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26 de setembro de 2006

Na Serra, por agua

Estas outras já são as fotos de nossa viagem de canoa ate o Parque Nacional da Serra do Divisor. Desta feita conferindo a área de estudo por terra, observando os meios de chegar ate a área, dificuldades e etc.
A saída começa no Porto de Mancio Lima, cidade próxima a Cruzeiro do Sul. Dali de canoa ate a base do Ibama no pe da serra perfaz um total de 1 dia e meio de canoa, subindo o Moa. Uma viagem deslumbrante, principalmente no trecho inicial, o do Japinim, rio braço do Moa. Este rio e’ bem apertado, com muitos apuis (figueiras) crescendo sobre o rio e formando imensos corredores verdes...coisa linda mesmo de se ver.
Depois de uma pernoite na beira do rio, na casa de moradores locais, o segundo o dia, já próximo a serra e as cabeceiras, o rio vai ficando mais raso (principalmente em função de estarmos no verão), e por varias vezes descemos da canoa para empurrar e desatolar. Ainda outras vezes a canoa da uns pinotes ao passar por troncos submersos...pensa o susto que bate de cada vez...principalmente quando se esta dormindo..hehe. Dormir na canoa e’ algo que necessita de grande concentração, pois virar pro lado ao dormir pode significar virar a canoa. Alem do que, o sol e’ extremamente forte, e insolação e’ o maior perigo.
Já junto ao pe da serra o Moa passa por dentro de um cânion, as paredes ficam mesmo muito próximas, e o perigo ai são as pedras no leito, coisa completamente inédita pra mim em qualquer outro rio do acre que eu já havia percorrido...neste ponto varias cachoeiras caindo no rio e formadas pelo rio.
Uma inclusive foi produzida pela Petrobras, ha quarenta anos atrás, para prospecção de petróleo. O buraco (chamado Buraco da Central) resultante desta exploração produziu ao invés de petróleo, água, que jorra desde então ininterruptamente, de formas que a pressão da água e grande saindo pelo buraco, que uma pessoa ao entrar nao consegue afundar, sendo jogado sempre pra cima.
Mas a atração principal, pelo menos para nos biólogos, fica por conta da trilha que vai ate a cachoeira Formosa. São 11 km por dentro da mata, atravessando burutizais, cabeços (áreas mais altas com igarapés intercalados) e áreas de mata densa. No caminho muitos bichos, rastros e um susto...o encontro com um surucucu-pico-de-jaca...ainda bem que nos avistamos ela antes dela no avistar...pois o perigo com esta cobra extremamente peçonhenta e’ grande. O que nao faltam por aqui são relatos contando como esta cobra e’ traiçoeira, inclusive o que mais se conta e’ que ela permanece nas trilhas tocaiando os incautos que passam, para poder pica-los.
Depois de rastros de onça (beeeemm recente), anta, caititu, paca, avistagem de macacos-prego, de um cabore (corujão), gavião...e muitas outras coisas, chegamos no local de pernoite (apos cinco horas e meia de caminhada)..uma pena e’ que estava chovendo o tempo inteiro, e a cachoeira so’ pode ser visitada no outro dia.
Na madrugada fui acordado por um bando macacos-da-noite fazendo zuada bem na minha cabeça...ha, dormimos todos em redes, de acordo com o melhor estilo seringal...imaginem o medo da onça...bah.
Bom, realmente a cachoeira e’ linda, e tivemos sorte pois ela estava com bastante água. Desmontamos o acampamento, comemos um miojo saideiro e tocamos de volta...a volta foi bem mais rápida, sem chuva e fizemos um total de quatro horas de pernada com uma parada so (um dos melhores tempos desta trilha, segundo o guia)...ha, falando no guia, o Miro foi mesmo o herói da jornada, nos salvou da pico-de-jaca, carregou e montou a lona que nos manteve secos na noite, fez um fogo com a lenha ensopada e do nada montou traves embaixo da lona possíveis de montar as redes...coisa incrível que qualquer pessimista nao gostaria de ficar observando o processo.
Depois desta mega jornada, conhecemos algumas outras cachoeiras da região, como a do Ar-Condicionado e a Pirapora.
A volta descendo o rio também e’ bem mais rápida, e mais tranqüila, embora o sol nao desse trégua em nenhum momento...na janta da volta já bem fora do parque, um regalo, caititu porco do mato.

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