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17 de novembro de 2009

Protesto dos alunos da UFAC - 10/11/2009


Protesto dos alunos da UFAC, no Campus Floresta, solicitando mais professores, mais livros, biblioteca funcionando decentemente, mais transporte, mais bebedores, laboratórios funcionando. Estou aderindo ao protesto pois estou muito chateado com o funcionamento da estrutura de ônibus para as saídas de campo. Marquei uma saída há 60 dias e dois dias antes vieram me dizer que não tinha motorista, e que ia ficar por isso mesmo. Cinco cursos da UFAC necessitam de saídas de campo, mas desse jeito, os alunos nunca verão a prática de campo ser realizada de fato.

A matéria do Jornal Juruá On line está aqui.
Mais fotos abaixo:








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13 de novembro de 2009

Personalidades Públicas enviam carta ao presidente pedindo que a BR-319 não seja construída

13/11/2009
Local: São Paulo - SP
Fonte: Amazonia.org.br
Link: http://www.amazonia.org.br


Políticos, ambientalistas, cientistas, representantes de organizações e pesquisadores divulgaram hoje (13) uma carta que foi enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo o cancelamento do projeto que pretende reconstruir a BR-319, que ligará Manaus (AM) a Porto Velho (RO). A obra está nos planos do governo e já foi sinalizada como prioridade alta dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O documento foi resultado de uma oficina realizada nos dias 5 e 6 de novembro na Universidade de Chicago, por iniciativa do seu Centro para a América Latina. Ao final do evento "Políticas Ambientais, Movimentos Sociais e Ciência para a Amazônia" os participantes decidiram por unanimidade encaminhar uma moção ao governo brasileiro solicitando a não construção da Rodovia.

"A decisão é urgente e imperativa, antes que a atração populacional resultante do simples anúncio da obra acabe se transformando em justificativa para sua existência", diz o documento. Afirmam também que "não existem justificativas econômicas que suplantem os custos ambientais de conectar o eixo do desmatamento com o coração florestal da Amazônia, a área mais preservada da região, levando para Manaus os problemas ambientais presentes em Rondônia".

Para tentar viabilizar a obra o Ministério do Meio Ambiente (MMA) usa como argumento as Unidades de Conservação (UCs) que serão construídas no entorno da estrada e já apelidou o projeto de "estrada parque". Contrariando os argumentos, especialistas afirmam na moção que apesar das Ucs contribuírem para controlar o impacto do desmatamento em nível local, isso não evitaria o deslocamento de frentes de expansão predatórias.

O Tribunal de Contas da União também já pediu a paralisação desta obra, além de outras oito na Amazônia. No projeto foram encontradas irregularidades como sobrepreço, ausência de licenciamento ambiental e obra licitada sem Licencia Prévia. Caso seja asfaltada a estrada, abandonada há mais de 20 anos, pode ampliar os problemas socioambientais na região onde ela se encontra, como conflito de terras, desmatamento e grilagem.

Participaram da conferência em Chicago e assinam o documento o ex-governador do Acre, Jorge Viana, do PT; Bertha Becker, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Academia Brasileira de Ciências; Tatiana Sá, da Diretoria Executiva da Embrapa; Mary Allegretti, ex-Secretária da Amazônia do Ministério do Meio Ambiente, no governo FHC e Lula; Foster Brown, do Parque Zoobotânico do Acre e do Instituto Woods Hole; Sonia Bone Guajajara, vice-coordenadora da COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia); Mauro Barbosa de Almeida, da UNICAMP; Philip Fearnside, do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e da Academia Brasileira de Ciências; Ricardo Paes de Barros, do IPEA; Marianne Schmink, da Universidade da Flórida e coordenadora do Programa Tropical Conservation and Development; Ane Alencar, do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia); Roberto Smeraldi, da organização não governamental Amigos da Terra-Amazônia Brasileira e Manuela Carneiro da Cunha, da Universidade de Chicago e da Academia Brasileira de Ciências.

BR 319

A construção da BR-319 aconteceu na década de 1970, entre os anos de 1972 e 1973. Anos mais tarde o projeto foi abandonado e foi se degradando aos poucos, pela ausência de manutenção, até torna-se intransitável. A proposta de reconstrução da rodovia surgiu em 1996, quando foi incluída como uma das metas do Plano Brasil em Ação, do governo Fernando Henrique Cardoso.

Atualmente o governo tenta um processo de pavimentação da estrada, o que tem sido amplamente criticado por entidades ambientais, devido aos enormes impactos ambientais e sociais não abordados nos estudos governamentais.

Organizações da área ambiental divulgaram uma nota pública contra o processo de licenciamento e audiências que não foram legítimas, afirmam em nota que o processo não foi "conduzido de forma transparente. Não houve prazos para a leitura, entendimento e análise destas mais de 3000 páginas que compõe o EIA-RIMA. Não foi respeitada a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho sobre a consulta às populações tradicionais"

Para ler a recomendação do MPF clique aqui.

Leia a Carta Aberta ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Respeito da BR 319

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4 de novembro de 2009

Personalidade: Nilson Mendes




Há exatos dez anos atrás:

O Nilson Mendes (na foto ao lado, acessada desta reportagem aqui, que conta um pouco sobre ele), foi o responsável pela minha vinda definitiva para o Acre. É. Você não sabia desta história? Pois foi assim mesmo..(sempre conto para todos os meus alunos no primeiro dia de aula, como eu vim parar no acre e tal).

Pois então, em 1999, estava eu, recém formado biólogo, em um encontro na cidade de Piracicaba, interior de São Paulo. No Congresso nacional de etnoecologia e etnobotânica. Lá, assisti uma palestra do Nilson, sobre Manejo Florestal. Adorei a palestra, o jeitão dele, e as histórias da vida dele no Acre. Ao fim da palestra fomos tomar uma cervejinha na beira do rio que passa ali em Pira, e conversa vai conversa vem falei que ia visitá-lo logo logo, e perguntei como podia fazer isso. Ele a princípio não acreditou, mas me deu as dicas, enfatizando que eu tinha que ir ao INCRA pedir autorização e tal.

Assim, comecei a amadurecer a idéia, e logo um ou dois meses depois, com as dicas do meu amigo Postigo, estava desembarcando aqui, na capital do Acre. Ao chegar no aeroporto, peguei um ônibus até o Casa do Seringueiro, dica do Postigo para passar a noite e me informar como chegar no Seringal Cachoeira, reserva extrativista onde nasceu e passou grande parte da juventude o Chico Mendes e onde o Nilson mora. A Casa do Seringueiro ficava onde hoje está o Café do Memorial dos Autonomistas, naquela esquina alí. Chegando lá, me falaram que para chegar em Xapuri e no Seringal Cachoeira devia ser de ônibus mas antes teria que passar no INCRA e conseguir autorização. Eu bem sem grana, fui ao prédio do lado, que hoje é a Biblioteca Pública (muito linda por sinal, acabei de conhecer) pedir apoio. Consegui apoio, um táxi que me levou até o INCRA, uma cartinha de recomendação, uma estadia de hotel, refeição para aquela noite e de quebra, um botton do governo (aquele botton da arvorezinha).

Por ali, na praça ao lado da atual Biblioteca, ficava a casa dos povos da floresta. Lá comprei um livrinhos e conheci um senhor que me deu a dica de um trabalho na Barquinha, naquela mesma noite. E lá fui eu conhecer a Barquinha, que foi maravilhoso, muito legal mesmo. No outro dia, no INCRA, fui recebido pelo diretor, em reunião super formal e ele me deu de próprio punho, autorização para circular na Reserva. Depois dali, caminhei até o segundo distrito, local da estação rodoviária e me toquei pra Xapuri. Viagem interessante, mas estava preocupado, pois ao longo de toda a estrada só via mesmo era gado e pasto, gado e pasto - me perguntava: aonde está a floresta???

Em Xapuri, conheci a casa do Chico e pedi, na casa da associação dos trabalhadores rurais, abrigo para passar a noite, que fui de pronto atendido. Dia seguinte, partia o caminhão caçamba até o Seringal, e lá fui eu, junto com vários moradores, sacolejando três horas em cima do caminhão. Ali eu já pensava, aqui começa minha aventura. Chegando no Seringal, Projeto de Assentamento Agro-extrativista (PAE) Chico Mendes, de pronto uma festa. Não lembro bem o motivo, mas tinha forró, sanfona..pensei, estou em casa! Peguei um triângulo e um copo de pinga e cai no bailado. Pouco tempo depois chegou o Nilson, na verdade ele havia chegado de viagem de São Paulo naquela mesma semana! Quase nos desencontramos. Ele ficou surpreso em me ver, imagine. Ai falei: - Eu disse que vinha, pois aqui estou!. Logo ele me levou para casa dele, a família não estava, mas nos arranjamos almoçando na casa dos parentes e amigos. Na noite, na rede, quase não dormi com os morcegos cagando na minha cabeça; é primeira noite no seringal ninguém esquece.

E assim foram dez dias acompanhando o Nilson pra cima e pra baixo. Conheci diversos amigos, primos e irmãos dele. Ouvi muitas histórias (algumas até já publicadas aqui no Blog, como a do jogo da onça), caminhei muito na floresta, participei com eles de atividades de manejo florestal, marcando parcelas, identificando árvores. Fui à caça! Me perdi em uma estrada de seringa, passei a manhã perdido! Tive medo da pico-de-jaca. Joguei bola com a criançada. Caminhei mais um tanto na floresta. Tomei vários banhos de igarapé. Enfim, tudo, total imersão no modus vivendi seringueiro.

O que mais me marcou foi o fato que eu emburreci do nada. Fiquei totamente ignorante. Eu, recém formado em Biologia, no meio de vários seringueiros, me senti o cara mais burro no mundo. Não conseguia falar nada, colocar uma opinião, nada, dar um palpite. As pessoas transpiravam floresta, respiravam floresta, falavam da floresta 24hs por dia e eu só sorvendo aquele conhecimento. Na verdade, sei lá, 70% ficou lá, não tive condições de absorver, era muita coisa para um ser-humano-citadino só. E ao mesmo tempo, aprendi muito, muito mesmo, quase tudo ainda lembro, está gravado dentro do meu íntimo. Graças ao Nilson, às pessoas que conheci no seringal Cachoeira em final de 1999, hoje estou aqui, morando aqui. Lá, pouco antes de ir embora, ouvindo a Dona Cecília contar a história do Chico, sentadinho no mesmo lugar em que o Chico, quando pequeno, sentava, tomando o cafezinho doce que só no seringal tem. No mesmo lugarzinho aonde o Chico aprendeu a ler e escrever mais tarde. Sentado lá eu prometi pra mim mesmo, é aqui, é aqui que eu ei de trabalhar e de viver. Pronto pra ir embora, desatei a chorar, chorei pois minha maior lição ali foi reaprender a olhar, olhar igual aos olhares deles, olhares sem maldade, puros, olhares até hoje marcados na minha memória.

Obrigado Nilson, obrigado por me ensinar tudo que me ensinou lá, por continuar ensinando tanta gente a gostar, amar a floresta, por me fazer ver a humildade do povo da floresta e por me trazer até aqui. Um dia nos encontraremos de novo.

Rio Branco, 4 de novembro de 2009.
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Universidade da Floresta 5 anos. Parte 2.

Uma das cenas mais lindas do nosso Campus. A paisagem que se enxerga do outro lado do laguinho, do açude, tão negligenciado por todos, tão esquecido. A maior parte dos alunos e alguns professores nem dão bola pro nosso laguinho, e nunca viram a cena acima de uma beleza única. O pôr-do-sol com os prédios de sala de aula e a biblioteca ao fundo.

Ai a vista da cantina, pequena, mas confortável.

Alguns alunos no intervalo de almoço, estudando, ouvindo brega e conversando. Realmente ainda faltam outros espaços de convivência no Campus, espero que logo os mesmo estejam disponíveis para usufruto de todos.

No almoço o pessoal vai sentando pelos corredores, para passar o tempo até o início das aulas da tarde. Muitos não tem como ir e voltar neste intervalo de meio-dia, pois o horário de ônibus é bastante apertado. O jeito é trazer sua marmitinha de casa, achar um cantinho e almoçar. Na foto está o módulo de laboratórios didáticos.

Ao fundo pode-se ver a cantina. À direita está o Restaurante Universitário, infelizmente ainda não funcionando. Este corredor, depois de emendado, fará ligação com o prédio novo de salas de aula e com os prédios de pesquisa - fotos abaixo.

Esta vista mostra à direita, em primeiro plano, o prédio inacabado do Instituto da Biodiversidade, um pouco mais além, também a direita, o prédio de pesquisa, com os laboratórios de pesquisa. Ao fundo, o prédio parcialmente terminado de salas de aula.

O Instituto da Biodiversidade, ainda em fase de construção.

O prédio dos laboratórios de pesquisa.
Outra vista do prédio novo das salas de aula, que vem para suprir uma carência de espaço, já defasado.
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