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7 de outubro de 2009

Cruzeiro do Sul fabrica a melhor farinha do País

Da Agência Amazônia de Notícias

TER, 06 DE OUTUBRO DE 2009 08:44

Mas a comercialização não compensa o esforço dos pequenos produtores, lamenta o prefeito

MONTEZUMA CRUZ
montezuma@agenciaamazonia.com.br

CRUZEIRO DO SUL, AC – Alto-falantes das lojas anunciam as ofertas na manhã de sábado nesta movimentada cidade do extremo-oeste brasileiro. "Venha participar do arraial de ofertas da Cruzeirense. Temos os melhores planos para você", ouve-se num deles. São 8h e o comércio está com todas as portas abertas, apresentando promoções numa mistura de sotaques de locutores nativos e de sulistas.

serieac070809bNa segunda cidade mais importante do Acre, onde se fabrica a melhor farinha de mandioca do Brasil, a goma custa R$ 5 o litro, farinha é vendida a R$ 65 a saca de 50 quilos, beiju e tapioca a R$ 1 e R$ 2 a unidade, em tamanho pequeno e grande; e a farinha de coco a R$ 120. Cruzeiro do Sul é chamada de "meca da farinha", um reconhecimento manifestado por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no estado e de Cruz das Almas (BA).

A farinha vendida nos cinco mercados municipais de Cruzeiro vem das colônias pelos ramais (vicinais) de chão batido, acomodada no chão das camionetes paus-de-arara ou em carros particulares e pequenas embarcações. Alcança, por rodovias e embarcações fluviais, os estados de Rondônia, Mato Grosso e Amazonas.

Torrada duas vezes

Cruzeiro do Sul fica no Vale do Juruá, a cerca de 700 quilômetros de Rio Branco, é a porção nordestina mais expressiva do Acre. Aqui, seus pequenos fabricantes utilizam a matéria-prima com um jeito especial. "A farinha de coco é torrada duas vezes e demora mais" explica dona Maria Gomes de Oliveira, 60 anos, mãe de 12 filhos "todos vivos", quase todos farinheiros. Ela tem banca no Mercado Samambaia e recebe o produto da Colônia Belo Jardim, na saída para o município de Rodrigues Alves.

"Em média, cada produtor fabrica três a quatro sacas por dia. Tem qualidade muito boa, tanto que sempre vendem outras farinhas por aí, como se fosse a nossa", explica Cleomildo Cunha, 53, encarregado da administração dos mercados.

Pesquisa Mensal da Cesta Básica divulgada no mês passado pelo Governo do Acre indicou redução de 24,2% no custo dos alimentos no índice acumulado de julho e agosto em Cruzeiro do Sul. Na comparação com julho, o gasto com a cesta básica caiu 15,92% em agosto, confirmando o impacto positivo da reabertura da rodovia BR-364.

serieac070809Secretário de agricultura
quer diversificar produção

CRUZEIRO DO SUL – Mesmo com incentivos oficiais e a breve construção da extensão do Núcleo de Tecnologia da Mandioca pela Embrapa, o prefeito Vagner Sales reuniu-se com gerentes do Ibama e do Instituto Chico Mendes, para buscar alternativas agrícolas. Não significa um cansaço da farinha, mas a oportunidade para se abrir nova frente de comercialização, ele admite. O prefeito também quer incentivar o plantio de açaí e cupuaçu.

Com sede em Rio Branco, o núcleo é um projeto viabilizado por uma emenda parlamentar individual de R$ 5,8 milhões do deputado Fernando Melo (PT-AC). Suas atividades consistirão na promoção de treinamento, uso e manutenção de microtratores e trituradora de capoeira, e transferência de tecnologia aos pequenos agricultores do Juruá. "Proponho o aproveitamento múltiplo da raiz e principalmente da parte aérea da planta, que rende manipueira (líquido leitoso da mandioca), mas há anos é desperdiçada nesta região e também no Vale do Purus", explica o deputado.

Baixa cotação

Numa das reuniões para ouvir os agricultores, o secretário municipal de Agricultura Erni Dombroswski avaliou com 370 famílias da Reserva Extrativista do Rio Liberdade, a possibilidade de escoamento da safra com transporte custeado pelo município. Moradores das localidades de Uruburetana, Carlota de Baixo, Carlota de Cima e Tatajuba já se beneficiam disso. Eles mandam para o porto de Cruzeiro toda a produção agrícola num barco com capacidade para 12 toneladas, alugado pela prefeitura.

Prefeito e secretário perceberam que os pequenos produtores passam um ano e meio cultivando mandioca para as casas de farinha, mas só obtêm R$ 30 pela saca de 50 Kg. "Enquanto isso, em apenas quatro meses o agricultor vende uma saca de arroz por esse mesmo valor, ou seja, ganham pelo menos quatro vezes mais que o negócio com a farinha", salienta.

Outro fator para a diversificação é a falta de milho na região. Segundo o secretário, a produção desse grão se dá num ciclo de apenas três meses. Atualmente, avicultores do município compram fora do estado, pagando fretes caros. "No máximo em quatro meses, os agricultores do Rio Liberdade podem plantar, colher e vender uma saca de 50kg por R$ 30,00, com um lucro superior ao obtido com a farinha", acrescenta. (M.C.)

2 comentários:

Montezuma disse...

Legal, grande gaúcho, gente que viajou tanto e tão amazônida ficou. Acredito que o Acre lhe adotou, porque você valorizou suas coisas e, sobretudo, sua gente. Grato por compartilhar da minha alegria em conhecer e degustar tão boa farinha.

Anônimo disse...

tem como vc me passar algum contato de alguma fabrica de farinha pos tenho empacotadora, meu nome e Hugo farael, meu e-mail;hugofarael@hotmail.com (65)9644-7944 vivo. obrigado

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