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24 de novembro de 2006

Um ano no meio da Floresta

No dia 12 completo uma ano morando em Cruzeiro do Sul, Acre. Minha avaliação deste tempo vivido aqui é bem positiva, já que boas perspectivas vieram pra ficar. A todo instante minha rotina muda, ou seja, mesmo achando que eu tenho uma rotina, não tenho rotina, e isso é o melhor sendo eu de peixes como sou. É gostoso sentir uma cidade que tem um “q” de cidade bem pequena, mais que isso, uma cidade que é tranqüila por natureza, alegre, que a despeito de todo isolamento que sofre, ainda consegue te surpreender a todo instante. Mais do que a cidade, a confluência de diversidades aqui escancarada é a principal instigadora de novas descobertas, de aventuras, de desafios. E, desafio é coisa que não falta. Me descobri um sujeito caçador de desafios, que não esmorece frente às adversidades ou percalços do caminho. Muito antes pelo contrário, são as dificuldades combustível propulsor da minha gana em me desenvolver e me firmar neste lugar. São as dificuldades, inerentes ao trabalho de alavancar uma Universidade, que estão me movendo, fortalecendo meu espírito e meu caráter. O fato da constante busca de aperfeiçoamento pessoal, não teria o mesmo gosto, para mim, se o processo fosse mais simples ou mais direto. Tudo aqui é difícil, penoso, mas as vitórias vêm laureadas de um brilho diferente, especial, único, que resplandece na medida deste comprometimento sincero que optei em ter quando cheguei aqui. Vesti, portanto, a camisa do ideal da Universidade da Floresta. Me sinto comprometido com os ideais mais íntimos da população nativa. Almejo meus objetivos pessoais e, finalmente, consigo ver um caminho em comum, entre os interesses das comunidades tradicionais e os meus interesses científicos, no sentido de deixar minha contribuição mais sensível, mais honesta, mais real, nesta minha passagem aqui na terra. Enfim, observo os dias que passei aqui no último ano e vejo que não desperdicei nenhum. Vejo que por mais que eu tenha me sentido pouco preparado, nunca me senti incompetente ou demonstrei insegurança naquilo que estava fazendo. Tenho a tremenda certeza que percorro o caminho correto para minha realização, profissional e pessoal. Neste ano, só tenho a agradecer a todos que confiaram em mim suas esperanças, que me apoiaram para estar aqui, o povo do sul, que mesmo na ausência, ainda acredita na minha capacidade, e o sincero apoio dos colegas e pessoas daqui, que me ampararam nas dificuldades e que, como eu, acreditam em um futuro melhor para o Alto Juruá, baseado na responsabilidade ambiental e social.

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