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19 de março de 2006

Depois de algum tempo em CZS

Espero que esta mensagem encontre vocês com saúde e felicidades. Me encontro muito bem por aqui, escrevo esta mensagem da sala da coordenação dos cursos de Biologia e Eng Florestal. Sala de aula mas já adaptada para nosso uso e necessidades, com alguns computadores novos e, finalmente, internet a rádio. As aulas estão prestes a começar e isto muito me alegra, apesar de que como os laboratórios não estarão prontos até lá, e possível que eu ainda não inicie com as minhas aulas, mas isto ainda esta em discussão e não é definitivo.

Estive há pouco tempo em viagem pelo sopé dos Andes. Local de nascentes do Rio Juruá, tributário do Rio Amazonas. Chamo de sopé pois o relevo lá já se encontra bem acidentado, com muitos cânions e barrancas de rio bem acentuadas. Foi delicioso estar por lá, em contato com o povo local, aprendendo e convivendo do seu viver florestal. Sem falar nos diversos novos sabores degustados, novos odores sentidos, e outras emoções sentidas que não podem ser descritas, como os banhos de rio, banhos de chuva na canoa, banhos de chuva no meio da floresta, ou os muito instigantes bate-papos com os sábios locais. Estar junto a eles é uma vivência que ensina humildade, alegria, simplicidade e muita gana de viver. Com certeza estarei voltando lá outras vezes, e em outras áreas de RESEX aqui mais próximas, como a recém criada RESEX do Crôa e do Riozinho da Liberdade.

Na volta desta viajem passei uma semana indisposto. Por um momento pensei que fosse malária, fiz testes e não apareceu nada. Mas os sintomas bateram, então, descobrimos que o Pium, um insetinho tão chatinho quanto insignificante, transmite um parasita que causa sintomas semelhantes a malária. Fiquei mal, mas logo meu corpo resolveu o problema, sem necessidade de remédios. Mas já deu pra sentir o que o trópico promete.

Todos meus colegas, novos professores, já chegaram. A Universidade da Floresta reuniu pessoas de todo o Brasil aqui, então imaginem vocês que interessante que está a integração, alem de também serem pessoas de várias especialidades, o que nos coloca na obrigação de iniciar e colocar em prática uma transdisciplinaridade, que transcendeu o campo das iniciativas isoladas e tornou-se fundamental e necessária.

Iniciar uma Universidade é bastante complicado, percebo isto cada dia mais. Estamos dando passinhos curtos, a cada dia uma coisa é construída, arrumada e outras são justificadas como impossíveis e ainda outras são adiadas. Estamos fazendo os orçamentos desde livros para comprar, o material dos laboratórios, mesas, cadeiras, etc. Participando inclusive na discussão dos projetos arquitetônicos, o que é muito bom. A pressão para o início da aulas é grande, por todos os lados, e a velocidade em que as coisas estão se arrumando, não acompanha a demanda. O Campus Canela Fina, não estará pronto a tempo, nosso temor e que ele não fique pronto nem para o segundo semestre, mas, vamos tocando. De qualquer forma, minhas aulas começando agora ou não, eu as estou preparando, incluindo uma pequena apostila pois acredito que a literatura de apoio, até o início das aulas, ainda não esteja disponível.

Legal é saber que o povo, a comunidade local, continua do nosso lado. Tivemos certeza disso após o Fórum da Sociedade Civil que ocorreu em fevereiro. Foi bastante produtivo, afinal, foi a oportunidade da comunidade colocar suas apreensões e sugestões sobre questões pertinentes, como formas de acesso diferenciado, cursos novos, conhecimento compartilhado e relações do conhecimento tradicional com o conhecimento acadêmico. Nos deu muito ânimo saber que o respaldo da comunidade é sincero, e também que temos uma responsabilidade grande em colocar em prática os ideais da Universidade da Floresta, depende somente mesmo de nós, professores, esta tarefa. Começo me interando das culturas, visitando as localidades, preparando e pensando no conteúdo que pode ser compartilhado no ensino, vislumbrando as possibilidades que, para mim, são imensas. O Fórum me deixou ainda mais empolgado, radiante na possibilidade das trocas de conhecimento. Me sinto muito contente de estar participando desta iniciativa, e, muito mais, por estar construindo esta realidade. A comunidade tem depositado uma imensa expectativa, espero que possamos cobrir algo desta expectativa, fazendo um bom trabalho.

Agora deixo vocês, na certeza que em breve mandarei mais notícias daqui das verdes florestas do extremo ocidental brasileiro.

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