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24 de maio de 2006

Cenas da UFAC CZS dos primeiros dias de aula



Abaixo a direita, nosso humilde lar, o Centro de Ciencias Biologicas e da Natureza, tambem Centro de Saude e do Desporto, tambem, gabinete dos professores, sala de reunioes, e por ai vai...situação temporária. Abaixo a esquerda, turma da Eng. Florestal posando pra foto histórica. Acima, cena de um dos corredores e ao lado, eles em aula.
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A foto do primeiro dia de aula

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Mais cenas dos primeiros tempos...


Aqui, pouco de trabalho e muito de trabalho. Acima, professores debruçados sobre as plantas do novo campus da Universidade (o Leandro olhando pra cá). Estrutura, paredes, salas, ventilação, acesso, circulação....espaços. Abaixo, mais trabalho, e descontração, mais plantas, coletas, subir o rio, Acanthaceae, floresta, campinaranas, podão, gps, cerveja, e a excelente área de lazer na AABB. Da esquerda pra direita, Marcos Silveira, colega botânico de Rio Branco, a Karen e a Marta.
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Cenas dos primeiros tempos 3



O dia mais importante destes primeiros tempos da nova Universidade: a aula inaugural. Sem dúvida a maior e mais esperada atração foi o seu Antônio de Paula, sábio da floresta (bem a esquerda). Nas fotos vemos alunos na plateia, professores nas primeiras filas, e, na foto da direita, o seu Antonio, feliz da vida, entre o Leonardo e a Claudene. Seu Antonio de Paula deu um show a parte, sendo aplaudido de pé por todos, marcando dignamente a presença dos povos da floresta na cerimônia.
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Cenas dos primeiros tempos 1




Meu amigo Fabio Kontanawa posando para foto depois de uma reunião, a esquerda comigo e na direita com meus colegas Karen e Claudene, Falberni e Rafael.
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15 de maio de 2006

De Batelão pelo Juruá

De Thaumaturgo para Cruzeiro de Sul – 28 e 29 de janeiro de 2006.

Tudo inicia calmo e calmo permanece. Afora a zoada das crianças, o movimento de arrumar as tralhas no barco são milimetrados. Quando subimos no batelão, eu e a Mariana, colega da UFAC de Rio Branco, pesquisadora há muitos anos na região, já o povo todo da família do Seu Antônio – e que são muitos – se arrumavam nos seus cantos. O barco, conhecido aqui como batelão, não tem mais do que quatro metros de largura por 12 ou 14 de comprimento. A área útil de estada não passa de 6x3 metros, mais toda a bagagem, e, no meu último censo, 17 adultos, 15 crianças – até o momento seis redes armadas – uma caturrita, um cachorro, um gato e um cabrito, na proa. O cachorro é brabo. No topo da cabine alguns galos e galinhas. Somos impulsionados por dois motores a diesel de 14hp cada, ou seja, o barco vai lento. A previsão até o momento é de chegarmos amanhã em Cruzeiro do Sul. Ainda no barco, vários quilos de banana, outros de farinha (como poderia faltar?), água de cacimba e dois peruanos. O cachorro, que é brabo, anda solto por aqui. Quando saímos pela manhã do “porto” de Marechal Thaumaturgo, pensava mesmo que seríamos acompanhados pela indesejável companhia dos catuquins, meruins e piuns, fora os carapanãs. Por sorte, não ainda, nem quando o barco parou para subirem os peruanos. O rancho cada passageiro é responsável pelo seu, como passamos o nosso para a chefe de cozinha, logo fomos incluídos no coletivo, cozido de bode (pelo menos não foi o cabrito da proa), arroz, macarrão e farinha. Banana à vontade. Acho que não conseguirei colocar minha rede, mas só a possibilidade de esticar as pernas, ficar um pouco em pé, caminhar pelo barco, já me alegra bastante nesta longa viagem, coisas que não foram possíveis quando da viagem de ida ao Alto Juruá, de canoa, sentado sempre na mesma posição. Por sorte chegaremos em Porto Walter ainda hoje, se não, dormiremos no caminho pois não há como viajar a noite pois, em virtude da cheia do Rio Juruá, estão descendo muitos troncos grandes de árvores, as vezes árvores inteiras. Ensurdecedor é o barulho dos motores, mesmo com uma portinhola que isola a popa do resto do barco. A direita desta portinhola, está a pequena cozinha, e em frente da cozinha, o minúsculo banheiro (comentário desnecessário: sorte minha ser homem nestas ocasiões). Assim seguimos Juruá abaixo. Em umas duas oportunidades o barco pára na margem, atendendo ao chamado de uma pessoa que quer se tornar passageira. Quando eu pensava que não havia mais lugar ou condições para mais alguém subir a bordo, já estava o barco parando novamente. Em um determinado momento parei a contagem de passageiros. Informações desencontradas indicam que é possível que o barco siga descendo o rio mesmo a noite. Tenho certo receio disto, acho que não conseguirei dormir. A certa altura de um entardecer que se aproxima, a senhora do Seu Antônio, Dona Maria, serve a janta, um exclusivo ensopado de bode, acompanhado de macarrão, arroz, banana e farinha à vontade. Este é o sinal que estaremos parando em breve para pernoitar. Já quando o sol vai se escondendo por trás da floresta que acompanha a margem, aproamos em um barranco, igual a todos, desconhecido para mim mas conhecido do Seu Antônio. Neste momento um impasse, já que não há condições espaciais de todos dormirem dentro do batelão. Preferimos então, por sugestão do Seu Antônio em respeito à Mariana, dormir na casa daquele que conhecemos como sendo um de seus primos. Seu Antônio foi patrão no seringal, por muitos anos, e acumulou diversas histórias reais, como ele mesmo gosta de afirmar, e explicita um grande prazer em dividi-las com todos. Prazer maior foi meu. A noite transcorreu tranqüila, finalmente em terra depois de horas embarcado. Foi marcada a saída para 5:00 da manhã, e na hora marcada estávamos lá. Minha ansiedade em chegar em casa era grande. Mas na verdade ainda demorou pelo menos uma hora até a saída ser possível. A previsão do nosso timoneiro é que estejamos chegando em CZS perto do meio dia. Mas a cada hora descendo o rio, mais esta previsão se flexibiliza. Esta segunda etapa da viagem não teve maiores novidades diferentes da primeira etapa. O barulho do motor continuou forte, algumas crianças chorando, o cachorro de vez em quando avançava em alguém, e no almoço, bode. Banana à vontade. Quanto mais nos aproximamos de CZS, mais parece que está demorando a viagem. Dai deste ponto, enjoei, comecei a passar mal e tiver que deitar no fundo do barco, perdendo o espetáculo dos botos na água, percebido por mim através dos grito das crianças. Passamos o Rio Môa, Cruzeiro já se aproxima, agora é questão de uma hora estaremos lá. Depois daquilo que era enjôo virar uma tremenda dor de cabeça, pude levantar e finalmente avistamos CZS. A cidade, com a luz do poente que já se pronunciava, fica muito bonita vista do rio. Sem dúvida uma imagem magnífica, que ficará para sempre gravada na minha memória.
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12 de maio de 2006

Conexion Cruzeiro do Sul - Nova York

De Athaydes
CZS

Para Pedron
NY


Ola Pedron!

Muito bom saber noticias dai. Saber como você esta lidando com todo este imperialismo opressor. Mas afinal de contas, o Tio Sam só consegue nos usurpar quando se é pré disponível. Nem entendo como, mas de alguma forma, o consumismo, a fobia anti-oriente médio, e etc, não são por assim dizer, heranças genéticas, de repente ou quase certamente são construções sociais, diabolicamente bem elaboradas e/ou induzidas. E isto é pra sempre? Que será agora da natural adulação que todo norte-americano tem por seu presidente (e por querer ser presidente – será que não é dai a origem de alguns desvios de conduta? Um garoto se descobre sem vocação nenhuma para ser presidente enquanto é pressionado por todos os lados a acreditar que é essa a resposta correta para “o que você vai ser quando crescer?” – Tiros em Columbine... Sei lá). Agora com o UncleBeastBush com só 30% de aprovação e caindo, será que uma outra mentalidade critica está se construindo?...sei la, espero que sim. Não sou exatamente a pessoa que cultiva esperanças na salvação do povo norte-americano, mas basta, acho, conhecer o Texas ou outro destes estados mais caretinhas para perde-las todas...hehe.
Nueva Iorque deve ser uma Babel, la nueva babel, o teu relato me lembrou um filme que vi recentemente com a Shau, - Um Filme Falado, muito lindo. Num dado momento estão em uma mesa de jantar uma grega, uma francesa, uma italiana e um norte-americano, todos conversando perfeitamente bem em seus idiomas locais, e se entendendo. Chega uma professora de história, portuguesa, e ninguém consegue entender o que ela fala em português (!), então, como uma boa língua universal, o inglês passa a ser a língua oficial do jantar. Como capital do mundo, puxa, só como isso já deve ser um barato conhecer la nueva; aquilo que tu contou de tocar um pandeiro na rua e parar gente para olhar...se pode fazer qualquer coisa que sempre terá alguém para assistir, ou pelo contrario, sempre se pode assistir algo que alguém quer mostrar. Entendo que a chance desta ultima possibilidade ser produtiva é remota, ou não, haja visto a quantidade e a diversidade de coisas para assistir, coisas a fazer. Será que é fácil sempre encontrar algo bom para assistir, para fazer?...assim, sair na rua e isto ser fácil...sem precisar mergulhar durante uma hora dentro de um Newspaper perscrutando a seção cultural. Se você viajou de Varig um trecho da viagem pôde ver na Ícaro uma matéria sobre os segredos da BigApple. Me chamou atenção a tal galeria onde as gangues (do gangues de Nova York, do Scorsese) freqüentavam, e hoje tem umas lojas estranhas lá como essa Tin Sun Metaphysics (!) – 5 Doyers Street. Ou a livraria de mistério e crime na 2468 Broadway – Murder Ink. Legal deve ser o predinho de tijolos que foi preservado na Lexington Avenue, esquina com a 60th no meio de um gigantesco edifício, porque uma velhinha se recusou a vendê-lo, e os projetistas construíram o edifício por cima...diz que ela ainda mora ali, no segundo andar. Legal mesmo deve ser a tal da Whispering Gallery, na Grand Central Station, que tem umas abóbadas mágicas: falando em um canto a outra pessoa ouve nitidamente em outro canto.
A vida aqui em CZS não tem tantos destes segredinhos e surpresas, mas por outro lado é uma babel também. Uma reunião interessante de povos de várias etnias, quase sempre irreconhecíveis para mim, e ainda de outros povos herança de colonizadores de outros tempos. CZS é mesmo a capital do Alto Juruá. Todo início do mês a cidade se transforma, vem gente de tudo o que parte da região para cima e pra baixo do rio, o hospital, o mercado, as ruas, ficam cheias. Dá pra sentir nos comerciantes, uma certa excitação e ao mesmo tempo, uma impaciência muito grande. Impaciência que beira a grosseria. Isto é uma das coisas que tem me indignado mais por aqui, a falta de educação dos comerciantes. Tive que voltar um pouco no tempo para buscar a explicação lá no seringal...a maioria destes comerciantes atuais ai eram Patrões no seringal, e mantiveram a clássica relação de superioridade e dominação que os caracterizou nos tempos da borracha, tratando qualquer um que chega como sendo um humilde seringueiro. O pior é que os funcionários influenciados pecam pelo mesmo caminho.
Agora neste tempinho que passei em POA matei um pouco da saudade cultivada pelas mesas da Lima e Silva e Cidade Baixa. Certamente a boemia faz parte da minha vida, e isso garanto, não é culpa minha, é genético. Mas a boemia solitária ela é um pouco prejudicial, pois pode-se entender como alcoolismo ou algo do gênero. Então estou mantendo uma certa abstinência, causada em parte por falta de parceria e em parte pela péssima qualidade da cerveja que chega por aqui.
Projetos de campo estão se armando, e logo terei bastante tempo de mato para contar. Por enquanto, so tenho as histórias da viagem que fiz para a RESEX do Alto Juruá, que valeram por meses de floresta. Acredito que sempre é assim, por menor o tempo vivido, muito maior é o tempo de vivência na floresta. Quero logo estar voltando por lá, quem sabe não subimos juntos uma hora?

Cara vou ficando por aqui, encerrando, por enquanto esta conexão La nueva com o extremo ocidente brasileiro. Fique em paz.
Um abraçao forte!!
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Esta é a equipe que subiu o Jurua ate a RESEX Alto Jurua. Estamos ali quase no meio do caminho. Com essa foto inicio a transcricao do meu diario com os meus relatos sobre a viagem.
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5 de maio de 2006

Uma pequena licença e de volta ao serviço...

Ja faziam cinco meses que eu nao deixava Cruzeiro do Sul. O máximo que fui, e foi bem máximo pois foram 4 dias de barco subindo o Juruá, foi conhecer a RESEX do Alto Juruá, iniciando um projeto de pesquisa por lá. Agora, por motivos de saúde, perfeitamente resolvidos (estou voltando com saúde, mesmo) fui a Porto Alegre, cheirar o ar da cidade, observar a luz quebrando nas esquinas no por-do-sol e degustar aquilo que a noite tem de melhor por ali...mesa de bar (obviamente depois de estar devidamente autorizado pelo médico). passei uns dias gostosos, na compania das pessoas que amo e recebendo muito carinho recuperador de energias. Quando se passa tempo longe assim da nossa terra natal algumas coisas começam a acontecer. Acredito que uma viagem destas, pelo menos nestes primeiros tempos de morada aqui no Acre, seja oportunidade de recarregar baterias, tambem de recuperar grande parte da força perdida por ocasião de ter ficado doente, enfim, chegar com outra disposição pra encarar outra viagem ao alto juruá, ou ao Croa, ou ao Breu...afinal as aulas estao aí, os projetos pipocando serem escritos, muita atividade na minha cabeça. Além disso aproveitei minha estadinha em POA para acessar a biblioteca da PUC e seus periodicos. Nada em vão! Bom, agora, a classica reclamação contra a unica empresa aérea que faz voos para CZS, a Rico. Estou neste momento aguardando o embarque aqui no Aeroporto de Rio Branco, desde as 10 da manha. Pior que isso, como o voo de Brasilia chega de madrugada aqui, achei por bem esperar, um pouquinho até as 10 da manha...triste decisão..continuo esperando este pouquinho, sem ter dormido, até o avião resolver sair de Porto Velho, vir pra cá, e daqui para CZS, e isto que ja são cinco da tarde. O isolamento quando não mata, irrita.
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Uma imagem do Google Earth mostrando aqui, Cruzeiro do Sul.
O rio que aparece é o Rio Jurua, o das curvas intermináveis.
Uma cidade pequena, mas bem interessante, com muitos "banhos" proximos.
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