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11 de dezembro de 2009

Amazônia mais quente e seca

Estudo do Inpe e do Met Office, do Reino Unido, aponta impactos do aquecimento global e do desmatamento na Amazônia sobre o clima brasileiro (Nasa)

Agência FAPESP – Dados preliminares do projeto Mudanças Climáticas Impactantes no Brasil, colaboração entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Met Office Hadley Centre, do Reino Unido, indicam que o aquecimento global e desmatamentos podem causar grande impacto na floresta amazônica e também afetar o clima local e regional.

Além disso, de acordo com o Inpe, reforçando conclusões de estudos anteriores, a pesquisa aponta que o desmatamento em grande escala poderá tornar o clima mais quente e seco.

Se mais de 40% da extensão original da floresta amazônica for desmatada, pode significar a diminuição drástica da chuva na Amazônia Oriental. Esse percentual, ou aquecimento global entre 3°C e 4°C, representaria o tipping point, ou seja, o ponto a partir do qual parte da floresta corre o risco de entrar em colapso.

O projeto foi apresentado nesta quarta-feira (9/12) durante evento do Met Office na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), em Copenhague.

O estudo foi desenvolvido a partir de modelos climáticos do Inpe e do centro britânico, que indicam um aquecimento maior nas regiões tropicais amazônicas em relação ao aumento médio de temperatura projetado para as áreas continentais do planeta.

Outro resultado importante é a tendência de tropicalização do clima em parte do Brasil, com duas estações ao ano. Nesse cenário, a primavera pode se tornar tão ou mais quente que o verão em algumas regiões hoje de clima subtropical.

“Esses impactos são extremamente importantes porque reduções de precipitação nas bacias levarão à diminuição da geração de energia hidrelétrica. Os modelos mostram que concentrações mais baixas de dióxido de carbono na atmosfera causam menor aquecimento e, portanto, menos impactos nas chuvas e nos regimes de temperatura e de extremos de clima. Talvez para o Brasil a melhor opção de mitigação dos efeitos do aquecimento global seja reduzir o desmatamento tanto quanto possível”, disse José Antonio Marengo, coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Mudanças Climáticas do Inpe.

Também é importante ressaltar que os próprios impactos do desmatamento são maiores em condições de seca. Por conta disso, reduzir o desmatamento ajudaria a manter a floresta mais resistente num clima sob mudanças. Pelo Inpe participam do projeto os pesquisadores Carlos Nobre, Gilvan Sampaio, Luiz Salazar e Marengo.

Enquanto o modelo climático global do Hadley Centre é usado para projetar mudanças do clima em todo o mundo, o modelo climático regional do Inpe fornece maiores detalhes sobre o Brasil para níveis diferentes de aquecimento global.

Mais informações: www.inpe.br
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5 de dezembro de 2009

Você venderia seus velhinhos?


Na primeira década do nosso novo século melhoramos em muito a relação com os idosos, seres humanos da terceira idade. E com os velhinhos da natureza?


Os indivíduos, expostos na caixa da foto, se tivessem suas idades somadas, o resultado seria mais ou menos 500 anos. Cada um ali ou é um sexagenário ou está perto disso. Fiquei chocado ao flagrar isto em uma feira no centro do Recife, uma dúzia de cactos coroa-de-frade, dentro de uma caixa, uma entre algumas por alí, sendo vendidos a, no máximo, 5 reais (os maiores). Para ele chegar com este preço, provavelmente quem coletou lá no meio do sertão, deve ter ganho 0,50 centavos ou menos por cada um arrancado.


Assim, vem a pergunta: você venderia seus velhinhos? Exporia eles em praça pública?

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4 de dezembro de 2009

Fim do desflorestamento na Amazônia

Agência FAPESP – O surgimento de duas oportunidades históricas pode diminuir e até mesmo acabar com o processo de desflorestamento na Floresta Amazônia. A constatação está em artigo publicado por cientistas do Brasil e dos Estados Unidos na nova edição da revista Science.

Daniel Nepstad, do Woods Hole Research Center (Estados Unidos), da Universidade Federal do Pará e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, e colegas discutem as duas oportunidades que não podem ser perdidas.

A primeira é o compromisso do governo federal brasileiro, anunciado em 2008, de reduzir o desflorestamento na Amazônia em 80% até 2020. Iniciativa que conta com apoio das Nações Unidas e da Noruega, que se comprometeu a doar até US$ 1 bilhão para o Fundo Amazônia.

Gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o fundo tem por finalidade captar doações para investimentos não-reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de promoção da conservação e do uso sustentável das florestas no bioma amazônico.

A segunda oportunidade, segundo os autores, são as mudanças recentes nas indústrias de carne e soja, principais motores do desflorestamento amazônico, que começaram a cortar de suas cadeias produtivas empresas que lucram com o desmatamento.

“De acordo com nossa análise, esses desenvolvimentos recentes finalmente tornaram viáveis o fim do desflorestamento na Amazônia brasileira, o que poderá resultar em uma redução de 2% a 5% nas emissões globais de carbono”, destacaram os autores.

Nepstad e colegas estimaram os custos de um programa de dez anos para acabar com o desflorestamento e destacaram os benefícios dessa diminuição, como redução nas queimadas, na poluição do ar, em enchentes e na perda da biodiversidade, entre outros.

O custo estimado estaria entre US$ 7 bilhões e US$ 18 bilhões, incluindo apoio a comunidades locais e melhoria no gerenciamento na fiscalização de áreas protegidas. O montante poderia ser compensado, apontam os autores, por mecanismos como a Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação (REDD), em negociação no tratado climático das Nações Unidas, ou o recebimento de créditos de carbono.

O artigo The End of Deforestation in the Brazilian Amazon, de Daniel Nepstad e outros, pode ser lido por assinantes daScience em www.sciencemag.org.

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3 de dezembro de 2009

Linha do Tucum - Artesanato Amazônico, lançamento de livro.


No próximo dia 3 de dezembro, às 19 horas, será inaugurada na Biblioteca da Floresta Marina Silva, a exposição que apresenta ao público os resultados do projeto “Linha do Tucum, Artesanato Amazônico”, realizado pelo Instituto de Estudos da Cultura Amazônica - IECAM e patrocinado pela Petrobras / MinC, que está sendo desenvolvido no coração da floresta amazônica, fronteira entre o Acre e o Amazonas no Médio Juruá, região considerada de megadiversidade biológica, conforme Relatório da Biodiversidade Brasileira.

O projeto buscou favorecer o desenvolvimento socioeconômico de comunidades do Vale do Juruá, através da valorização do conhecimento tradicional de fiação da fibra da palmeira Tucum (Astrocaryum chambira), e da capacitação de artesãos locais na confecção de produtos artesanais, utilizando como matéria-prima sementes, fibras e outros recursos florestais não-madeireiros.

A comunidade Vila Céu do Juruá, é formada por ex-seringueiros, ribeirinhos e agricultores e está ligada por laços culturais a outras quatro comunidades, totalizando 350 pessoas. Localiza-se, no seringal Adélia, a um dia e meio de barco do município amazonense de Ipixuna, e a três dias de barco de Cruzeiro do Sul no Acre, ocupando uma área de cerca de três mil hectares, recoberta pela Floresta Pluvial Amazônica, sendo uma região riquíssima em ambientes distintos, com três grandes lagos e inúmeros igarapés.

No universo simbólico de diversas comunidades amazônicas, a linha do Tucum é considerada a “Linha da Lealdade”, pois tem grande resistência e nunca se rompe. A arte de fiação da fibra dessa palmeira constitui-se numa técnica ancestral herdada dos povos indígenas, entre eles os kulina e os katukina, do Vale do Juruá.

Até meados da década de 1950, a linha do Tucum era o único recurso que se dispunha na floresta para a fabricação da linha artesanal, utilizada na confecção de redes de dormir, linhas de pesca, malhadeiras (tarrafas), cordas, roupas e utensílios. A linha do Tucum e todos os produtos confeccionados a partir dela são naturalmente biodegradáveis, não representando riscos para o ciclo da vida nas florestas.

Com a chegada do nylon essa cultura foi sendo esquecida assim como outros saberes e fazeres tradicionais ligados à sobrevivência das populações da floresta. Se por um lado a produção industrial trouxe praticidade, por outro ela tem sido responsável pelo fim de técnicas seculares, tradições e formas de organização do trabalho, das quais, o conhecimento tradicional associado ao uso da linha do Tucum constitui um exemplo emblemático.

A valorização desse conhecimento e de outros saberes e fazeres a ele associados, como o manejo florestal e o beneficiamento de sementes, fibras e outros produtos florestais não madeireiros, é sem dúvida uma das melhores maneiras de se manter a floresta em pé, aliando o uso à conservação, contribuindo para a construção de um modelo sustentável de ocupação dos ambientes amazônicos.

A exposição Linha do Tucum: artesanato da Amazônia, organizada pela Biblioteca da Floresta Marina Silva, certamente surpreenderá como importante empreendimento de sistematização e valorização de técnicas consideradas já em desaparecimento e que passarão a ter um valor extraordinário nos próximos anos.

A exposição permanecerá durante todo o mês de dezembro, onde serão apresentados os produtos artesanais da comunidade. Estão previstos também o lançamento do livro “Viagens ao Juruá”, do líder comunitário Alfredo Gregório, e a apresentação de um DVD que registra os trabalhos realizados durante o projeto. O público terá a oportunidade de conhecer melhor os costumes dos povos da floresta, as espécies utilizadas no artesanato da região e seus múltiplos usos.

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