lavantamento da Ocorrência de Primatas Não-humanos nas Zonas urbana e periurbana de Cruzeiro do Sul – AC, através de entrevistas semi-estruturadas” de autoria da aluna formanda do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas, Anne Jamille Araújo, que percorreu a cidade e coletou mais de 50 entrevistas que relatam a presença dos macacos dentro da zona urbana e periurbana da cidade, em bairros como Tiro ao Alvo, Cruzeirinho e Nossa Sra. das Graças.


Macaco-soim do vermelho, do branco e do preto, soim-bigodeiro, macaco-da-noite, zogue-zogue, leãozinho, mico-de-cheiro e, nos locais mais afastados, o parauacú, são as qualidades de macacos relatadas pelos moradores como sendo os seus “vizinhos”. O soim-vermelho e o leãozinho, considerado o menor macaco do mundo, são os mais citados pelos moradores. Em alguns locais, em fragmentos inseridos na malha urbana, existe uma associação entre bandos de soim-vermelho e soim-preto, também conhecido como soim-do-bigode-branco.



O Brasil tem o maior número de espécies de primatas do mundo, sendo a Amazônia a região de maior diversidade. São 120 espécies e subespécies de primatas distribuídas por toda Amazônia Brasileira. Aqui às margens do Rio Juruá, é possível encontrar 16 espécies. O estudo constatou que mais da metade destas vivem dentro da zona urbana e periurbana da cidade, por este motivo, estão ameaçadas pela supressão, retirada de seu habitat, sua moradia, que são as florestas. A destruição ou fragmentação de habitats é a principal causa de extinção de espécies na atualidade e é causada principalmente pela ação do homem.


Em diversas cidades, e em Cruzeiro não parece ser diferente, a urbanização desorganizada está resultando na diminuição ou no total desaparecimento dos fragmentos florestais, tornando a sobrevivência das espécies de primatas e outros mamíferos ameaçada. Portanto, uma das conclusões do trabalho indica que é de suma importância a recuperação e manutenção das matas ciliares no fundo dos vales, protegendo os igarapés e suas margens, formando corredores ecológicos para os animais de vida silvestre.



Os resultados do trabalho ainda sugerem a instalação de pontes de corda, a fim de ligar fragmentos mais prioritários, pois em diversos pontos a pesquisadora constatou que os macacos andam pelo chão, atravessando ruas ou avenidas, na tentativa de atravessar entre um fragmento e outro, ficando expostos ao perigo dos atropelamentos ou do ataque de cães. As pontes servirão de ligação física para os primatas e outros animais silvestres, na travessia entre os fragmentos.


Além da proteção dos fragmentos e das margens dos igarapés, da instalação de pontes para travessia dos macacos, a pesquisadora indica que é de necessária urgência a promoção de projetos e programas de Educação Ambiental nas escolas e comunidades locais, divulgando a ocorrência de primatas dentro do ambiente urbano da cidade, a fim de formar cidadãos antenados com o futuro da cidade.


A apresentação dos resultados da pesquisa será no dia 10 de fevereiro, no segundo piso da Biblioteca do Campus Floresta da Universidade Federal do Acre.
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2 de fevereiro de 2010

Treze anos sem Chico Science


Em 1997 estava eu em Recife, curtindo uma prainha após um Encontro Nacional de Estudantes de Biologia. No dia 2 de fevereiro, dia de Iemanjá e de Nossa Sra. Navegantes, recebemos uma notícia que parou Recife: morria, de acidente de carro, Chico Science, o maior expoente do manguebeat, poeta, louco, mestre, Sr. do maracatu, filósofo da lama. Morria aquele que impressionou e arrebatou uma multidão de fãs pelo Brasil inteiro, integrantes da geração manguebeat.

Esta semana inaugura uma exposição, no Itaú Cultural - SP chamada 'Ocupação Chico Science', com imagens, músicas e filmes relacionados ao Chico, como esta foto que aparece acima, ao lado de Antônio Nóbrega, poucos dias antes de falecer (retirada do site do G1), e no ensaio da Trilha sonora de "Baile Perfumado". Momento de prestigiar e relembrar esta figura emblemática da Cultura Nordestina e de nossas vidas.

Hoje seguirei ouvindo aqui Afrociberdelia. Valeu Chico do foguete nos pés!

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