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13 de julho de 2008

Mapinguari, Em busca do...



Meu interesse pela criptozoologia acreana está começando a amadurecer. Na verdade, tenho aquele interesse de curioso, e por isso me chegam diversas informações, de todos os lados, de diversos senhores que circulam pelas matas, ribeirinhos, agricultores, ex-seringueiros. Informações que relatam as marcas, o rastro, os sinais da passagem de um grande animal, um animal realmente fantástico, de proporções gigantescas, que alguns relatos insistem em afirmar que trata-se de um cavalo selvagem, ou mesmo, com certeza, trata-se do Mapinguari.

O Mapinguari é o ser feérico da selva Amazônica. Seringueiros e indígenas que garantem tê-lo visto falam de um grande macaco com boca na barriga e que emite um cheiro insuportável. Dizem também que a boca do Mapinguari é algo descomunal; tão grande que não termina no queixo, como a dos homens, mas na barriga. A pele dessa figura mitológica é descrita como parecida ao couro dos jacarés e ele tem nas costas uma espécie de armadura que se parece com um casco de tartaruga. Também é conhecido pelos nomes de mão de pilão, pé de garrafa e juma.

Muitos acreditam que o ser Mapinguari, nada mais é que um velho pajé que, por ter descoberto o segredo da imortalidade, ou por uma maldição, ficou condenado a viver sob a forma de Mapinguari para toda a eternidade, vagando a esmo pelas selvas. Muitas culturas tradicionais apóiam esta versão.

Relatos e histórias sobre Mapinguaris podem ser encontradas em toda a Amazônia. Este ser lendário aparece nos lugares mais longínquos aonde quase ninguém vai. As histórias são a de um seringueiro abrindo um varadouro mata à dentro, por uma área onde ninguém andou antes. Eles o descrevem como um animal que deixa rastros redondos, é cabeludo, fede muito e quem já o viu uma vez não quer ver de novo. Os relatos de encontros são muito semelhantes, independente da região amazônica, Acre ou Amapá, que estes procedem.

O Biólogo Norte-americano David Oren, que pesquisa há anos os relatos lendários na Amazônia, está convencido de que o Mapinguari é uma preguiça terrestre. Hoje em dia só são conhecidas as preguiças que vivem em árvores, que são de médio porte e pesam no máximo 5 quilos. Mas até aproximadamente 10 mil anos atrás existiam 8 tipos de preguiças que andavam só no chão, aqui na Amazônia. Inclusive tinha um tipo de preguiça maior que um elefante. A UFAC em Rio Branco e minha colega Profa. Karen, juntamente ao Prof. Alceu Ranzi, tem recolhido diversos fósseis destas preguiças, por todo o Vale do Juruá e outras regiões do Acre. Mas estas preguiças gigantes estão extintas, e os rastros e os encontros no Acre continuam aparecendo..o que explica isso então?

Os rastros que estão sendo relatados, ano a ano exatamente nesta época de início de verão aqui, e que pacientemente venho colecionando, são de uma trilha com muita destruição da vegetação, associado a um pixé intenso, diferente de qualquer outro. Muitos troncos de árvores tem sua casca arranhada, a uma altura de dois metros, diferente das marcas que as onças deixam. Palmeiras de subbosque e palmeiras jovens tem seus brotos internos arrancados e restos destes aparecem macerados no chão. Cipós aparecem cortados e arrebentados a uma altura de 1,70 a dois metros do chão. Galhos de arbustos e arvoretas, sempre quebrados na mesma altura, entre 1,70 e dois metros do chão. Todos os relatos são muito semelhantes.

Seriam rastros de uma preguiça gigante extinta? Ou de um velho pajé que, amaldiçoado, perambula pelas matas demonstrando sua aptidão vegetariana?

Eu, baseado nas conversas que tive com os mateiros meus amigos, analisando aspectos das trilhas e mesmo fotos que eles tiraram, já tenho quase certeza do que é. Programei uma expedição para observar estes vestígios, e na volta, direi o que, na verdade é, o MAPINGUARI ACREANO.
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MAPINGUARY
Versos do poeta-seringueiro acreano
Amâncio Leite, extraídos de “Os cantares
Seringueiros”, edição de 1930.


Certo seringueiro, um dia
Chegou correndo da estrada
Na qual, há tempos não ia,
Não trouxe leite que desse
Para melar a bacia!

Chegou cedo, muito cedo;
Antes da hora marcada,
Seu companheiro ainda andava
Lá pela volta da estrada.
Fez assim, só porque dera
Uma carreira danada!

O triste vinha afrontado,
Verde-amarelo e sem fala!
Saltando dentro de casa
Deitou-se em meio da sala.
Seu rifle de doze tiros
Não trazia uma só bala!

Que teria acontecido
Com aquele pobre rapaz!
Se teria ele esbarrado
Com o velho satanás?
Talvez, depois saberemos
Quando chegar Zé Thomaz.

Zé Thomaz- o companheiro
Chegou, depois de uma hora.
Quando o viu, gritou de longe:
- “Que foi ‘seringueiro espora?!’
Teria você ‘encontrado’
Mapinguary ou caipora?”

“-Encontrei mapinguary:
(Respondeu-lhe João Tomé)
Me ‘atrepei’ numa ‘pupunha’
Com as alpargatas no pé...”
“-Então me conte ‘direito’
como esse danado é!”

“-Ele é maior que um boi
Daqueles do rio da Prata...
Chega ‘estremecia’a mata...
Fez-me ‘atrepa’na ‘pupunha’
Calçando as alpargatas!”

“-Mas rapaz... será ‘possível’
Que não deste ‘ao menos’ um tiro?...”
“-Ora, eu não dei... dei só doze!
Mas, de que mais me admiro
É ‘que ele’ fez tanta conta
Que não mudou nem de giro!”

“-Mas onde foi que encontraste
Tamanha ‘fera’ de fama?...”
“-Foi no ‘cabeço’ da volta
Junto à madeira da ‘cama’
Cá mais atrás, eu vi, ‘fresco’
O rasto dele na lama...”



“-Esse bicho é cabeludo
E todo cheio de escama?”
“-Eu lá pude ‘reparar’
Pra esse ‘filho de mulher-dama’?
Que além de ser muito feio
É todo cheio de trama!...”

“-E o resto dele, como é?
Se parece com o de burro?”
“-Parece, mas é maior!
E se tu lhe visse o ‘esturro’!...
Eu penso que aquele... figa,
Mata as ‘onça’só de murro.”

“-Que vê, ‘vamo’quinta-feira
Que é dia que ninguém corta...
Hoje é segunda e é das ‘arma’
(Santo pra quem tem mãe morta)
Tu vai só vê o ‘esfolado’
Na baixa da ‘ponte-torta’...”

“-Eu tava ‘cuiendo’ o leite
Da madeira do ‘cabeço’
Quando vi um grito longo
‘Como’ outro não conheço!
Me deu um tremor nas perna
Que quase a terra eu não desço...”

“-Mas, afinal desci sempre
Me assustando de Cupim!
Rifle com bala na agulha
Mão no cabo do ‘ispadim’.
Quando eu cheguei debaixo
Ele gritou mesmo assim
Desta vez foi ‘redobrado’
Gargalejando no fim!”

“-Eu armei o ‘pau-furado’
Me encostei na ‘seringueira’
Quando o monstro ‘pretejou’
Eu pensei que era um bandeira...
Baixei a bala pra cima...
Mas qual José. Foi ‘besteira’!”

“-Enquanto o cão coça o olho
Dei dez tiros no danado...
Mas ele, nem ‘mode’ coisa!
Nem ficou ‘arrepiado’
Continuou avançando
No meu rumo, me provando
Que tinha o ‘corpo-fechado’.”

“-Aí dei-lhe mais dois tiros.
Pronto! O rifle virou pau...
Meus cabelos espencaram
As pernas virou mingau...
Meti a mão na poltrona,
Nem uma bala, sinhá dona,
Danou-se seu ‘Nicolau’.”

“-Aí, eu vi ‘que morria...’
- A coisa tava amarela! –
Na ‘madeira’ eu não subia
Pois é de sete tigelas
Chorei de ser seringueiro...
‘Cacei’os dois ‘companheiros’
Já tavam no ‘pé-da-goela’!”

“-Me pus de trás da ‘madeira’
Me deitei rés com o chão.
‘Me peguei’ com São Francisco
De todo o meu coração...
(Mas, o lá do Canindé!)
Nisto, o bicho pois-se em pé
Olha lá o estirão!...
Tanto é alto ‘como’ é grosso
O renegado ‘Mapim’
Eu me pegava com os santos
Não da ‘fé’ ele de mim!
Oh! Que aperto... que agonia...
Meu...- aquele- não cabia
Nem um talo de capim...!”

“-Ele ‘arreganhou’ as unhas
E me arranhou a ‘madeira’!
Nisto, eu me ergui e corri
Pro pé da ‘Tucumanzera’;
Nesta, - ‘calcule você’ –
Subi mais depressa que
‘Largatixa’ em cajazeira!”

“-Ele só fez ‘espiar’!
Mas nem ligou-me ‘importância...’
Se não fosse o São Francisco,
-Adeus ‘história’ adeus dança! –
Quem diabo a coisa contava?...
Porque nesta hora eu tava
No ‘porão’ daquela pança!...”
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7 de julho de 2008

Rio Amazonas - Maior do Mundo - Mesmo!!!




Por Fábio Castro - Agência FAPESP

Os livros de geografia precisam ser alterados. Maior rio do mundo em volume de água, o Amazonas agora pode ser considerado também o maior em extensão, com 140 quilômetros a mais que o rio Nilo, na África.

Novas medições realizadas por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que o Amazonas tem 6.992 quilômetros de extensão desde sua nascente no sul do Peru até sua foz, no Pará. O Nilo tem 6.852 quilômetros desde a nascente, no Burundi, até o delta no Egito. Ou seja, 140 quilômetros – ou meros 2% – a menos.

A metodologia utilizada no trabalho, coordenado por Paulo Roberto Martini, da Divisão de Sensoriamento Remoto do Inpe, combinou imagens de duas fontes diferentes para medir o rio Amazonas: foram empregados mosaicos Geocover – gerados a partir de dados do satélite Landsat 5 – e imagens do Modis, um sensor de grande campo instalado em duas plataformas da Nasa, a agência espacial norte-americana.

Segundo Martini, a combinação das duas fontes serviu para garantir a precisão das medidas. O Modis tem resolução espacial de 250 metros de pixel, isto é, “enxerga” grandes quadrados de mil quilômetros de lado. Os mosaicos Geocover têm resolução de 25 metros de pixel, cobrindo áreas de 180 x 180 quilômetros. A combinação associou a alta resolução à grande abrangência.

“Utilizamos as imagens de alta resolução do Geocover para calibrar as de baixa resolução. Com isso, a imagem do Modis teve precisão cartográfica equivalente à de uma resolução dez vezes menor. A diferença entre as medidas ficou abaixo de um pixel do sensor Modis: um erro de apenas 250 metros em quase 7 mil quilômetros”, disse Martini à Agência FAPESP.

De acordo com o pesquisador, a mesma metodologia também foi utilizada para medir o Nilo e pode ser aplicada para qualquer grande rio do planeta coberto por imagens Modis, o sensor instalado em dois satélites da Nasa, que emite imagens diárias.

“O Inpe instalou uma estação em Cuiabá, que cobre toda a região do rio Amazonas, recebendo um link direto das imagens do Modis e disponibilizando-as abertamente na internet. No caso do Nilo não foi tão simples, porque cada parte do rio é coberta por uma estação diferente”, explicou.

Segundo Martini, a interpretação dos dados foi feita diretamente sobre a imagem na tela do Spring, um software de geoprocessamento desenvolvido no Inpe. “Embora a Nasa disponibilize as imagens abertamente, para utilizá-las a fim de medir os rios é preciso ter um bom background de sensoriamento remoto e cartografia. Desde 1990 o Inpe estuda o rio Amazonas por meio de tecnologias derivadas do Programa Espacial Brasileiro”, afirmou.


Nascente peruana

De acordo com Martini, a diferença da extensão do rio Amazonas em relação ao que foi registrado anteriormente não se deve apenas à metodologia empregada, mas também a um fator conceitual.

“Há duas maneiras de medir um rio. Uma delas é buscar uma hierarquia, seguindo o tributário [afluente] que tem maior fluxo d’água. Por esse critério, o Amazonas já era o maior. A outra maneira é medir as vertentes mais distantes de onde a água está fluindo, ainda que tenham menos água. Por esse critério, só agora descobrimos que o rio é o mais longo”, apontou.

Segundo o pesquisador do Inpe, as vertentes mais distantes do rio, onde se iniciaram as medidas, só foram cientificamente definidas na expedição às nascentes organizada pela produtora RW Cine, em junho de 2007, que reuniu pesquisadores do Instituto Geográfico Militar do Peru, da Agência Nacional de Águas (ANA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do próprio Inpe.

“O registro cartográfico e ecológico dessa expedição teve um suporte importante das imagens da câmera CCD do satélite sino-brasileiro CBERS e da plataforma Google Earth. Os dados foram integrados pelo representante do Inpe na expedição, o pesquisador Oton Barros”, disse.

A equipe da expedição comprovou cientificamente que o ramo nascente do rio Amazonas é o rio Apurimac, no altiplano da cordilheira ocidental dos Andes, descendo pela cordilheira oriental e formando o rio Ucayalli, na planície peruana. Já o Nilo começa no Burundi, antes de chegar ao lago Vitória, entre Uganda, Quênia e Tanzânia.

Mais informações: www.inpe.br
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