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12 de maio de 2006

Conexion Cruzeiro do Sul - Nova York

De Athaydes
CZS

Para Pedron
NY


Ola Pedron!

Muito bom saber noticias dai. Saber como você esta lidando com todo este imperialismo opressor. Mas afinal de contas, o Tio Sam só consegue nos usurpar quando se é pré disponível. Nem entendo como, mas de alguma forma, o consumismo, a fobia anti-oriente médio, e etc, não são por assim dizer, heranças genéticas, de repente ou quase certamente são construções sociais, diabolicamente bem elaboradas e/ou induzidas. E isto é pra sempre? Que será agora da natural adulação que todo norte-americano tem por seu presidente (e por querer ser presidente – será que não é dai a origem de alguns desvios de conduta? Um garoto se descobre sem vocação nenhuma para ser presidente enquanto é pressionado por todos os lados a acreditar que é essa a resposta correta para “o que você vai ser quando crescer?” – Tiros em Columbine... Sei lá). Agora com o UncleBeastBush com só 30% de aprovação e caindo, será que uma outra mentalidade critica está se construindo?...sei la, espero que sim. Não sou exatamente a pessoa que cultiva esperanças na salvação do povo norte-americano, mas basta, acho, conhecer o Texas ou outro destes estados mais caretinhas para perde-las todas...hehe.
Nueva Iorque deve ser uma Babel, la nueva babel, o teu relato me lembrou um filme que vi recentemente com a Shau, - Um Filme Falado, muito lindo. Num dado momento estão em uma mesa de jantar uma grega, uma francesa, uma italiana e um norte-americano, todos conversando perfeitamente bem em seus idiomas locais, e se entendendo. Chega uma professora de história, portuguesa, e ninguém consegue entender o que ela fala em português (!), então, como uma boa língua universal, o inglês passa a ser a língua oficial do jantar. Como capital do mundo, puxa, só como isso já deve ser um barato conhecer la nueva; aquilo que tu contou de tocar um pandeiro na rua e parar gente para olhar...se pode fazer qualquer coisa que sempre terá alguém para assistir, ou pelo contrario, sempre se pode assistir algo que alguém quer mostrar. Entendo que a chance desta ultima possibilidade ser produtiva é remota, ou não, haja visto a quantidade e a diversidade de coisas para assistir, coisas a fazer. Será que é fácil sempre encontrar algo bom para assistir, para fazer?...assim, sair na rua e isto ser fácil...sem precisar mergulhar durante uma hora dentro de um Newspaper perscrutando a seção cultural. Se você viajou de Varig um trecho da viagem pôde ver na Ícaro uma matéria sobre os segredos da BigApple. Me chamou atenção a tal galeria onde as gangues (do gangues de Nova York, do Scorsese) freqüentavam, e hoje tem umas lojas estranhas lá como essa Tin Sun Metaphysics (!) – 5 Doyers Street. Ou a livraria de mistério e crime na 2468 Broadway – Murder Ink. Legal deve ser o predinho de tijolos que foi preservado na Lexington Avenue, esquina com a 60th no meio de um gigantesco edifício, porque uma velhinha se recusou a vendê-lo, e os projetistas construíram o edifício por cima...diz que ela ainda mora ali, no segundo andar. Legal mesmo deve ser a tal da Whispering Gallery, na Grand Central Station, que tem umas abóbadas mágicas: falando em um canto a outra pessoa ouve nitidamente em outro canto.
A vida aqui em CZS não tem tantos destes segredinhos e surpresas, mas por outro lado é uma babel também. Uma reunião interessante de povos de várias etnias, quase sempre irreconhecíveis para mim, e ainda de outros povos herança de colonizadores de outros tempos. CZS é mesmo a capital do Alto Juruá. Todo início do mês a cidade se transforma, vem gente de tudo o que parte da região para cima e pra baixo do rio, o hospital, o mercado, as ruas, ficam cheias. Dá pra sentir nos comerciantes, uma certa excitação e ao mesmo tempo, uma impaciência muito grande. Impaciência que beira a grosseria. Isto é uma das coisas que tem me indignado mais por aqui, a falta de educação dos comerciantes. Tive que voltar um pouco no tempo para buscar a explicação lá no seringal...a maioria destes comerciantes atuais ai eram Patrões no seringal, e mantiveram a clássica relação de superioridade e dominação que os caracterizou nos tempos da borracha, tratando qualquer um que chega como sendo um humilde seringueiro. O pior é que os funcionários influenciados pecam pelo mesmo caminho.
Agora neste tempinho que passei em POA matei um pouco da saudade cultivada pelas mesas da Lima e Silva e Cidade Baixa. Certamente a boemia faz parte da minha vida, e isso garanto, não é culpa minha, é genético. Mas a boemia solitária ela é um pouco prejudicial, pois pode-se entender como alcoolismo ou algo do gênero. Então estou mantendo uma certa abstinência, causada em parte por falta de parceria e em parte pela péssima qualidade da cerveja que chega por aqui.
Projetos de campo estão se armando, e logo terei bastante tempo de mato para contar. Por enquanto, so tenho as histórias da viagem que fiz para a RESEX do Alto Juruá, que valeram por meses de floresta. Acredito que sempre é assim, por menor o tempo vivido, muito maior é o tempo de vivência na floresta. Quero logo estar voltando por lá, quem sabe não subimos juntos uma hora?

Cara vou ficando por aqui, encerrando, por enquanto esta conexão La nueva com o extremo ocidente brasileiro. Fique em paz.
Um abraçao forte!!

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