29 de fevereiro de 2012

Microbiografia de um Bissexto 2012

Resolvi reeditar o post sobre minha microbiografia, baseada somente nos meus aniversários dos anos bissextos e outros fatos relevantes do ano. Ai percebi que os nascidos em 29 de fevereiro levam relativa vantagem no quesito memória dos aniversários. Tente lembrar como foram os seus últimos nove aniversários. É meio difícil, concordo.

Assim, o que eu consegui lembrar eu escrevi cronologicamente, falando do dia do meu aniversário.

29 de fevereiro de 2008


Em 2008 foi a oportunidade de reunir os amigos. Queria algo especial, e foi mesmo muito especial. Reuni uma turma na minha antiga casa do aeroporto velho, junto da minha família aqui e comemoramos degustando paõzinho de alho (novidade total !!! - e aprovada!!), um xixo bem caprichado, macaxeira amarelinha que desmanchava na boca e, cerveja, claro.

29 de fevereiro de 2004



2004 foi o encerramento de um ciclo de anos ruins. Encerrava-se o ciclo de saturno. Finalmente estava empregado, iniciando dentro da UFRGS um contrato de professor substituto. Lentamente o tempo clareava pro meu lado. Estava este ano de férias em Santa Catarina e preparei para amigos um peixe ao molho de camarão.

2004 foi também o ano que vim pela primeira vez à Cruzeiro do Sul. Foi quando conheci algumas das medicinas da floresta, como o Kambô.

O Colorado em 2004 é Tricampeão Gaúcho.

29 de fevereiro de 2000

Havia me mudado pra Campinas neste ano, iniciando por lá o curso de mestrado em ecologia, na UNICAMP. No dia 29 reuni o pessoal, colegas de turma e amigos, para na famosa Maloca VI, no fogão a lenha que recuperei especialmente pra data, cozinhar uma suculenta feijoada completa, com lenha que catei na fazenda próxima. Rolou caldinho de feijão, a boa cachaça mineira e som ao vivo do Zé, que fazia pouco voltara da França. O Pedrão trouxe uma feijoada vegetariana, pros adeptos.
2000 é ano bissexto apesar das viradas de século obrigatoriamente não serem. Não existe ano bissexto em virada de século a não ser de 400 em 400 anos, o que significa um correção em cima da correção. Assim no ano de 2000 atuou a super-correção dos anos bissextos que orienta para que a cada 400 anos, exista um ano bissexto na virada de século. Aqueles segundos residuais, que sobram no final de cada ano e que os 29 de fevereiro não conseguem corrigir, sobra pro ano bissexto de 400 em 400 anos. A penúltima virada de século, não teve ano bissexto, assim, quem faria aniversário no dia 29 de fevereiro de 1900, teve de esperar até 1904 para comemorar na data correta.

29 de fevereiro de 1996

Estava fazendo o curso de biologia, na UFRGS, e em 1996 meu aniversário foi comemorado no Parque Nacional Marinho de Abrolhos, na Ilha Santa Bárbara, aonde participava de um estágio junto ao Ibama. Habitavam a ilha oficiais da Marinha, fazendo a manutenção do Farol, um guarda do Ibama, e eu. Cozinhei para os convidados um muqueca de robalo, pescado fora do Parque na manhã. Foi um sucesso...lembro de lavar a louça toda, e não era pouca, na beira do mar.
O mais legal deste dia foi mergulhar de apnéia na tardinha e encontrar um tartaruga-marinha - uma cabeçuda jovem. Foi um passeio com ela nas claras águas do arquipélago. Brinquei, dancei, tanto que fui até o anoitecer, quando já não enxergava mais nada.


29 de fevereiro de 1992


Época das minhas viagens de bicicleta e das competições de Triathlon. Com um grupo de amigos subi a serra gaúcha diversas vezes, em São Francisco de Paula, Gramado, Canela. No dia 29 estava, com a minha bicicleta, na beira do vale da Ferradura, em Canela. Devo ter comido miojo no dia. Neste ano completei o ensino médio, quando era ainda chamado de 2o Grau, no Colégio Pastor Dohms, em Porto Alegre. Neste mesmo ano o Internacional sagrou-se Bicampeão Gaúcho e Campeão da Copa do Brasil.



29 de fevereiro de 1988



Em 88 foi a vez de reunir a turma do prédio e do colégio Pastor Dohms no salão de festas do condomínio. Destaque para a audição de “Feliz Aniversário, eu envelheço na cidade” do Ira!.
Em Anthony, cidade da fronteira entre o Texas e o Novo Méxixo (EUA), estava sendo realizado o Primeiro Festival da Rede Mundial do Nascidos em 29 de fevereiro (World Wide Leap Year Festival). A cidade de Anthony é considerada a capital mundial do ano bissexto.






29 de fevereiro de 1984

Neste ano parece que meus pais não queriam fazer meu aniversário, mas meu avô Athaydes, a vó Flor e minha tia Ada Bia insistiram e dai saiu uma mesa com salgadinhos e docinhos. Neste ano fui com meu pai em um festival de aviação, que me marcou muito. Eu estudava na época em uma escola adventista e foi um tempo que se discutia muito religião durante as refeições. Lembro de longas conversas com meu avô e meus pais sobre isso. Boas lembranças são os passeios com meu avô à Feira do Livro de Porto Alegre, e os autógrafos do Poeta Mário Quintana e da Maria Dinorah.

Neste mesmo ano o Internacional é Tetracampeão Gaúcho e Vice-Campeão Olímpico representando a Seleção Brasileira.


29 fevereiro de 1980

Meu primeiro aniversário bissexto. Segundo informações da minha mãe este foi comemorado na casa dos meus avós maternos, como a maioria dos aniversários da família. Infelizmente, não é possível mais andar de moto com o meu tio Tadeu, falecido anos antes. Entre as minhas melhores lembranças está eu acompanhando minha vó Flor no trabalho dela, no chamado Postão 4, posto de saúde do Inamps (atual Inss), onde ela conhecia todos e todos gostavam muito dela, e eu, portanto fui sempre bem tratado e muito paparicado com o neto da Dona Flor-de-Lis.

O Internacional é vice-campeão da Copa Libertadores.

29 de fevereiro de 1976
Nasço neste ano, em Porto Alegre, no Hospital Fêmina.
Eu nascendo e o Internacional sagrando-se Octacampeão gaúcho, e no
final do ano, Bicampeão brasileiro. Por causa do resultado da final do campeonato brasileiro, meu avô acabou me ganhando da minha mãe em uma aposta (pelo menos é o que conta uma lenda da família).
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27 de janeiro de 2012

Extração do Óleo de Buriti


Impulsionado pelo Programa do Governo do Estado que está estimulando a exploração sustentável de sub-produtos das palmeiras, principalmente óleos, o Sr. Darci Mendes (na foto, conferindo o ponto do óleo), presidente da Comunidade Igarapé Branco no Ramal 3, em Cruzeiro do Sul, inicia os trabalhos com a extração do óleo de buriti. O óleo é rico em pró-vitamina A (500 000 UI), com índice de 300mg/100g, e está sendo empregado recentemente pela indústria cosmética entrando na composição de sabonetes, cremes e xampus. Excelente contra queimaduras na pele, provocando alívio imediato e auxiliando na cicatrização. Pesquisas descobriram que o óleo absorve radiações no espectro ultra-violeta, sendo um eficiente filtro solar.

O óleo extraído da polpa apresenta composição graxa rica em ácidos graxos insaturados (ácidos palmítico e oléico); alto teor de carotenóides, comportando-se como uma das fontes mais ricas em pró-vitamina A; alta concentração de tocoferóis com excelente atividade antioxidante e alta estabilidade oxidativa. O óleo de Buriti aumenta a elasticidade e diminui o ressecamento da pele exposta à radiação solar; auxilia na regeneração dos lipídeos da camada córnea e aumento de FPS. É indicado para formulações cosméticas anti-aging, produtos solares e pós-solares, fortalecedores capilares, produtos para cabelos tingidos e danificados, sabonetes líquidos em barra ou shower gel, cremes, loções e emulsões para a pele. (Retirado do site: http://www.inovam.com.br/oleo_buriti.htm )




No processo atual (que a intenção é que se modernize, com a construção de uma fornalha e implantação de um processo mais efetivo de separação do óleo), uma saca de frutos de buriti rende em média 1,5 l de óleo, depois de 2 dias de trabalho e esforço de três homens com prática. A partir do mesmo trabalho de fazer o vinho do buriti, e após choque térmico na massa, passa a ser separado manualmente o óleo. Este é o ponto mais custoso, em termos de mão de obra e tempo, e que pode ser atalhado se usando de alguma técnica que ainda é desconhecida pelos produtores.


Alternativo ao processo brevemente descrito acima, existe a prensagem a frio, proporcionada por uma máquina, que conforme relato do Seu Darci, é bastante cara para o orçamento da Comunidade. Mas não o seria para um investimento do Governo, que deve seguir investindo nestas comunidades que realmente estão interessadas em explorar de forma sustentável as palmeiras.


Meu interesse neste trabalho, além de acompanhar e aprender mais do conhecimento de palmeiras que estas pessoas tem, é refletir sobre a capacidade destas sementes de palmeiras, resistirem a alguma alta temperatura para depois germinarem. Segundo pude observar e de relatos do Sr. Darci, as sementes (pirênios) de palmeiras são submetidas à temperaturas de 60oC, possibilitando a despolpa e primeira etapa do processo de extração do óleo. As sementes não são desperdiçadas, jogadas fora, elas tem a capacidade de resistir a esta temperatura e depois são satisfatoriamente plantadas em viveiro com altos índices de germinação, segundo experiência do Seu Darci. No meu projeto de doutorado estarei monitorando esta germinação e além disso, submeterei as sementes à temperaturas ainda mais altas, como 80 e 120oC, para saber qual temperatura de fato mata a semente.

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26 de janeiro de 2012

Ecologia do Fogo e Impacto nas Palmeiras

Atendendo aos pedidos de amigos e interessados, estou disponibilizando para consulta e sugestões, as informações do meu projeto de Doutorado intitulado: 'Efeitos do fogo de superfície na comunidade de palmeiras (Arecaceae) em uma floresta na Amazônia ocidental'. Ou mais simplesmente: 'Ecologia do fogo e impacto nas palmeiras', o qual desenvolvo junto ao INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - Curso de Pós-graduação em Ciências das Florestas Tropicais.

Visite o site, compartilhe, colabore!


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12 de janeiro de 2012

Os dias do ano solar, ano bissexto, leap year

"Os enigmas dos anos bissextos podem engendrar infinitas complexidades e trivialíssimas discussões." S.J.Gould


365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45,967685467... segundos, ou, 365,25 dias, ou ainda, 365 mais 1/4 de dia. Stephen Jay Gould (no livro O Milênio em Questão) comenta que isso só poderia ser uma brincadeira de Deus. Os egípcios se deram conta, seguidos pelos chineses e pelos maias - cada cultura independentemente. No calendário Juliano, precursor do Calendário Gregoriano que é utilizado até hoje pela grande maioria do países ocidentais incluindo Brasil, foi criada uma primeira correção, e neste oportunidade entao foi inventado o 29 de fevereiro, sendo este dia inserido a cada quatro anos.

Bom, isso todos sabem, porém, o calendário Juliano operava de uma maneira extremamente simples, e assim o calendário começou a acumular um número considerável de dias extras (sete a cada 100 anos, precisamente) deixando o calendário Juliano fora do esquadro com o ano solar. Para o início da Páscoa e para os solstícios e equinócios anuais esse descompasso representava um problema.

Com o Papa Gregório XIII e sua equipe de matemáticos, entre eles Cristóvão Clavius, surgiram novas regras somadas àquelas da correção do Calendário Juliano:


1- Todo ano divisível por 4 é bissexto

2- Todo ano divisível por 100 não é bissexto

3- Mas se o ano for também divisível por 400 é bissexto

Ou seja, aqueles segundos residuais, que sobram no final de cada ano e que os 29 de fevereiro não conseguem corrigir, sobra pro ano bissexto de 400 em 400 anos. A penúltima virada de século, não teve ano bissexto, assim, quem faria aniversário no dia 29 de fevereiro de 1900, teve de esperar até 1904 para comemorar na data correta.


Desde Gregório XIII, muitas outras propostas de reforma do calendário foram feitas. Em 1840, Comte filósofo Auguste sugeriu que o 365 º dia de cada ano fosse um feriado, não atribuído assim a nenhum dia da semana (o que seria equivalente ao dia fora do tempo dos Maias). O "Dia do Ano" genérico permitiria que 01 de janeiro fosse cair sempre em um domingo a cada ano. Esta solução não foi adotada.


A Revolução Francesa também viu uma tentativa de introdução de um novo calendário. Em 05 de outubro de 1793, a convenção revolucionária decretou que o ano (a partir de 22 de setembro de 1792, o equinócio de outono, e no dia seguinte a proclamação da nova república) seria dividido em 12 meses de 30 dias, em homenagem correspondentes aos fenômenos sazonais (por exemplo, meses de árvores semeando, plantas florindo, colheitas).


Os restantes cinco dias do ano, chamado sans-culottides, foram dias de festa. Em anos bissextos, o dia extra, Dia da Revolução, era para ser adicionado ao final do ano. O calendário revolucionário não tinha semana, cada mês foi dividido em três décadas, com cada décimo dia sendo um dia de descanso. Este calendário simples, porém, morreu com a República.


Outros calendários seguem a contagem do tempo e a correçao para adequar o ano solar com o ano lunar de formas diferentes. Abaixo um relato de como é o ano bissexto, ou equivalente, em algum destes calendários.


O ano bissexto chinês

O mês bissexto no calendário chinês varia de ano para ano. Cada ano possui doze lunações acarretando em um total de 354 dias. Para não se perder a sincronia com o ciclo solar (de 365,25 dias), são acrescentados a cada oito anos noventa dias ao calendário, ou, aproximadamente duas lunações - ou seja, meses bissextos. Desta forma não se perde a sincronia nem com o ciclo solar, nem com o lunar. Sem o mês intercalar, esse desvio iria se acumular ao longo do tempo, e o festival de Primavera, por exemplo, já não cairia mais na Primavera. Assim, o mês intercalar serve como um propósito valioso no sentido de garantir que o ano no calendário chinês continue aproximadamente em linha com o ano astronômico. Por isso, considera-se que o calendário chinês é lunisolar.

O mês intercalar é inserido sempre que o calendário chinês se move muito longe do estágio de evolução da Terra em sua órbita. Assim, por exemplo, seo início de um determinado mês do calendário chinês se desvia por um certo número de dias desde o seu equivalente em um calendário solar, um mês intercalar precisa ser inserido.


O ano bissexto judaico

Os judeus não adotaram o calendário juliano, em grande parte para que sua Páscoa não coincidisse com a cristã. O ano israelita civil tem 353, 354 ou 355 dias; seus 12 meses são de 29 ou trinta dias. O ano intercalado tem 383, 384 ou 385 dias. Mais um mês, Adar I, é adicionado após o mês de Shevat e antes do mês de Adar em um ano bissexto. Segundo a tradição judaica, Adar é um mês de sorte e feliz. Um ano bissexto é referido em hebraico como Shanah Me'uberet, ou um ano grávida. Um ano bissexto judeu ocorre sete vezes em um ciclo de 19 anos. O terceiro, 6, 8, anos 11, 14, 17 e 19 são anos bissextos neste ciclo.


O calendário hebraico começa a contar o tempo histórico a partir do que os judeus consideram o dia da criação. No calendário gregoriano, tal data corresponde a 7 de outubro de 3761 a.C. O calendário hebraico introduziu pela primeira vez a semana de sete dias, divisão que seria adotada em calendários posteriores. É possível que sua origem esteja associada ao caráter sagrado do número sete, como ocorre nas sociedades tradicionais, ou que se relacione com a sucessão das fases da lua, já que a semana corresponde aproximadamente à quarta parte do mês lunar.


O ano bissexto no Irã

Há cerca de oito anos bissextos em cada ciclo de 33 anos no calendário iraniano (ou persa). Um dia extra é adicionado ao mês passado em um ano bissexto. Ano bissexto ocorre quando há 366 dias entre os dias dois de Ano Novo. Anos bissextos ocorrem geralmente a cada quatro anos. Depois a cada seis ou sete anos bissextos, o calendário iraniano prevê um ano bissexto, que ocorre no quinto ano, em vez do quarto ano. Um período de 2820 anos foi a base para os cálculos para estabelecer a freqüência de um ano bissexto ocorre no quinto ano. No início e no final do ciclo de 2820 anos, o equinócio vernal ocorre exatamente no mesmo tempo do ano tropical.


O calendário iraniano remonta ao século 11, quando um painel de cientistas criou um calendário que era mais preciso do que outros calendários na época. Apesar de algumas mudanças, ele é um pouco mais preciso que o calendário gregoriano. Comparado com o calendário gregoriano, que os erros somam um dia a cada 3.226 anos, o calendário iraniano precisa de uma correção de um dia a cada 141 mil anos.


O ano bissexto Hindu

O calendário hindu insere um mês extra, muitas vezes referida como Adhika Maas, em um ano bissexto. Adhika Maas normalmente ocorre uma vez a cada três anos ou quatro vezes em 11 anos. Portanto, a defasagem anual de um ano lunar é ajustada a cada três anos. Este ajuste permite festivais hindus ocorrerem dentro de um espaço dado, em vez de em um dia definido.


O ano bissexto islâmico

O calendário muçulmano é integralmente lunar. Os números de dias nos meses são intercalados entre 30 e 29 dias, menos o último, o 12º que pode possuir 29 ou 30 dependendo de uma série que se alterna entre 19 e 11 anos. O cálculo do calendário é feito de tal forma que completa 360 lunações em 10.631 dias. A contagem dos anos se dá a partir do "Hégira", subida de Maomé aos céus, tida em 16 de julho de 622 dC.

O início do dia é considerado no poente da véspera do calendário civil. Duas datas são marcadas no calendário muçulmano, o Ano Novo, 1o Muharram e o mês sagrado do Ramadan, em geral, iniciando no 237o do ano.


No calendário islâmico um dia extra é adicionado ao último mês (tornando-o 30 dias em vez de 29 dias) em um ano bissexto. Este mês, Dhu 'l-Hidjdja, é também referido como o mês do Hajj - peregrinação muçulmana a Meca. O calendário islâmico tem um ciclo de 30 anos com 11 anos bissextos de 355 dias e 19 anos de 354 dias. No longo prazo, é preciso cerca de um dia em 2500 anos.


O ano bissexto do calendário Bahá'í

O ano Bahá'í começa em 21 de março e está dividido em 19 meses de 19 dias cada, totalizando 361 dias. Quatro ou cinco dias intercalares são adicionados para aumentar o número de dias para 365, ou 366 em anos bissextos. O dia bissexto é inserida nos dias de Ayyam-i-ha, um período de dias intercalados dedicado aos preparativos do jejum, da hospitalidade, da caridade e dom durante o período de 26 fevereiro até 1º março.



O ano bissexto etíope

O calendário etíope é muito parecido com o calendário egípcio, que tem 13 meses. Como o calendário egípcio, o calendário etíope acrescenta um dia a mais para o final do ano uma vez a cada quatro anos. Os calendários etíope e copta consistem de 13 meses, onde os primeiros 12 meses cada um tem 30 dias e o 13º mês tem seis dias em um ano bissexto em vez de cinco dias em um ano normal.


Outros anos bissextos

A Grécia se converteu para o calendário gregoriano em 1924, embora haja debate que a mudança pode ter ocorrido em 1920 ou já em 1916. Alguns cristãos ortodoxos preferem usar uma versão revista do calendário juliano, onde há uma discrepância com o calendário gregoriano em relação a um ano bissexto, que ocorrerá em 2800.


Fonte: "A Questao do Milênio" Stephen Jay Gould, Cia. das Letras 1999.

Para saber mais: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/calendarios/historia-do-calendario-1.php

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6 de janeiro de 2012

5 de dezembro de 2011

A morte de uma bacaba


A imagem que está aí eu registrei na última semana. É a cena triste de uma bacaba assassinada (uma bacaba, ou abacaba, é uma palmeira). Prostrada ao solo pelo simples fato de possuir frutos. Foi vítima da ganância do homem que, provavelmente não utilizou o vinho produzido dos seus frutos para alimentação sua ou de sua família, e sim, para vender em Cruzeiro do Sul, por 4 ou 5 reais. Foi assassinada, derrubada covardemente por míseros 5 reais. Uma bacaba que poderia seguir produzindo frutos por muitos outros anos, como vinha fazendo por pelo menos 30 anos já. Acontece assim, o camarada interessado em coletar os frutos, fica com preguiça de subir no tronco da palmeira, e com um terçado (facão) põe abaixo a planta para "facilitar" seu trabalho.

Me permitindo um paralelo com nosso cotidiano, este é um fenômeno bastante comum nas relações de economia e natureza. O imediatismo na exploração da natureza faz com que, por exemplo, exista tanta pressão para a modificação do Código Florestal. É o ponto de inflexão quanto ao uso da Floresta. Muitos argumentam que a floresta não tem valor, pois o valor, o rendimento que buscam é um rendimento de curto prazo, imediato. Não pensam no futuro, não planejam a sustentabilidade do futuro. Derruba a floresta, põe soja, põe gado, degrada o solo, e depois que o a terra perde valor, abandona, vende, se livra dela e parte pra outra, outra pedaço de floresta para derrubar e ter lucro imediato.

Não satisfeito em ter que se esforçar um pouco mais para explorar a natureza com inteligência, o sujeito em posse do seu imediatismo, põe abaixo o pé inteiro de bacaba, sem lembrar que seus filhos podem vir a coletar bacabas deste mesmo pé, ou seus netos e bisnetos podem usar os frutos das bacabinhas que iriam nascer deste mesmo pé, sem falar nos animais da floresta que estariam se alimentando dos frutos. Mas precisava ele de 5 reais e a bacaba inteira pagou o preço.

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25 de novembro de 2011

Acreanês




Logo que cheguei aqui não falava muito bem o Acreanês. Compreendia muito bem as pessoas mas elas tinham dificuldades em me compreender. Com o tempo, fui aprendendo expressões e consegui adaptar a velocidade da minha fala à velocidade de fala local. Fiz diversos intensivos e cursos de aprimoramento na língua, incluindo também as expressões típicas, e hoje, passo desapercebido como sendo Acreano.

Algumas expressões são muito típicas e dominá-las determina experiência em diversas situações. Exemplifico com o relato da saída de campo que fiz esta semana, em ida ao rio Croa e visita à comunidade. No deslocamento pelo rio e visita aos comunitários, foi falado, entre outras, as expressões: 'Abicar' que tanto pode ser abicar a canoa na margem, quando abicar, se intrometer na vida do outro. 'nobalde' - "Não se preocupe, que lá estas plantas vão aparecer 'no balde'..." ou seja, muitas, em quantidade. A floresta estava cheia de 'balseiros' - galharia e resto de troncos da queda de uma árvore. "Não adianta nos ficarmos 'bolando' aqui na 'várge' que não vamos encontrar nada", ou seja, ficarmos indo de floresta em floresta dentro da área de várzea que aquela planta não é típica de ali.

Um caso engraçado aconteceu outro dia aqui em casa. Ouvindo o noticiário flagrei o locutor falando. "a prefeitura vai pagar o 13o dos funcionários 'em dias'..." comentei com minha esposa e ela afirmou que isto é correto, pelo menos aqui no Acre. Após um breve e acalorada discussão com ela (que é meu principal motivo de falar tao bem o acreanês), me convenci mas há bem pouco tempo pude complementar meu convencimento lendo o significado de 'em dias' no Dicionário de Acreanês (fonte do significado das palavras acima também), do Gilberto Braga de Mello, que comenta:

Em dias - Trata-se de uma expressão institucional da maior importância. Todo mundo fala: - "O estado vai pagar em dias". E não quer dizer que vão pagar em vários dias, não, ao contrário, pagou pontualmente.(...) Parece que essa aplicação do termo no plural, indevida em outras praças, no Acre confere uma importância especial ao dia do pagamento, dando a ele valor de vários dias, do mês inteiro. Faz sentido.

Realmente faz sentido...


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23 de novembro de 2011

Histórias de rapés II - Rapé é coisa séria.

Assista o vídeo gravado do depoimento do Seu Jorge, do Croa, abaixo de sua famosa samaúma, sobre o uso do rapé. Seu Jorge é um dos mais conhecidos, e queridos, moradores do Croa. É conhecido por ser dono de um coração maior que o mundo e por seu trabalho com a medicina da floresta e como mestre do rapé. Ir ao Croa e não conhecer o Seu Jorge é como não ter ido ao Croa.



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9 de novembro de 2011

Cascas e Polpas (Gibran Khalil Gibran)


Em cada taça de fel que a vida me deu, a última gota era de mel.
No fim de cada subida íngreme que tive que escalar, encontrei uma planície verdejante.
Cada amigo que perdi na neblina do entardecer, encontrei-o na luz da aurora.
E quantas vezes escondi meu sofrimento e meu amargor sob o véu da resignação, acreditando que havia mérito nisso. Mas quando eu retirei o véu, achei que o sofrimento de transformara em satisfação e o amargor em alegria.
E quantas vezes acompanhei meu amigo ao mundo das aparências, julgando-o rude e ignorante. Mas assim que desvendei os mistérios da vida, compreendi que era eu o agressor e ele, o sábio e o cavaleiro.
E quantas vezes, embriagado de egoísmo, comparei-me ao cordeiro e comparei o meu companheiro ao lobo. Mas, quando voltei a mim mesmo, ele era homem e eu outro homem.
Eu e vós, meus semelhantes, somos fascinados pelas aparências e cegos às essências. Se um de nos tropeça, dizemos “é um decaído”. Se se atrasa, dizemos “é um indolente”. Se tartamudeia, dizemos “ é um mudo”. Se suspira dizemos ”é um doente”. Eu e vós, apaixonados pelas cascas do “Eu” e de “Vós”. Por isso, não percebemos o que o espírito escondeu em “Mim” e em “Vós”.

E que podemos fazer para que nossa vaidade não nos distraia de nossa verdade?
Digo que aquilo que vemos com nossos próprios olhos é apenas uma nuvem que nos esconde o essencial. E o que ouvimos com nossos ouvidos é um mero barulho que nos distrai do sentido profundo das coisas. É nossa visão que realmente vê. É nosso coração que realmente ouve. Sigamos sua orientação.
Quando cruzarmos com um policial que leva um homem á cadeia, não presumamos qual dos dois é o criminoso. E quando virmos dois homens, um ensangüentado e outro com manchas de sangue nas mãos, não concluamos qual é o agredido e qual o agressor. E se ouvirmos um homem cantar e outro chorar, paremos antes de concluir qual dos dois é o mais feliz.
Não, meu amigo, não ates as aparências às realidades. E não julgues da essência de um homem pelas suas palavras e seu comportamento.
Talvez aquele que julgues ignorante porque gagueja, possua um pensamento e um coração cheios de luz. Talvez aquele que desprezas pela feiura de seu rosto e a incivilidade de seus modos, seja uma dádiva do céu à terra e um sopro de Deus entre os homens.
Talvez visites no mesmo dia um castelo e um casebre, e saias do primeiro com veneração e do segundo com comiseração. Mas se pudesses rasgar o véu das aparências, tecido por seus sentidos, tua veneração se transformaria em comiseração e tua comiseração em veneração. Talvez encontres, entre o despertar e o ocaso de teu dia, um homem que fala como se a tempestade se exprimisse em sua voz e os exércitos se manifestassem em seus gestos, e outro que fala com palavras tímidas e entrecortadas. E talvez atribuas o heroísmo ao primeiro e a covardia ao segundo. Mas, se os reencontrasse quando a vida os chama para enfrentar os obstáculos ou sacrificar-se a um ideal, saberias que a soberba briosa não é coragem e a timidez calada não é covardia.
E talvez olhes pela tua janela e vejas uma freira e uma prostituta que andam entre os transeuntes, e concluas intempestivamente: “ que nobreza naquela e que indignidade nesta!”. Mas se fechasses os olhos e escutasses o éter falar, ouvirias uma voz te dizer: “ Aquela Me procura pela oração e esta Me procura pelo sofrimento, e na alma de cada uma delas, há um refugio para Minha alma.”
E talvez viajes pelo mundo à procura do que chamas de civilização e progresso e entres numa cidade feita de edifícios altos e palácios suntuosos e institutos modernos e avenidas largas, enquanto seus habitantes, vestidos com esmero, estão em movimento permanente: uns a cavarem a terra, outros a subirem no espaço, outros a dominarem o raio, outros a investigarem os ventos.
Dias depois, talvez chegues à outra cidade de casas humildes e ruas estreitas, enlameada nos dias de chuva, empoeirada nos dias de sol, habitada por um povo primitivo e lento que te olha, parecendo olhar para algo além de ti; e talvez abandones esta cidade, desgostado, pensando: "a diferença que eu vi naquela cidade e nesta é a diferença entre a vida e a agonia: lá uma forca e seu fluxo, aqui a fraqueza e seu refluxo; lá uma atividade que produz primavera e verão, aqui, uma indolência que produz outono e inverno; lá, a ambição e a juventude que dança num jardim, aqui, a decrepitude é velhice deitada ao pó.
Mas se puderes olhar para as duas cidades com a luz de Deus, vê-las-ias duas árvores iguais no mesmo vergel. E, meditando, talvez concluísses que o que te apareceu progresso na primavera, nada mais é que borbulhas luminosas e efêmeras, e que o que te pareceu mediocridade na outra é o reflexo de uma riqueza interior, meditativa e permanente.


Não, a vida não vale pelas suas aparências, mas pelas suas essências. Os frutos não valem pelas suas cascas, mas pela sua polpa. Os homens não valem pelos seus rostos, mas pelos seus corações.
E a religião não vale pelo que se manifesta nos templos e pelos seus ritos e tradições, mas pelo que se esconde nas almas e nas intenções.
A arte não está nas melodias de uma canção ou na vibração verbal de um poema ou nas cores e nas formas de um quadro. A arte esta nas distâncias silenciosas e inspiradoras que separam as notas agudas e graves de uma canção e no que um poema transmite ao coração do que permaneceu inexpresso na alma do poeta. A arte está no que um quadro nos permite imaginar para além de suas dimensões.
Não, meu irmão, as noites e os dias não estão na suas aparências. E eu que na procissão das noites e dos dias estou nestas palavras que te dirijo, mas no que minhas palavras refletem das minhas profundezas mudas.
Não me consideres um ignorante até que examines essas profundezas e não me consideres um gênio antes de despir-me das minhas aparências. Não me digas: “É um generoso”, antes de compreender os motivos de minha generosidade. Não creias em meu amor até sentir-lhe o calor, e não me acuses de frieza antes de tocar minhas feridas sangrentas.

Do Livro Curiosidades e Belezas, Gibran Khalil Gibran.
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4 de novembro de 2011

Mensagem dos Anciões da Nação Hopi


Vocês estão anunciando que esta é a 11º hora.
Agora, regressem e anunciem que esta é a hora.
Algumas questões que devem ser contempladas:
Onde estás vivendo?
O que você está fazendo?
Quais são as tuas relações?
Onde está tua água?
Conheça o teu jardim.
É o tempo de falar a verdade.
Criar a tua comunidade.
Sejam justos uns com os outros.
E não busque um líder fora de ti.
Este poderia ser um bom momento!
Há um rio fluindo rapidamente.
é tão grandioso e suave que muita gente poderá estar assustada.
Tentarão agarrar-se nas suas margens.
Sentirão arrancando-os e sofrerão enormemente.
Saibam que este rio tem o seu destino.
Os anciões dizem que devemos soltar-nos das margens, e empurrar-nos para o centro do rio,
manter os olhos abertos,
e a nossa cabeça por cima da água.
Veja quem está ai contigo e celebre.
Neste momento da história não devemos tomar nada pessoalmente,
sobre tudo a nós mesmos!
No momento em que o realizamos,
nosso crescimento chega a um alto no caminho..
Já passou o tempo do lobo solitário.
Reúnam-se!
Elimine a palavra luta da tua atitude e vocabulário.
Nós somos aqueles que sempre estivemos esperando.

The Elders Os Anciões
Oraibi, Arizona Oraibi, Arizona
Hopi Nation Nação Hopi
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2 de novembro de 2011

2 de novembro


"A vida não cessa. A vida é fonte eterna e a morte é o jogo escuro das ilusões."

Mensagem de André Luiz, 'Nosso Lar'
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