Translate

3 de fevereiro de 2010

Outros habitantes de Cruzeiro do Sul



Resultado de pesquisa mostra nove espécies de primatas dentro da área urbana da cidade:

Cruzeiro do Sul pode se considerar uma cidade privilegiada. Pelo menos no quesito macacos urbanos. São vários e de várias espécies, convivendo junto com a população da zona urbana. É o que constatou o projeto: “Lavantamento da Ocorrência de Primatas Não-humanos nas Zonas urbana e periurbana de Cruzeiro do Sul – AC, através de entrevistas semi-estruturadas” de autoria da aluna formanda do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas, Anne Jamille Araújo, que percorreu a cidade e coletou mais de 50 entrevistas que relatam a presença dos macacos dentro da zona urbana e periurbana da cidade, em bairros como Tiro ao Alvo, Cruzeirinho e Nossa Sra. das Graças.


Macaco-soim do vermelho, do branco e do preto, soim-bigodeiro, macaco-da-noite, zogue-zogue, leãozinho, mico-de-cheiro e, nos locais mais afastados, o parauacú, são as qualidades de macacos relatadas pelos moradores como sendo os seus “vizinhos”. O soim-vermelho e o leãozinho, considerado o menor macaco do mundo, são os mais citados pelos moradores. Em alguns locais, em fragmentos inseridos na malha urbana, existe uma associação entre bandos de soim-vermelho e soim-preto, também conhecido como soim-do-bigode-branco.



O Brasil tem o maior número de espécies de primatas do mundo, sendo a Amazônia a região de maior diversidade. São 120 espécies e subespécies de primatas distribuídas por toda Amazônia Brasileira. Aqui às margens do Rio Juruá, é possível encontrar 16 espécies. O estudo constatou que mais da metade destas vivem dentro da zona urbana e periurbana da cidade, por este motivo, estão ameaçadas pela supressão, retirada de seu habitat, sua moradia, que são as florestas. A destruição ou fragmentação de habitats é a principal causa de extinção de espécies na atualidade e é causada principalmente pela ação do homem.


Em diversas cidades, e em Cruzeiro não parece ser diferente, a urbanização desorganizada está resultando na diminuição ou no total desaparecimento dos fragmentos florestais, tornando a sobrevivência das espécies de primatas e outros mamíferos ameaçada. Portanto, uma das conclusões do trabalho indica que é de suma importância a recuperação e manutenção das matas ciliares no fundo dos vales, protegendo os igarapés e suas margens, formando corredores ecológicos para os animais de vida silvestre.



Os resultados do trabalho ainda sugerem a instalação de pontes de corda, a fim de ligar fragmentos mais prioritários, pois em diversos pontos a pesquisadora constatou que os macacos andam pelo chão, atravessando ruas ou avenidas, na tentativa de atravessar entre um fragmento e outro, ficando expostos ao perigo dos atropelamentos ou do ataque de cães. As pontes servirão de ligação física para os primatas e outros animais silvestres, na travessia entre os fragmentos.


Além da proteção dos fragmentos e das margens dos igarapés, da instalação de pontes para travessia dos macacos, a pesquisadora indica que é de necessária urgência a promoção de projetos e programas de Educação Ambiental nas escolas e comunidades locais, divulgando a ocorrência de primatas dentro do ambiente urbano da cidade, a fim de formar cidadãos antenados com o futuro da cidade.


A apresentação dos resultados da pesquisa será no dia 10 de fevereiro, no segundo piso da Biblioteca do Campus Floresta da Universidade Federal do Acre.

0 comentários:

Blogs Favoritos