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22 de janeiro de 2009

Sema entrega último relatório sobre acidente no Rio Purus


Fonte: Globo Amazônia, por Mariama Morena
22-Jan-2009

IMAC abriu processo administrativo para apurar responsabilidades sobre o acidente
Segundo o documento apresentado na tarde desta quinta-feira pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Acre, o sobrevôo realizado na manhã desta quarta-feira dá conta de que os impactos resultantes do acidente com o batelão que transportava óleo diesel no rio Purus foram menores do que o previsto pelos técnicos. A vistoria aérea foi realizada pelo engenheiro ambiental da Petrobrás, Gonçalo Rodrigues de Souza, e pelo professor Nelson Consoli Filho, da Ufac. Em Manoel Urbano, por volta de 11 horas da manhã, se reuniram representantes da câmara municipal e o prefeito Manoel Almeida. A troca de informações foi primordial para a condução das ações municipais.

"O rio Purus é muito grande e esse óleo já dissipou. Estamos mais tranqüilos agora", revelou o prefeito de Manoel Urbano, cidade que não teve o abastecimento de água comprometido.
De acordo com os vereadores Cledson Santos, Charles Brandão, e do 1˚ secretário, Rubens Martins, a câmara vai se mobilizar para melhorar as condições de transporte nas hidrovias da região. "Já que para a grande maioria da população do interior o único meio de transporte é o barco", justifica Martins.
O presidente da colônia de pescadores de Manoel Urbano, Manoel Pereira de Freitas, 53, disse que recebeu o relato dos pescadores e ribeirinhos da região de que até agora não houve registro de morte de peixes.
Diante desses fatos, a Comissão Estadual de Gestão de Riscos decidiu por confeccionar um calendário anual de instituições que ficarão em alerta no que diz respeito aos acidentes no Estado. A Comissão irá fazer uma nota técnica incluindo os resultados de análise de água para ter certeza da qualidade e que usos podem ser feitos. O DEAS vai ser convidado para participar da comissão de forma permanente. Será realizada também uma perícia no local pela polícia técnica, com a retirada dos cilindros do local, com demanda de um rebocador e uma equipe de mergulhadores.
Do ponto de vista dos procedimentos administrativos, o IMAC abriu processo administrativo para apurar a responsabilidade sobre o acidente. Foi constatado que a embarcação, de propriedade do Senhor Josimar da Costa Moreira, não contava com licença ambiental para o transporte de produtos perigosos. Visando instruir o processo, foram notificados o dono da embarcação (Notificação N° 6762) que realizava o transporte do óleo diesel que se apresentará na tarde desta quinta-feira, dia 22 de janeiro, à Companhia de Eletricidade do Acre (Notificação N° 1038) e a Guascor do Brasil (Notificação N° 1037).
Na tarde da última quarta-feira compareceram à sede do IMAC, em Rio Branco, os representantes das duas empresas para prestar os devidos esclarecimentos. A Eletroacre prestou informações sobre o tipo de contrato estabelecido entre a empresa e o prestador do serviço de transporte do óleo diesel para o município de Santa Rosa do Purus, tendo sido solicitado aos mesmos, dentre outros documentos, cópia do contrato de serviço, plano de emergência e documento de embarque do produto. A empresa informou ainda que deslocou uma equipe técnica para o local para apurar os fatos e definir as ações de reparação do dano a serem adotadas.
A Guascor do Brasil informou que a Eletroacre é responsável pela contratação do serviço de transporte de produtos para a geração de energia no município de Santa Rosa do Purus e que a empresa possui Plano de Emergência para cada uma das unidades geradoras, mas que as ações são específicas para a área interna da unidade. 


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Linha do Tucum é aproveitada economicamente na Amazônia


Fonte: Amazonia.org.br
Link: http://www.amazonia.org.br

Projeto que estimula o artesanato amazônico se tornou alternativa de desenvolvimento sustentável no estado do Amazonas

Um projeto desenvolvido no Amazonas pretende proporcionar sustentabilidade econômica à comunidade extrativista por meio de produtos artesanais e manejo adequado dos recursos naturais. Trata-se do projeto "Linha do Tucum, Artesanato Amazônico", iniciativa de apoio à economia sustentável de famílias extrativistas que vivem na Vila Ecológica Céu do Juruá, unidade produtiva do Seringal Adélia- Ipixuna.

O artesanato,confeccionado a partir da extração de produtos florestais não madeireiros, representa uma alternativa ambientalmente sustentável e economicamente viável de obtenção de renda para as famílias que vivem na floresta. A atividade ainda promove o resgate de antigas tradições aprendidas a partir do contato entre as primeiras gerações de seringueiros e tribos indígenas da região.

Na região do seringal Adélia, conhecida como baixo Juruá, muitas pessoas são descendentes de tribos indígenas locais, como os Katukina e os Kulina, que aprenderam com seus antepassados o uso da linha do Tucum (Astrocaryum sp.), palmeira espinhosa que fornece uma linha de alta durabilidade, usada para a confecção de redes de dormir, linhas de pesca, malhadeiras (tarrafas) e artesanato. O coco da palmeira também é aproveitado para a fabricação de instrumentos musicais, como chocalhos e adornos. A produção é uma tradição que vem se perdendo, por se tratar de um processo muito trabalhoso, que exige a retirada das folhas da palmeira, sem que seu caule espinhoso seja cortado. Os espinhos grandes e numerosos dificultam o acesso às folhas e frutos comestíveis da planta.

O manejo, também incluso no projeto, tem por objetivo preservar as palmeiras, a partir da previsão de que sejam retiradas somente duas folhas por árvore.

Educação ambiental e instrução profissional como aliadas
O projeto "Linha do Tucum" teve início no último mês de julho, e suas primeiras atividades foram a implementação de oficinas de fiação e educação ambiental, a construção de uma casa das máquinas e o começo da instalação de uma oficina de montagem do artesanato, que ainda está em andamento. Outra medida foi a implantação de um banco de sementes no local, com coleta e cultivo de espécies nativas. Tais atividades envolveram praticamente todos os setores da comunidade.

As oficinas da linha do Tucum contam com a participação de aproximadamente trinta mães-fiadeiras, acompanhadas de seus filhos. As aulas vêm sendo ministradas regularmente duas vezes por semana, durante todo o dia, com almoço e lanche fornecidos pelo projeto. Nos outros dias, as fiadeiras trabalham em casa.

As etapas da produção da linha são inúmeras. Em outubro, as oficinas tinham por objetivo ensinar a retirada do linho e a feitura dos fusos de madeira a serem empregados na fiação da linha. Cada professora ou aluna é cadastrada com seus dados pessoais, horários de chegada e saída e produção diária (no caso, a tiragem do linho), que é pesada na balança e anotada na ficha pessoal. O plano é que as oficinas semanais continuem até julho de 2009, ensinando a cada mês uma nova etapa na arte da fiação da linha do Tucum.

As oficinas de beneficiamento das sementes acontecem paralelamente, sendo fundamentais para a produção do artesanato a coleta e o tratamento das sementes exóticas da região. Também fazem parte do projeto oficinas de educação ambiental/agroflorestal, ministradas para jovens e adultos na escola da vila, sob supervisão do professor José Reis.

As aulas para adultos acontecem aos sábado, trazendo temas, como ecologia, ecoturismo, educação ambiental, manejo do lixo, cuidado com a água e a saúde e bons hábitos de higiene física e mental. Já as aulas para os jovens são oferecidas durante a semana, de manhã e à tarde, com a abordagem de temas relacionados à ecologia, como ecossistemas, interações ecológicas, cadeia alimentar, agrofloresta e conservação dos recursos naturais.

Durante o processo, ainda vêm sendo registradas informações importantes para a elaboração de um diagnóstico sociocultural e ambiental da comunidade, que servirá de base para a elaboração de um livro cartilha a ser lançado no final do projeto.

A equipe do Instituto de Estudos da Cultura Amazônica (IECAM), ONG responsável pelo projeto, articulou parcerias importantes para divulgação das atividades, capacitação dos artesãos da comunidade e expansão da iniciativa aos municípios vizinhos. Foram feitas parcerias de cooperação com o Jardim Botânico, Colegiado do Departamento de Filosofia e Ciências Sociais da UNIRIO, Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre e Departamento de Ciência Biológica da Universidade da Floresta em Cruzeiro do Sul, dentre outros. A procura por cooperação com as associações de produtores de Rodrigues Alves (AC) também abriu a possibilidade de inclusão dos artesãos desse município nas oficinas de capacitação de 2009.

A comunidade
Na Vila Ecológica Céu do Juruá vivem atualmente cerca de 20 famílias, totalizando 140 pessoas. A maior parte dos habitantes está a cerca de dez quilômetros de distância do rio Juruá na época da seca, o que equivale a três horas de caminhada na mata. Existem, porém, algumas famílias que vivem na beira do rio.

A área que corresponde à antiga colocação dos Estorrões permaneceu abandonada por quase 50 anos quando, em meados da década de 90, descendentes dos antigos seringueiros retornaram ao seringal Adélia, reunindo parentes e agregados dispersos ao longo do rio Juruá para formar a Vila Ecológica Céu do Juruá.

A comunidade sobrevive de atividades como a pesca, extrativismo e agricultura de subsistência. As palmeiras, numerosas na região, são importantes fontes de alimento.

Histórico
Desde a queda da borracha, em 1946, as famílias de seringueiros passaram a buscar outras alternativas de sobrevivência na floresta ou migraram para os centros urbanos em processo de formação na época, como Rio Branco (AC).

A necessidade de recuperação da linha do tucum surgiu quando o artesanato começou a depender da utilização de linhas de nylon e estruturas de metal trazidas do Sudeste, em processo demorado e caro. Apenas cinco mulheres antigas na comunidade conhecem o processo que envolve a fiação, ficando o artesanato comprometido com a dependência do fio de nylon vindo de São Paulo.

Dessa forma, o uso da linha do Tucum na confecção do artesanato, além de promover o resgate do conhecimento tradicional da comunidade, representa um diferencial da produção artesanal, que agrega valor cultural e econômico ao trabalho dos artesãos da Vila Ecológica Céu do Juruá.

O projeto "Linha do Tucum, Artesanato Amazônico" é patrocinado pela Petrobrás a partir da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura (MinC).
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10 de janeiro de 2009

Histórias de Rapés



A idéia de escrever este post contando a história de alguns rapés veio ontem a noite, eu muito gripado que estou, pedi a minha esposa que me aplicasse uma boa dose de rapé para ver se desopilava um pouco e me aliviava o nariz. E foi perfeito !! Instantâneo !! Claro, coloquei tudo pra fora, durante algum tempo, mas o objetivo é esse mesmo. Dai que eu fui catando todos os tipos de rapé que já ganhei, e coloquei em uma folha branca. O resultado vocês estão vendo abaixo. Ainda não estão todos ai, mas já dá pra se ter uma idéia da variedade, da diversidade de cores, texturas e padrões encontrados.

Já havia postado aqui fotos do pajezinho Haru aplicando rapé em mim. E é dele a autoria de dois dos rapés que estão na imagem mais abaixo. É difícil encontrar algum Katukina ou Kontanawa, que não tenha um potinho com rapé. Mas o Haru está chegando na especialização, rumando à perfeição. Em algumas ocasiões, ele conta que é necessário uma total imersão na floresta, incluindo longos dias de jejum, jornadas solitárias e muita concentração e chamadas espirituais. Para nossos vizinhos indígenas, o rapé é uma complementação do universo de trabalhos e ritos espirituais, sendo aliado nos rituais da Ayahuasca e naqueles do Sapo Kambô ou Kampô, Vacina do Sapo.

E afinal, como faz o rapé? Como fazer rapé? Bom, cada mestre rapezeiro tem o seu processo próprio, mas, a princípio, se reduz a pó a casca ou a folha que desejar incluir, e mais um pouco de tabaco para "ativar" os receptores ao nível do epitélio nasal. Para redução a pó usualmente se "assa" a casca ou folha. Ou seja, deve-se desidratar, tipo "obtenção do peso seco" das aulas de fisiologia vegetal, depois em um cadinho ou instrumento similar, triturar até o máximo de fino possível. Muitos rapés são mistos de dezenas de espécies vegetais, outros, somente uma espécie e um pouco de tabaco. Alguns rapés não se utilizam de tabaco, são puros. Para aqueles que tem alergia ao tabaco ou mesmo desejam não ter contato com ele, estes são os melhores. Lembrando que o tabaco utilizado é sabiamente escolhido pelos mestres do rapé. O tabaco, que é chamado na região de Porronca, tem várias origens, ao longo do Rio Juruá, e obviamente, alguns se destacam pela qualidade e pela pureza, entretanto, quase a totalidade senão todos, são orgânicos, ou seja não levam venenos, pesticidas, herbicidas, defensivos ou outro produto de infame sinônimo na sua produção. Algumas plantas já tem seu uso como rapé bem difundido, como a casca do jatobá, a sansara, a raiz de cachorro e a casca da copaíba.

Um dos rapés mais poderosos produzidos é aquele da tradição Katukina, que, junto às plantas tradicionais, ou mesmo, só ao tabaco, é incluído o pó da resina do sapo Kambô (!!!). Não tem como não cair, como não vomitar, como não, como não(...)!
Dai que eu, com o pouco de experiência acumulada, pergunto, no momento da aplicação:
- Tem sapo ai?
- Não.
- Então, pode continuar. (E nisso me agacho, solto os músculos, concentro, prendo a respiração - menos indicado - e aguardo a aplicação).

A aplicação é feita com um pequeno (ou as vezes, enorme) instrumento, chamado tipi (com certeza a grafia não é essa, mas a pronúncia é parecida). O tipi, curvo ou reto, permite que o mestre ou pajé ou outra pessoa, de confiança, assopre o pó diretamente no fundo do seu nariz. E acredite, quando bem aplicado, você não sente somente no nariz, e sim diretamente na nuca. Um calor que sobe da nuca pra cabeça, pernas trêmulas, momentânea angústia seguido de estimulante euforia, são alguns dos efeitos imediatos da aplicação. A pessoa que aplica deve saber o que faz, pois tanto o modo como ele pega o pó da mão com o tipi, a maneira que assopra, e o que pensa quando assopra, influenciam positivamente, ou negativamente o trabalho. Ou seja, o mesmo rapé aplicado por duas diferentes pessoas certamente não será o mesmo rapé e, assim, o efeito também não será o mesmo. Poucos são os que eu permito aplicar-me. E para os casos mais extremos, existe o auto aplicador, um tipi bem curto em que você se auto-aplica, ele é bem curto, e cabe no espaço entre a boca e o nariz, e é pessoal, como escova de dente.



E que rapés são estes da minha coleção?

O de número 1, bem à esquerda, foi o Haru que fez ano passado, enquanto ele estava na Aldeia, lá no alto Juruá - no Rio Tejo. Na ocasião eu estava em Marechal Thaumaturgo, dando aula e passando um perrengue por causa da falta de água e do excesso de chuva. Lá nos encontramos, e ele estava com este que, na minha opinião é o melhor rapé que eu já experimentei em toda a minha ínfima existência aqui. Observando a cor dele, pode-se perceber um tom mais avermelhado e a textura bem fina. É um rapé com muito pouco tabaco (ao contrário do 2 e do 3, por exemplo, que pela cor, demonstram que tem bem mais tabaco). Este foi o rapé que usei ontem a noite. O rapé que cuido como fosse ouro, e já está acabando. Pra se ter idéia de como ele fez sucesso enquanto estávamos em MT, é que todos os índios que lá se encontravam (e eram muitos, por ocasião do Novenário de São Sebastião, padroeiro da cidade), Katukinas, Ashaninkas, Araras, Yanawas, todos visitavam a casa em que o Haru estava hospedado (e que eu estava também...) para as sessões de rapé e música. E não faltavam elogios para o rapé do Haru.

O de número 2 foi um menino, quase rapaz, que com o conhecimento apreendido do pai, curador da floresta, já se transformou em um grande produtor de rapé, quase um mestre. O rapé que ele faz geralmente tem entre 11 e 17 espécies diferentes, e com tabaco. É um rapé bem forte.

O de número 3 foi um iniciante na arte de fazer rapé que o produziu. Ainda possui muita umidade, por isso e por não ter sido bem triturado, aparece mais grosso. Sendo mais grosso, pior assimilação. Mas é um rapé forte também.

O de número 4 foi um rapé também produzido no Alto Juruá, lá em Thaumaturgo, dentro dos princípios da tradição Ashaninka. Não tem nenhum tabaco. É bem claro pois os constituintes são bem queimados, quase reduzidos à cinza, e, se bem me lembro, são sete espécies diferentes, entre elas o cipó Jagube, mesmo que faz o Ayahuasca, mesmo que faz o Daime.

O de número 5 foi o pajezinho Haru que fez também, É bem recente, foi feito na aldeia dele. Bom esse foi em mim o que teve o efeito mais forte. Foi como se me tivessem aplicado a Vacina do Sapo, pois fiquei todo coçando e a glote fechou um tanto que fiquei com falta de ar. Perguntei ao Haru se ele havia colocado sapo e ele negou, dizendo que a composiçãoo deste era semelhante ao de número 1. Bom, sei lá, devia ser o momento e eu devia estar precisando. Mas estranhamente, é o rapé que eu ainda disponho em maior quantidade na minha coleção.

É isso, lembrando que o efeito do rapé, quaisquer que seja, da origem que seja, é original somente quando aplicado aqui, na FLORESTA.
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Alunos Agronomia UFAC no Croa



Na oportunidade de experimentar a sensação de um rapé, estando no Croa. Aplicadores: Nazinho e Seu Jorge, que terá um post em personalidade, em breve.
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9 de janeiro de 2009

O Acre por Um Fio - Ou, a nova Internet do Alto Juruá

Os leitores aqui acompanham desde a minha chegada por estas paragens, minha luta para obter um serviço de internet de qualidade. Pra contextualizar, àqueles que não conhecem a realidade aqui em Cruzeiro do Sul, Acre, extremo ocidente amazônico, quase Andes, vivemos em uma cidade aonde a energia tem que ser produzida aqui mesmo, por meio de geradores a Diesel. A Telefonia é toda por satélite. Ou seja, não existiam ligações físicas entre nós aqui e Rio Branco, capital do Acre. Quando falo em ligações físicas, me refiro às de telecomunicações. Mesmo a Internet, até dezembro do ano passado, era toda por satélite e redistribuída na cidade por meio de Internet via Rádio. Mesmo a ligação física pela estrada é sazonal: somente enquanto aqui na amazônia é verão (inverno no resto do país), quando seca a estrada e pode-se transitar. O resto do ano: inverno aqui e verão nos estados extra-amazônicos, a estrada fica fechada, intransitável, nem mesmo para carros tracionados, só mesmo se forem carros anfíbios.

De ponta a ponta, entre os dois extremos do canto mais extremo do nosso país continental, corre um fio, um único fio, ligando Cruzeiro do Sul a Rio Branco: o Acre por um fio.

Pois é, mas não existia. Agora existe! A primeira ligação efetivamente física, de telecomunicações, foi implantada de Rio Branco a Cruzeiro do Sul, por meio de Cabos de Fibra óptica. Bah! É a um salto rumo ao futuro. Comparativamente, é como se estivéssemos vivendo agora no século XXI, de fato! Antes quando conectava, era ou via rádio (com 15kbps, no máximo), ou modem telefônico (1,2kpbs - ridículo), ou modem de celular (até 8kbps). Bem isso agora mudou, drasticamente, com a Internet Banda Larga, total novidade na cidade, a velocidade é de até 105kbps de download efetivo !!! Não consigo nem pensar em uma metáfora ou comparação à altura...



Assim, pela estrada que na maior parte do ano só passam os animais da floresta e muita água e barro, está lá passando, solitariamente, o cabo de fibra óptica (3). A foto é no trecho entre Tarauacá e o Rio Lagoinha, uma estrada asfaltada já, muito boa. Mas para o cabo chegar alí ele necessariamente passou pelo pior trecho, entre Senna e Feijó, lar do barro tabatinga, que até na pronúncia, pega.

O Cabo é bem simples, como dá pra ver no (1), composto de vários pares de cabinhos circundando um central grosso, de um material muito forte (Kevlar?), praticamente indestrutível (tem que ser, pois em vários trechos da estrada, o cabo passa por baixo de árvores). Cada par de cabinhos tem um amarelo e um verde: Tx e Rx (transmissão e recepção de dados).

E pensar que novidade em outras regiões do país é internet pela tomada de eletricidade! Mas, sem reclamar, estou MUITO satisfeito!
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6 de janeiro de 2009



Legal essa foto que o Tadeu tirou, eu aproveitei e fiz o cartão do aniversario dele.
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