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26 de junho de 2008

Dos Cadernos de Campo II

PLANÍCIE COSTEIRA, Rio Grande do Sul

28 de fevereiro de 1998

[Cerca de dois anos antes, conheci o Seu Zé Lucas, morador da região de Bojuru, na Planície costeira do Rio Grande do Sul, próximo à conhecida estrada do inferno (BR 101). Durante alguns anos, visitei o Seu Zé Lucas e uma amizade muito legal se estabeleceu. Nascemos no mesmo dia do ano, 29 de fevereiro, ele tinha na época, seus setenta e poucos anos, embora aparentasse menos. O Aniversário do Seu Zé Lucas era, e acredito que ainda é, um grande acontecimento na região.]

Chegamos em Bojuru para visitar o Seu Zé Lucas. Na oportunidade estávamos em cinco: o Luciano Cachorro, o Lú Kabelo, a Dani, a Laís e Eu. Quando chegamos na propriedade do Seu Zé Lucas, bem no dia dos nossos aniversários, a comemoração estava armada. Ao lado da sua casa, uma imensa figueira Ficus organensis, fazia sombra para uma trupe de gaiteiros e violeiros, uma imensa churrasqueira crepitando e exalando aquele verdadeiro cheiro do churrasco campeiro, e meia dúzia de pares de prendas e peões, rodopiando ao som do melhor vanerão ao vivo que eu já havia ouvido, levantava uma poeira fina do chão, fazendo com que todos nós sentíssemos aquele como sendo um momento único, mágico, que parecia ter saído das histórias de gaúcho que nosso pais contavam quando éramos crianças.

Ficamos alí por mais dois dias, curtindo. Depois disso continuamos a jornada, rumo a um lugar mítico, esquecido, escondido, inóspito: O Farol Caído. Era a segunda vez que eu e o cachorro estávamos indo lá. Na primeira, contamos com as dicas do próprio Seu Zé Lucas: "O que se enxerga, se alcança..."; "Devagar se chega ao longe...". Na primeira entramos em um portal do tempo e voltamos um dia no tempo, quando comemoramos a virada do ano um dia antes dos nosso conterrâneos, absolutamente convencidos que estávamos certo (-inclusive passamos aquele ano avançados um dia em relação às outras pessoas).

Após uma exaustiva caminhada de uma tarde, alcançamos as paragens do Farol Caído, antigo farol de pedra, a beira da Laguna dos Patos, que servia como referência para os pescadores. Atualmente só são observados os escombros do farol, na ponta de uma península de restingas muito bem conservadas, com diversas figueiras de grande tamanho. Um lugar mesmo muito lindo e poderoso (um dos locais que figuram na minha Lista dos Lugares de Poder). Encontramos alguns pescadores que nos forneceram Tainhas frescas e deliciosas. Sal? Não era problema, pois a Laguna dos Patos nesta época é salobra, basta então molhar um pouco o peixe na água. O problema é que não sabíamos disso, e creditamos toda nossa necessidade de água doce à possibilidade de chegar lá e obter diretamente esta água da laguna. Triste decepção. Não perecemos desidratados por pouco, pois havia muitas frutas maduras, araçás, tarumãs.

Seguindo ao Sul, fomos até São José do Norte, próximo a Rio Grande e depois subi até Cristal, onde procurava o Rodrigo Cambará, mas dele só vi vestígio, marcas das botas e local de acampamento.

1 comentários:

Luisa disse...

E daê Athaydes
Não tão longe quanto tu, mas também distante dos pagos, leio emocionada teu relato sobre o Bujuru...que lugarzinho especial!!
Tô curiosa pelo resultado da expedição Mapinguari.
Espero que possams nos visitar dia desses...
baita saudades
Luisa

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