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30 de junho de 2008

Jogo da Onça - aprenda a jogar


Este jogo é tradicional lá nas bandas do Vale do Acre. Aprendi quando visitava o Projeto de Assentamento Agro-extrativista (PAE) Chico Mendes, lá no Seringal Cachoeira, mesmo local onde Chico Mendes nasceu e viveu a sua juventude.

O jogo da onça é tipo um resta um. São quatorze cachorros e uma onça. As peças podem ser de tampa de garrafa ou coisas do gênero. Joga-se sobre o tabuleiro acima. A tarefa dos cachorros é comer a onça, e fazem isso encurralando ela em um canto. Já a onça come os cachorros pulando por cima deles. Quem inicia o jogo é sempre a onça. O triângulo à direita é a toca da onça, e aonde os cachorros devem empurrar a onça para encurralar ela.

Lá a tradição é que quem é onça, é sempre onça, e quem é cachorro, sempre cachorro.

Bom divertimento!
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26 de junho de 2008

Dos Cadernos de Campo II

PLANÍCIE COSTEIRA, Rio Grande do Sul

28 de fevereiro de 1998

[Cerca de dois anos antes, conheci o Seu Zé Lucas, morador da região de Bojuru, na Planície costeira do Rio Grande do Sul, próximo à conhecida estrada do inferno (BR 101). Durante alguns anos, visitei o Seu Zé Lucas e uma amizade muito legal se estabeleceu. Nascemos no mesmo dia do ano, 29 de fevereiro, ele tinha na época, seus setenta e poucos anos, embora aparentasse menos. O Aniversário do Seu Zé Lucas era, e acredito que ainda é, um grande acontecimento na região.]

Chegamos em Bojuru para visitar o Seu Zé Lucas. Na oportunidade estávamos em cinco: o Luciano Cachorro, o Lú Kabelo, a Dani, a Laís e Eu. Quando chegamos na propriedade do Seu Zé Lucas, bem no dia dos nossos aniversários, a comemoração estava armada. Ao lado da sua casa, uma imensa figueira Ficus organensis, fazia sombra para uma trupe de gaiteiros e violeiros, uma imensa churrasqueira crepitando e exalando aquele verdadeiro cheiro do churrasco campeiro, e meia dúzia de pares de prendas e peões, rodopiando ao som do melhor vanerão ao vivo que eu já havia ouvido, levantava uma poeira fina do chão, fazendo com que todos nós sentíssemos aquele como sendo um momento único, mágico, que parecia ter saído das histórias de gaúcho que nosso pais contavam quando éramos crianças.

Ficamos alí por mais dois dias, curtindo. Depois disso continuamos a jornada, rumo a um lugar mítico, esquecido, escondido, inóspito: O Farol Caído. Era a segunda vez que eu e o cachorro estávamos indo lá. Na primeira, contamos com as dicas do próprio Seu Zé Lucas: "O que se enxerga, se alcança..."; "Devagar se chega ao longe...". Na primeira entramos em um portal do tempo e voltamos um dia no tempo, quando comemoramos a virada do ano um dia antes dos nosso conterrâneos, absolutamente convencidos que estávamos certo (-inclusive passamos aquele ano avançados um dia em relação às outras pessoas).

Após uma exaustiva caminhada de uma tarde, alcançamos as paragens do Farol Caído, antigo farol de pedra, a beira da Laguna dos Patos, que servia como referência para os pescadores. Atualmente só são observados os escombros do farol, na ponta de uma península de restingas muito bem conservadas, com diversas figueiras de grande tamanho. Um lugar mesmo muito lindo e poderoso (um dos locais que figuram na minha Lista dos Lugares de Poder). Encontramos alguns pescadores que nos forneceram Tainhas frescas e deliciosas. Sal? Não era problema, pois a Laguna dos Patos nesta época é salobra, basta então molhar um pouco o peixe na água. O problema é que não sabíamos disso, e creditamos toda nossa necessidade de água doce à possibilidade de chegar lá e obter diretamente esta água da laguna. Triste decepção. Não perecemos desidratados por pouco, pois havia muitas frutas maduras, araçás, tarumãs.

Seguindo ao Sul, fomos até São José do Norte, próximo a Rio Grande e depois subi até Cristal, onde procurava o Rodrigo Cambará, mas dele só vi vestígio, marcas das botas e local de acampamento.
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Dos Cadernos de Campo I

EXPEDIÇÃO LIMITE SUL, Rio Grande do Sul

[expedição para encontrar o limite sul de distribuição dos primatas não humanos. Leandro Jerusalinsky, Rodrigo Cambará e Eu]

26 de dezembro de 1998

Na ponte Ricardo, no Rio Piratini, conhecemos o Seu Valdinei, que nos comunicou a não existência por ali do bugio-ruivo (Alouatta guariba). Ele criou-se em Piratini, nas nascentes do Rio de mesmo nome. Lá também não tem, conforme relato do mesmo senhor.

27 de dezembro de 1998

Em Cristal, nas beiradas do Rio Camaquã, conhecemos o Seu Zeno. Na conversa com ele tivemos o primeiro relato confiável da existência do bugio-ruivo (Alouatta guariba). Segundo ele, os bugios habitam o Monte Serrat, localizado junto ao Rio Camaquã.

Aprofundando a conversa, ficamos sabendo das terras do Seu Zelomar. E, sem muitas delongas, nos dirigimos para lá em uma segunda-feira bastante chuvosa. Depois de um rápido reconhecimento no local, confirmamos, através do relato do Seu Zelomar, a existência de bugios nas suas terras. SIM ! Tem bugio, segundo o relato dele. Vimos também, pegada de gato-do-mato, paca, cutia, veado e mão-pelada. Preparamos um acampamento para conhecer melhor a área e realizar o levantamento botânico.
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Série: Dos Cadernos de Campo

Ontem, mexendo nos meus cadernos de anotações de campo, separei uma dúzia de histórias que aos poucos estarei publicando aqui. São histórias da minha vida como estudante de biologia e como biólogo recém-formado.

Queria que este fosse um estímulo para que os meus alunos mantenham seus cadernos de campo. Criem o hábito de estarem sempre com um, anotando as coisas, mesmo que não tenham certeza se servirá pro futuro (lógico que serve..)

Também, queria assim, prestigiar meus queridos amigos distantes, que, ao lerem os relatos, relembrem comigo, com o coração, os excelentes momentos que passamos juntos nas mais diversas aventuras.
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Nosso horário, nosso tempo (ainda sobre o fuso)

A VIDA E O TEMPO
__________________

Mário Quintana

O tempo é indivisível, sabes?
Qual o sentido do Calendário?
Tombam as folhas e fica a árvore
Contra o vento incerto e vário

A vida é indivisível. Mesmo
A que se julga mais dispersa...
E pertence a um eterno diálogo
A mais inconseqüente conversa

Todos os poemas são o mesmo poema
Todos os porres são o mesmo porre
Não é de uma vez que se morre
Todas as horas são extremas!

...e todos os encontros são adeuses...
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25 de junho de 2008

Quero minha Uma Hora de volta!!!!

Ou indenização.

Quem vai nos indenizar pela perda desta uma hora? Sim, pois quando é horário de verão nos estados que seguem o Horário de Verão, é perdida uma hora, mas depois no final do período ele é reposta. No nosso caso aqui no Acre vamos perder pra sempre esta hora.

Quero ser indenizado por isso.

Ontem pela manhã, no primeiro dia de vigência da nova lei do Fuso, sai de casa cinco da manhã (seis no horário novo), totalmente escuro, observando no meu trajeto dezenas de crianças, do ensino fundamental, indo a pé para as escolas, como faziam todos os dias, quando ainda era possível fazer de dia. Me deu uma pena muito grande, aquelas crianças indo a noite pra escola. Semana passada muitos parlamentares não foram trabalhar, estavam nas festas juninas Brasil afora, mas acredito que eles não precisem fazer um esforço destes, diariamente, acordando a noite e saindo a pé, arriscado que é com iluminação e segurança falha.

O roubo desta hora é semelhante ao que o Papa Gregório XIII fez, em 1582, ao promulgar o calendário gregoriano. Através de um decreto papal, fez sumir 10 dias do ano, para fins de acerto da contagem de dias. Ou seja, a pessoa que dormiu no dia cinco de outubro, acordou no dia 14 de outubro. Eu penso que um medida destas hoje em dia, quebraria as bolsa de valores de todo o mundo, seria um Caos mundial. Assim uma medida destas hoje em dia seria totalmente insana.

Mas o que aqueles silvículas entendem de ciclos circadianos? O que aqueles seringueiros, analfabetos (sic.), querem reclamar?
Eu sei, que se processar o Estado par ame indenizar este hora perdida, criarei um fato jurídico novo e é bem capaz de ganhar a causa.

Ao menos chamarei a atenção sobre o descaso a respeito da nossa opinião.
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23 de junho de 2008

Hoje muda o FUSO HORÁRIO !



Custei a entender. Refiz por várias vezes as contas até compreender. É uma mudança substancial na vida de todos, e por isso, acabo por concordar que a mesma mereceria uma consulta geral para saber se é necessária ou não. A quem interessa a mudança de horário?

Hoje pela manhã pude comprovar na prática a dificuldade que será a adaptação ao novo fuso, onde será diminuída a diferença da Hora Local com relação à Brasília (veja na figura). Esta diferença era de duas horas, pois agora será somente de uma. Assim vendo, parece interessante. Mas na verdade, para nós, habitantes de um local de continentalidade acentuada, que temos uma outra relação com os horários do sol, a mudança de horário trará diversos complicantes.

Acordo todos os dias as seis da manha. O sol, em poucos minutos, nasce e logo no café já se pode sentir o seu calor e luminosidade. Hoje, para efeito de mudança do fuso, está sendo uma confusão (haha, funcionou o trocadilho....). Umas escolas já adotaram o novo fuso, enquanto outros locais, como a UFAC, somente amanhã. Então, para levar meu filho à escola, tive que já acordar no novo fuso, ou seja CINCO da MATINA... ta certo, muitos vão dizer: tu não mora mais nos frios dos pagos, tchê! Não reclama e te levanta que logo já esquenta...é, mas, cinco (que será seis no novo fuso), tá escuro ainda. Sete da manhã, teoricamente (digo teoricamente pois na verdade só consigo começar as 7:15) já estou em sala de aula...ou seja, logo que o dia amanhecer.

Isso que vou de carro pra UFAC, penso nos alunos que tem que pegar o ônibus 6:20 (5:20 no horário do "sol"), para chegar na UFAC, 7 da matina. Muitas moram bem distante, e não me surpreende se tiverem que acordar 4 ou mesmo antes, no horário do "sol" (ou seria, no horário da lua..rs)

Isso que estamos no nosso verão. E no nosso inverno, os dias são mais curtos...
Já estamos nos aproximando do nosso verdadeiro passado de mamíferos, onde a maior parte era crepuscular ou noturno...hehe

e, do blog "Diário de um Acreano": "Direto do Acre, onde o futuro já começou... em junho vamos avançar uma hora, rumo ao porvir. Já estamos ansiosos em saber as próximas vontades da Globo, afinal de contas, no nosso projeto “Ninguém segura esse Acre” esperamos chegar ainda em Greenwich... o chá das 5 da Rainha vai ter tapioca e tacacá... Marrapaiz! "
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17 de junho de 2008

Óleo de murumuru levará energia elétrica à comunidade no Acre


A Eletronorte construiu uma usina de produção de óleo de murumuru numa comunidade isolada do rio Juruá, extremo oeste do estado do Acre, distante uma hora e meia de barco da cidade de Cruzeiro do Sul. O objetivo inicial é a produção de um óleo mais nobre para comercialização, e de biocombustível que vai gerar energia para a comunidade por meio de um gaseificador.

O segundo óleo extraído passará por um equipamento de craqueamento catalítico para transformar o óleo produzido em biocombustível.

Em meio às novas tecnologias para geração de energia o projeto, que já está sendo instalado na comunidade acreana, não deverá criar prejuízos. A cobrança pelo serviço nessas comunidades também é fruto da tecnologia. Desenvolvido pela Universidade Federal do Pará (UFPA), os cartões pré-pagos serão instalados nos relógios de luz das casas. Um crédito de R$ 15,00 dura, em média, três meses.

- Esse tipo de tecnologia, além de trazer mais qualidade de vida para as comunidades, também faz com que se faça economia, afirma o gerente de desenvolvimento Energético das Comunidades Isoladas da Eletronorte, Ércio Muniz Lima.

Segundo pesquisa realizada pela UFPA e pela Eletronorte, parceiras no projeto, hoje as moradores gastam em média de R$ 15,00 a R$ 60,00 por mês com querosene, lamparina e vela.

Gaseificador

Desenvolvido pelo engenheiro mecânico e professor da Universidade de Brasília na (UNB), Carlos Alberto Gurgel Veras, o gaseificador tem como objetivo ser um equipamento útil voltado para as comunidades isoladas."É de fácil construção e pode ser construído em apenas uma semana na UNB", explica.

O gaseificador é movido a qualquer tipo de biomassa (pequenos resíduos de madeira), como por exemplo a serragem, o caroço de açaí, de babaçu, de murumuru e um pouco de óleo que pode ser o produzido pela comunidade. A queima da biomassa produz um gás que alimenta o motor que gera energia elétrica.

O simples dessa tecnologia é que as duas coisas que vão ser utilizadas nessa máquina estarão disponíveis no quintal da casa, completa Gurgel.
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