3 de fevereiro de 2010

Outros habitantes de Cruzeiro do Sul



Resultado de pesquisa mostra nove espécies de primatas dentro da área urbana da cidade:

Cruzeiro do Sul pode se considerar uma cidade privilegiada. Pelo menos no quesito macacos urbanos. São vários e de várias espécies, convivendo junto com a população da zona urbana. É o que constatou o projeto: “Lavantamento da Ocorrência de Primatas Não-humanos nas Zonas urbana e periurbana de Cruzeiro do Sul – AC, através de entrevistas semi-estruturadas” de autoria da aluna formanda do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas, Anne Jamille Araújo, que percorreu a cidade e coletou mais de 50 entrevistas que relatam a presença dos macacos dentro da zona urbana e periurbana da cidade, em bairros como Tiro ao Alvo, Cruzeirinho e Nossa Sra. das Graças.


Macaco-soim do vermelho, do branco e do preto, soim-bigodeiro, macaco-da-noite, zogue-zogue, leãozinho, mico-de-cheiro e, nos locais mais afastados, o parauacú, são as qualidades de macacos relatadas pelos moradores como sendo os seus “vizinhos”. O soim-vermelho e o leãozinho, considerado o menor macaco do mundo, são os mais citados pelos moradores. Em alguns locais, em fragmentos inseridos na malha urbana, existe uma associação entre bandos de soim-vermelho e soim-preto, também conhecido como soim-do-bigode-branco.



O Brasil tem o maior número de espécies de primatas do mundo, sendo a Amazônia a região de maior diversidade. São 120 espécies e subespécies de primatas distribuídas por toda Amazônia Brasileira. Aqui às margens do Rio Juruá, é possível encontrar 16 espécies. O estudo constatou que mais da metade destas vivem dentro da zona urbana e periurbana da cidade, por este motivo, estão ameaçadas pela supressão, retirada de seu habitat, sua moradia, que são as florestas. A destruição ou fragmentação de habitats é a principal causa de extinção de espécies na atualidade e é causada principalmente pela ação do homem.


Em diversas cidades, e em Cruzeiro não parece ser diferente, a urbanização desorganizada está resultando na diminuição ou no total desaparecimento dos fragmentos florestais, tornando a sobrevivência das espécies de primatas e outros mamíferos ameaçada. Portanto, uma das conclusões do trabalho indica que é de suma importância a recuperação e manutenção das matas ciliares no fundo dos vales, protegendo os igarapés e suas margens, formando corredores ecológicos para os animais de vida silvestre.



Os resultados do trabalho ainda sugerem a instalação de pontes de corda, a fim de ligar fragmentos mais prioritários, pois em diversos pontos a pesquisadora constatou que os macacos andam pelo chão, atravessando ruas ou avenidas, na tentativa de atravessar entre um fragmento e outro, ficando expostos ao perigo dos atropelamentos ou do ataque de cães. As pontes servirão de ligação física para os primatas e outros animais silvestres, na travessia entre os fragmentos.


Além da proteção dos fragmentos e das margens dos igarapés, da instalação de pontes para travessia dos macacos, a pesquisadora indica que é de necessária urgência a promoção de projetos e programas de Educação Ambiental nas escolas e comunidades locais, divulgando a ocorrência de primatas dentro do ambiente urbano da cidade, a fim de formar cidadãos antenados com o futuro da cidade.


A apresentação dos resultados da pesquisa será no dia 10 de fevereiro, no segundo piso da Biblioteca do Campus Floresta da Universidade Federal do Acre.

2 de fevereiro de 2010

Treze anos sem Chico Science


Em 1997 estava eu em Recife, curtindo uma prainha após um Encontro Nacional de Estudantes de Biologia. No dia 2 de fevereiro, dia de Iemanjá e de Nossa Sra. Navegantes, recebemos uma notícia que parou Recife: morria, de acidente de carro, Chico Science, o maior expoente do manguebeat, poeta, louco, mestre, Sr. do maracatu, filósofo da lama. Morria aquele que impressionou e arrebatou uma multidão de fãs pelo Brasil inteiro, integrantes da geração manguebeat.

Esta semana inaugura uma exposição, no Itaú Cultural - SP chamada 'Ocupação Chico Science', com imagens, músicas e filmes relacionados ao Chico, como esta foto que aparece acima, ao lado de Antônio Nóbrega, poucos dias antes de falecer (retirada do site do G1), e no ensaio da Trilha sonora de "Baile Perfumado". Momento de prestigiar e relembrar esta figura emblemática da Cultura Nordestina e de nossas vidas.

Hoje seguirei ouvindo aqui Afrociberdelia. Valeu Chico do foguete nos pés!

31 de janeiro de 2010

Adiós, Llorona


Em Montreal, Canadá: domingo 3 de janeiro de 2010

A cantora Lhasa de Sela faleceu em sua casa, Montreal, na noite de 1 de janeiro de 2010, pouco antes da meia-noite. Ela sucumbiu ao câncer de mama depois de vinte e um meses de luta, que enfrentou com coragem e determinação. Durante todo este período difícil, ela continuou a tocar a vida daqueles ao seu redor com a sua característica graça, beleza e humor. A força de vontade dela levou-a novamente para o estúdio de gravação, onde concluiu seu mais recente álbum, seguido pelo lançamento recorde de sucesso em Montreal, no Théatre Corona e em Paris, no Théâtre des Bouffes du Nord. Dois shows na Islândia talvez fossem os últimos. Ela foi forçada a cancelar uma longa turnê internacional agendada para o Outono de 2009. Um álbum projetada das canções de Victor Jara e Violeta Parra, também permanecem não realizados.

Lhasa de Sela nasceu em 27 de setembro de 1972, em Big Indian, Nova York. Teve um infância nômade junto aos pais e irmãos, rodando pelo México e Estados Unidos. Durante este período as crianças improvisavam, tanto teatral e musical,todas as noites. Lhasa cresceu em um mundo impregnado com a descoberta artística, longe da cultura convencional.

Mais tarde Lhasa tornou-se o artista excepcional que o mundo inteiro descobriu, em 1997, com La Llorona, seguido por 2003's The Living Road, e 2009 o auto-intitulado Lhasa. Estes três álbuns já venderam mais de um milhão de cópias no mundo inteiro.

É difícil descrever a sua voz única e presença de palco, o que lhe rendeu status de ícone em muitos países em todo o mundo, mas alguns jornalistas têm descrito como apaixonado, sensual, indomável, concurso, profundo, perturbador, encantadora, hipnótica, silenciosa, poderosa , intenso, uma voz para todos os tempos.

Lhasa tinha uma forma única de se comunicar com seu público. Ela se atreveu a abrir seu coração no palco, permitindo que seu público vivesse uma experiência íntima de ligação e comunhão com ela.  

Um velho amigo de Lhasa, Jules Beckman, ofereceu as seguintes palavras: "Nós sempre ouvimos algo ancestral vinda através dela. Ela sempre falou do limiar entre os mundos, fora do tempo. Ela sempre cantava a tragédia humana e o triunfo. Ela colocou a sua vida aos pés do Invisível ".  

Nos dias posteriores à morte da cantora, nevou mais de 40 horas em Montreal.

26 de janeiro de 2010

Ferrovia Brasil - Acre - Peru: EU APÓIO!


A participação dos chineses nos projetos de construção da Ferrovia Transcontinental e do Trem de Alta Velocidade (TAV) foi defendida por parlamentares durante visita oficial à China ocorrida no período este mês. A Transcontinental ligará o Rio de Janeiro ao Peru, passando por Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás Mato Grosso, Rondônia e Acre. O Trem de Alta Velocidade ligará Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas.

Os trechos por onde passarão os trilhos da ferrovia ficam entre Uruaçu (GO) e Vilhena (RO), numa extensão de 1.500 km e da divisa do Brasil com o Peru, passando por Porto Velho (RO), Rio Branco, e Cruzeiro do Sul (AC).

Diversos ambientalistas concordam que a implantação de um sistema ferroviário causa menos impacto ambiental, do que a construção de rodovias. O acesso e transporte de produtos se dá igualmente ao rodoviário, com a inclusão de um grande apelo turístico, como acontece em Paranaguá - Paraná, por exemplo, com sua ferrovia que atravessa a serra.

Em Cruzeiro do Sul a expectativa é pela conclusão da BR-364, pelo término da ponte sobre o Rio Juruá, maior entre os estados amazônicos e pela conexão pacífico. É neste momento que podemos iniciar uma campanha para que esta ligação seja ferroviária, e não rodoviária. O acesso ao Peru, por Cruzeiro do Sul, necessariamente deverá cortar ao meio o Parque Nacional da Serra do Divisor, nada mais sensato que possamos optar por uma conexão menos impactante, como é a Ferrovia. 

A operação de uma Ferrovia Transcontinental aqui no Oeste Amazônico trará, certamente, um impulso turístico sem precedentes, já contabilizado o carisma da população e o apelo de conhecer nossa biodiversidade para poder conservá-la.

Países do chamado primeiro mundo, usam e abusam de suas ferrovias, elegendo-as como o transporte do futuro, o transporte limpo e ecologicamente correto. Por que não desenvolver estes cantões do país com esta mesma tecnologia limpa e ecologicamente correta? Temos tudo para brilhar na história como modelo de transporte amazônico, florestal, ecologicamente correto, que além de trazer o desenvolvimento, prejudica menos a natureza.

Apoie você também esta idéia, comente.

Tremor no Oeste Amazônico


Um terremoto com magnitude de 5,8 graus na escala Richter foi registrado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos, na noite desta segunda-feira, 25, a 230 quilômetros de Cruzeiro do Sul (AC), no extremo-oeste brasileiro.

O epicentro do tremor, ocorrido às 18h52 local (20h52 em Brasília), aconteceu em Pucallpa, no Peru, a 150 quilômetros de profundidade. O terremoto não foi sentido pela população de Rio Branco, a capital do Acre, mas causa preocupações.

-É importante saber como os construtores estão projetando edifícios para que sejam resistentes a terremotos no Acre, especialmente os de múltiplos andares - alerta o pesquisador americano Foster Brown, da Universidade Federal do Acre.

De acordo com Brown, o que importa é a frequência de terremotos na região e a sua energia. Ele sugere que órgãos como a Defesa Civil e o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia avaliem os os riscos.

25 de janeiro de 2010

Criação da UC Crôa/Lagoinha avança trazendo qualidade de vida para comunidade

Escrito por Luiz Mesquita, Assessoria Sismat  
Agência de Notícias do Acre - 22-Jan-2010 

Conservação através de serviços ambientais, desenvolvimento sustentável e qualidade de vida são os fundamentos para criação das Unidades de Conservação



Secretaria de Meio Ambiente fez levantamento socioeconomico de moradores da comunidade Valparaíso (Foto: Arquivo/Sema)
Atualmente existem 8 áreas destinadas à preservação ambiental ou uso sustentável que estão sob responsabilidade do Governo do Estado. São as Florestas Estaduais do Antimary, Mogno, do Rio Gregório e a do Rio Liberdade. Além do Parque Estadual Chandless, da ARIE Japiim-Pentecostes e das APAS do Lago do Amapá e do Igarapé São Francisco. Estas áreas são o grande marco emblemático de um estado que tem 82% da sua cobertura florestal intacta.

A criação de novas áreas estão previstas no Zoneamento Ecológico Econômico - ZEE e fortalecem o Sistema Estadual de Áreas Naturais Protegidas. Para isso o governo do Estado tem unido esforços junto às prefeituras e o ICMBIO. Podemos dar como exemplo mais duas comunidades que estão seguindo o caminho do respeito e harmonia com a floresta, a do Riozinho do Rola e a do Rio Crôa. Esta última está levando à diante, junto com a SEMA e parceiros, o processo de criação da Unidade de Conservação Crôa/Lagoinha, que fica na regional do Juruá, próximo ao município de Cruzeiro do Sul.

Os primeiros órgãos a se responsabilizarem por iniciar os encaminhamentos da criação da Unidade foram o INCRA e o IBAMA. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente - SEMA abraçou esta causa no ano de 2004 e desde então vem fortalecendo a parceria com as 250 famílias que serão beneficiadas pelo projeto.

Mesmo antes da conclusão do processo, as melhorias já podem ser sentidas. Em 2008 a Sema realizou um levantamento socioeconômico na área do Valparaíso. No mesmo ano foi realizado um mutirão na comunidade que chegou à marca de 1.300 atendimentos. Dentre estes podemos destacar 592 atendimentos médicos, emissão de 188 carteiras de identidade, 80 CPFs, 29 casamentos e 8 registros de nascimento. Para este ano estão previstas mais ações para promover a inclusão social e econômica dessas populações, atendendo ribeirinhos e extrativistas que nunca haviam recebido esses serviços.
Na comunidade Nova Era as crianças também participam de um projeto de educação ambiental desde 2007 (Foto: Arquivo/Sema)


De acordo com a Coordenadora do Departamento de Áreas Protegidas e Biodiversidade, Maria Aparecida Lopes, "o que se pretende alcançar é aumento da renda e acesso aos serviços sociais. Com essas ações pretende-se melhorar o índice de desenvolvimento da educação básica e aumento de atendimentos ambulatoriais em comunidades isoladas, essas ações visam auxiliar o processo de consolidação da Unidade de Conservação em criação, uma vez que, melhoras as condições de vida de famílias que mantém a conservação da nossa floresta".

Como Zona de Atendimento Prioritário, mesmo antes da conclusão do processo de criação da Unidade de Conservação do Crôa/Lagoinha, a comunidade da região já acessa vantagens e benefícios que fazem parte de da Política de Valorização do Ativo Ambiental Florestal do Projeto de Pagamento por Serviços Ambientais do Estado do Acre.

Produtores da região receberão apoio para escoamento e comercialização da produção (Foto: Arquivo/Sema)
Ainda como demanda da comunidade, a Secretaria capacitou 8 Agentes Ambientais Voluntários para agir na proteção da região e principalmente na conscientização da própria comunidade. Além do curso de associativismo e cooperativismo para lideranças comunitárias do Juruá, sendo 3 associações beneficiadas na UC em criação do Crôa. E na comunidade Nova Era as crianças também participam de um projeto de educação ambiental desde 2007. Todas essas ações são fruto do esforço do Governo para desenvolver as Zonas de Atendimento Prioritário do Estado (ZAPs),contando, inclusive, com a parceria do Ministério da Justiça juntamente com a comunidade.

"Haverá apoio para o escoamento e comercialização da produção. Estamos prevendo um aumento de 30% na renda das comunidades. O que colabora com o empoderamento da comunidade", reforçou Maria Aparecida. Seguindo o caminho do empoderamento das comunidades, o fortalecimento e preparação das lideranças são passos decisivos. Por este motivo a SEMA sempre incentiva os líderes da área do Crôa/Lagoinha a participar de eventos e cursos, como as oficinas do Sistema Estadual de Áreas Naturais Protegidas, I Encontro de Agentes Ambientais Voluntários e o Fórum da Amazônia Sustentável.

O processo de criação de uma Unidade de Conservação exige, entre outras coisas, que seja feita a regularização fundiária da área pleiteada. É nesta fase que o INCRA está trabalhando para seja logo concluída a regularização. Os seringais serão então desapropriados e repassados ao Governo do Estado. O governo do Estado está acompanhado esse processo, e tem implementado ações de fortalecimento comunitário, garantindo melhorias para consolidar a Unidade de Conservação no âmbito das Zonas de Atendimento Prioritário.

11 de dezembro de 2009

Amazônia mais quente e seca

Estudo do Inpe e do Met Office, do Reino Unido, aponta impactos do aquecimento global e do desmatamento na Amazônia sobre o clima brasileiro (Nasa)

Agência FAPESP – Dados preliminares do projeto Mudanças Climáticas Impactantes no Brasil, colaboração entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Met Office Hadley Centre, do Reino Unido, indicam que o aquecimento global e desmatamentos podem causar grande impacto na floresta amazônica e também afetar o clima local e regional.

Além disso, de acordo com o Inpe, reforçando conclusões de estudos anteriores, a pesquisa aponta que o desmatamento em grande escala poderá tornar o clima mais quente e seco.

Se mais de 40% da extensão original da floresta amazônica for desmatada, pode significar a diminuição drástica da chuva na Amazônia Oriental. Esse percentual, ou aquecimento global entre 3°C e 4°C, representaria o tipping point, ou seja, o ponto a partir do qual parte da floresta corre o risco de entrar em colapso.

O projeto foi apresentado nesta quarta-feira (9/12) durante evento do Met Office na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), em Copenhague.

O estudo foi desenvolvido a partir de modelos climáticos do Inpe e do centro britânico, que indicam um aquecimento maior nas regiões tropicais amazônicas em relação ao aumento médio de temperatura projetado para as áreas continentais do planeta.

Outro resultado importante é a tendência de tropicalização do clima em parte do Brasil, com duas estações ao ano. Nesse cenário, a primavera pode se tornar tão ou mais quente que o verão em algumas regiões hoje de clima subtropical.

“Esses impactos são extremamente importantes porque reduções de precipitação nas bacias levarão à diminuição da geração de energia hidrelétrica. Os modelos mostram que concentrações mais baixas de dióxido de carbono na atmosfera causam menor aquecimento e, portanto, menos impactos nas chuvas e nos regimes de temperatura e de extremos de clima. Talvez para o Brasil a melhor opção de mitigação dos efeitos do aquecimento global seja reduzir o desmatamento tanto quanto possível”, disse José Antonio Marengo, coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Mudanças Climáticas do Inpe.

Também é importante ressaltar que os próprios impactos do desmatamento são maiores em condições de seca. Por conta disso, reduzir o desmatamento ajudaria a manter a floresta mais resistente num clima sob mudanças. Pelo Inpe participam do projeto os pesquisadores Carlos Nobre, Gilvan Sampaio, Luiz Salazar e Marengo.

Enquanto o modelo climático global do Hadley Centre é usado para projetar mudanças do clima em todo o mundo, o modelo climático regional do Inpe fornece maiores detalhes sobre o Brasil para níveis diferentes de aquecimento global.

Mais informações: www.inpe.br

5 de dezembro de 2009

Você venderia seus velhinhos?


Na primeira década do nosso novo século melhoramos em muito a relação com os idosos, seres humanos da terceira idade. E com os velhinhos da natureza?


Os indivíduos, expostos na caixa da foto, se tivessem suas idades somadas, o resultado seria mais ou menos 500 anos. Cada um ali ou é um sexagenário ou está perto disso. Fiquei chocado ao flagrar isto em uma feira no centro do Recife, uma dúzia de cactos coroa-de-frade, dentro de uma caixa, uma entre algumas por alí, sendo vendidos a, no máximo, 5 reais (os maiores). Para ele chegar com este preço, provavelmente quem coletou lá no meio do sertão, deve ter ganho 0,50 centavos ou menos por cada um arrancado.


Assim, vem a pergunta: você venderia seus velhinhos? Exporia eles em praça pública?

4 de dezembro de 2009

Fim do desflorestamento na Amazônia

Agência FAPESP – O surgimento de duas oportunidades históricas pode diminuir e até mesmo acabar com o processo de desflorestamento na Floresta Amazônia. A constatação está em artigo publicado por cientistas do Brasil e dos Estados Unidos na nova edição da revista Science.

Daniel Nepstad, do Woods Hole Research Center (Estados Unidos), da Universidade Federal do Pará e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, e colegas discutem as duas oportunidades que não podem ser perdidas.

A primeira é o compromisso do governo federal brasileiro, anunciado em 2008, de reduzir o desflorestamento na Amazônia em 80% até 2020. Iniciativa que conta com apoio das Nações Unidas e da Noruega, que se comprometeu a doar até US$ 1 bilhão para o Fundo Amazônia.

Gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o fundo tem por finalidade captar doações para investimentos não-reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de promoção da conservação e do uso sustentável das florestas no bioma amazônico.

A segunda oportunidade, segundo os autores, são as mudanças recentes nas indústrias de carne e soja, principais motores do desflorestamento amazônico, que começaram a cortar de suas cadeias produtivas empresas que lucram com o desmatamento.

“De acordo com nossa análise, esses desenvolvimentos recentes finalmente tornaram viáveis o fim do desflorestamento na Amazônia brasileira, o que poderá resultar em uma redução de 2% a 5% nas emissões globais de carbono”, destacaram os autores.

Nepstad e colegas estimaram os custos de um programa de dez anos para acabar com o desflorestamento e destacaram os benefícios dessa diminuição, como redução nas queimadas, na poluição do ar, em enchentes e na perda da biodiversidade, entre outros.

O custo estimado estaria entre US$ 7 bilhões e US$ 18 bilhões, incluindo apoio a comunidades locais e melhoria no gerenciamento na fiscalização de áreas protegidas. O montante poderia ser compensado, apontam os autores, por mecanismos como a Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação (REDD), em negociação no tratado climático das Nações Unidas, ou o recebimento de créditos de carbono.

O artigo The End of Deforestation in the Brazilian Amazon, de Daniel Nepstad e outros, pode ser lido por assinantes daScience em www.sciencemag.org.

3 de dezembro de 2009

Linha do Tucum - Artesanato Amazônico, lançamento de livro.


No próximo dia 3 de dezembro, às 19 horas, será inaugurada na Biblioteca da Floresta Marina Silva, a exposição que apresenta ao público os resultados do projeto “Linha do Tucum, Artesanato Amazônico”, realizado pelo Instituto de Estudos da Cultura Amazônica - IECAM e patrocinado pela Petrobras / MinC, que está sendo desenvolvido no coração da floresta amazônica, fronteira entre o Acre e o Amazonas no Médio Juruá, região considerada de megadiversidade biológica, conforme Relatório da Biodiversidade Brasileira.

O projeto buscou favorecer o desenvolvimento socioeconômico de comunidades do Vale do Juruá, através da valorização do conhecimento tradicional de fiação da fibra da palmeira Tucum (Astrocaryum chambira), e da capacitação de artesãos locais na confecção de produtos artesanais, utilizando como matéria-prima sementes, fibras e outros recursos florestais não-madeireiros.

A comunidade Vila Céu do Juruá, é formada por ex-seringueiros, ribeirinhos e agricultores e está ligada por laços culturais a outras quatro comunidades, totalizando 350 pessoas. Localiza-se, no seringal Adélia, a um dia e meio de barco do município amazonense de Ipixuna, e a três dias de barco de Cruzeiro do Sul no Acre, ocupando uma área de cerca de três mil hectares, recoberta pela Floresta Pluvial Amazônica, sendo uma região riquíssima em ambientes distintos, com três grandes lagos e inúmeros igarapés.

No universo simbólico de diversas comunidades amazônicas, a linha do Tucum é considerada a “Linha da Lealdade”, pois tem grande resistência e nunca se rompe. A arte de fiação da fibra dessa palmeira constitui-se numa técnica ancestral herdada dos povos indígenas, entre eles os kulina e os katukina, do Vale do Juruá.

Até meados da década de 1950, a linha do Tucum era o único recurso que se dispunha na floresta para a fabricação da linha artesanal, utilizada na confecção de redes de dormir, linhas de pesca, malhadeiras (tarrafas), cordas, roupas e utensílios. A linha do Tucum e todos os produtos confeccionados a partir dela são naturalmente biodegradáveis, não representando riscos para o ciclo da vida nas florestas.

Com a chegada do nylon essa cultura foi sendo esquecida assim como outros saberes e fazeres tradicionais ligados à sobrevivência das populações da floresta. Se por um lado a produção industrial trouxe praticidade, por outro ela tem sido responsável pelo fim de técnicas seculares, tradições e formas de organização do trabalho, das quais, o conhecimento tradicional associado ao uso da linha do Tucum constitui um exemplo emblemático.

A valorização desse conhecimento e de outros saberes e fazeres a ele associados, como o manejo florestal e o beneficiamento de sementes, fibras e outros produtos florestais não madeireiros, é sem dúvida uma das melhores maneiras de se manter a floresta em pé, aliando o uso à conservação, contribuindo para a construção de um modelo sustentável de ocupação dos ambientes amazônicos.

A exposição Linha do Tucum: artesanato da Amazônia, organizada pela Biblioteca da Floresta Marina Silva, certamente surpreenderá como importante empreendimento de sistematização e valorização de técnicas consideradas já em desaparecimento e que passarão a ter um valor extraordinário nos próximos anos.

A exposição permanecerá durante todo o mês de dezembro, onde serão apresentados os produtos artesanais da comunidade. Estão previstos também o lançamento do livro “Viagens ao Juruá”, do líder comunitário Alfredo Gregório, e a apresentação de um DVD que registra os trabalhos realizados durante o projeto. O público terá a oportunidade de conhecer melhor os costumes dos povos da floresta, as espécies utilizadas no artesanato da região e seus múltiplos usos.

17 de novembro de 2009

Protesto dos alunos da UFAC - 10/11/2009


Protesto dos alunos da UFAC, no Campus Floresta, solicitando mais professores, mais livros, biblioteca funcionando decentemente, mais transporte, mais bebedores, laboratórios funcionando. Estou aderindo ao protesto pois estou muito chateado com o funcionamento da estrutura de ônibus para as saídas de campo. Marquei uma saída há 60 dias e dois dias antes vieram me dizer que não tinha motorista, e que ia ficar por isso mesmo. Cinco cursos da UFAC necessitam de saídas de campo, mas desse jeito, os alunos nunca verão a prática de campo ser realizada de fato.

A matéria do Jornal Juruá On line está aqui.
Mais fotos abaixo:








13 de novembro de 2009

Personalidades Públicas enviam carta ao presidente pedindo que a BR-319 não seja construída

13/11/2009
Local: São Paulo - SP
Fonte: Amazonia.org.br
Link: http://www.amazonia.org.br


Políticos, ambientalistas, cientistas, representantes de organizações e pesquisadores divulgaram hoje (13) uma carta que foi enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo o cancelamento do projeto que pretende reconstruir a BR-319, que ligará Manaus (AM) a Porto Velho (RO). A obra está nos planos do governo e já foi sinalizada como prioridade alta dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O documento foi resultado de uma oficina realizada nos dias 5 e 6 de novembro na Universidade de Chicago, por iniciativa do seu Centro para a América Latina. Ao final do evento "Políticas Ambientais, Movimentos Sociais e Ciência para a Amazônia" os participantes decidiram por unanimidade encaminhar uma moção ao governo brasileiro solicitando a não construção da Rodovia.

"A decisão é urgente e imperativa, antes que a atração populacional resultante do simples anúncio da obra acabe se transformando em justificativa para sua existência", diz o documento. Afirmam também que "não existem justificativas econômicas que suplantem os custos ambientais de conectar o eixo do desmatamento com o coração florestal da Amazônia, a área mais preservada da região, levando para Manaus os problemas ambientais presentes em Rondônia".

Para tentar viabilizar a obra o Ministério do Meio Ambiente (MMA) usa como argumento as Unidades de Conservação (UCs) que serão construídas no entorno da estrada e já apelidou o projeto de "estrada parque". Contrariando os argumentos, especialistas afirmam na moção que apesar das Ucs contribuírem para controlar o impacto do desmatamento em nível local, isso não evitaria o deslocamento de frentes de expansão predatórias.

O Tribunal de Contas da União também já pediu a paralisação desta obra, além de outras oito na Amazônia. No projeto foram encontradas irregularidades como sobrepreço, ausência de licenciamento ambiental e obra licitada sem Licencia Prévia. Caso seja asfaltada a estrada, abandonada há mais de 20 anos, pode ampliar os problemas socioambientais na região onde ela se encontra, como conflito de terras, desmatamento e grilagem.

Participaram da conferência em Chicago e assinam o documento o ex-governador do Acre, Jorge Viana, do PT; Bertha Becker, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Academia Brasileira de Ciências; Tatiana Sá, da Diretoria Executiva da Embrapa; Mary Allegretti, ex-Secretária da Amazônia do Ministério do Meio Ambiente, no governo FHC e Lula; Foster Brown, do Parque Zoobotânico do Acre e do Instituto Woods Hole; Sonia Bone Guajajara, vice-coordenadora da COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia); Mauro Barbosa de Almeida, da UNICAMP; Philip Fearnside, do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e da Academia Brasileira de Ciências; Ricardo Paes de Barros, do IPEA; Marianne Schmink, da Universidade da Flórida e coordenadora do Programa Tropical Conservation and Development; Ane Alencar, do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia); Roberto Smeraldi, da organização não governamental Amigos da Terra-Amazônia Brasileira e Manuela Carneiro da Cunha, da Universidade de Chicago e da Academia Brasileira de Ciências.

BR 319

A construção da BR-319 aconteceu na década de 1970, entre os anos de 1972 e 1973. Anos mais tarde o projeto foi abandonado e foi se degradando aos poucos, pela ausência de manutenção, até torna-se intransitável. A proposta de reconstrução da rodovia surgiu em 1996, quando foi incluída como uma das metas do Plano Brasil em Ação, do governo Fernando Henrique Cardoso.

Atualmente o governo tenta um processo de pavimentação da estrada, o que tem sido amplamente criticado por entidades ambientais, devido aos enormes impactos ambientais e sociais não abordados nos estudos governamentais.

Organizações da área ambiental divulgaram uma nota pública contra o processo de licenciamento e audiências que não foram legítimas, afirmam em nota que o processo não foi "conduzido de forma transparente. Não houve prazos para a leitura, entendimento e análise destas mais de 3000 páginas que compõe o EIA-RIMA. Não foi respeitada a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho sobre a consulta às populações tradicionais"

Para ler a recomendação do MPF clique aqui.

Leia a Carta Aberta ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Respeito da BR 319

4 de novembro de 2009

Personalidade: Nilson Mendes




Há exatos dez anos atrás:

O Nilson Mendes (na foto ao lado, acessada desta reportagem aqui, que conta um pouco sobre ele), foi o responsável pela minha vinda definitiva para o Acre. É. Você não sabia desta história? Pois foi assim mesmo..(sempre conto para todos os meus alunos no primeiro dia de aula, como eu vim parar no acre e tal).

Pois então, em 1999, estava eu, recém formado biólogo, em um encontro na cidade de Piracicaba, interior de São Paulo. No Congresso nacional de etnoecologia e etnobotânica. Lá, assisti uma palestra do Nilson, sobre Manejo Florestal. Adorei a palestra, o jeitão dele, e as histórias da vida dele no Acre. Ao fim da palestra fomos tomar uma cervejinha na beira do rio que passa ali em Pira, e conversa vai conversa vem falei que ia visitá-lo logo logo, e perguntei como podia fazer isso. Ele a princípio não acreditou, mas me deu as dicas, enfatizando que eu tinha que ir ao INCRA pedir autorização e tal.

Assim, comecei a amadurecer a idéia, e logo um ou dois meses depois, com as dicas do meu amigo Postigo, estava desembarcando aqui, na capital do Acre. Ao chegar no aeroporto, peguei um ônibus até o Casa do Seringueiro, dica do Postigo para passar a noite e me informar como chegar no Seringal Cachoeira, reserva extrativista onde nasceu e passou grande parte da juventude o Chico Mendes e onde o Nilson mora. A Casa do Seringueiro ficava onde hoje está o Café do Memorial dos Autonomistas, naquela esquina alí. Chegando lá, me falaram que para chegar em Xapuri e no Seringal Cachoeira devia ser de ônibus mas antes teria que passar no INCRA e conseguir autorização. Eu bem sem grana, fui ao prédio do lado, que hoje é a Biblioteca Pública (muito linda por sinal, acabei de conhecer) pedir apoio. Consegui apoio, um táxi que me levou até o INCRA, uma cartinha de recomendação, uma estadia de hotel, refeição para aquela noite e de quebra, um botton do governo (aquele botton da arvorezinha).

Por ali, na praça ao lado da atual Biblioteca, ficava a casa dos povos da floresta. Lá comprei um livrinhos e conheci um senhor que me deu a dica de um trabalho na Barquinha, naquela mesma noite. E lá fui eu conhecer a Barquinha, que foi maravilhoso, muito legal mesmo. No outro dia, no INCRA, fui recebido pelo diretor, em reunião super formal e ele me deu de próprio punho, autorização para circular na Reserva. Depois dali, caminhei até o segundo distrito, local da estação rodoviária e me toquei pra Xapuri. Viagem interessante, mas estava preocupado, pois ao longo de toda a estrada só via mesmo era gado e pasto, gado e pasto - me perguntava: aonde está a floresta???

Em Xapuri, conheci a casa do Chico e pedi, na casa da associação dos trabalhadores rurais, abrigo para passar a noite, que fui de pronto atendido. Dia seguinte, partia o caminhão caçamba até o Seringal, e lá fui eu, junto com vários moradores, sacolejando três horas em cima do caminhão. Ali eu já pensava, aqui começa minha aventura. Chegando no Seringal, Projeto de Assentamento Agro-extrativista (PAE) Chico Mendes, de pronto uma festa. Não lembro bem o motivo, mas tinha forró, sanfona..pensei, estou em casa! Peguei um triângulo e um copo de pinga e cai no bailado. Pouco tempo depois chegou o Nilson, na verdade ele havia chegado de viagem de São Paulo naquela mesma semana! Quase nos desencontramos. Ele ficou surpreso em me ver, imagine. Ai falei: - Eu disse que vinha, pois aqui estou!. Logo ele me levou para casa dele, a família não estava, mas nos arranjamos almoçando na casa dos parentes e amigos. Na noite, na rede, quase não dormi com os morcegos cagando na minha cabeça; é primeira noite no seringal ninguém esquece.

E assim foram dez dias acompanhando o Nilson pra cima e pra baixo. Conheci diversos amigos, primos e irmãos dele. Ouvi muitas histórias (algumas até já publicadas aqui no Blog, como a do jogo da onça), caminhei muito na floresta, participei com eles de atividades de manejo florestal, marcando parcelas, identificando árvores. Fui à caça! Me perdi em uma estrada de seringa, passei a manhã perdido! Tive medo da pico-de-jaca. Joguei bola com a criançada. Caminhei mais um tanto na floresta. Tomei vários banhos de igarapé. Enfim, tudo, total imersão no modus vivendi seringueiro.

O que mais me marcou foi o fato que eu emburreci do nada. Fiquei totamente ignorante. Eu, recém formado em Biologia, no meio de vários seringueiros, me senti o cara mais burro no mundo. Não conseguia falar nada, colocar uma opinião, nada, dar um palpite. As pessoas transpiravam floresta, respiravam floresta, falavam da floresta 24hs por dia e eu só sorvendo aquele conhecimento. Na verdade, sei lá, 70% ficou lá, não tive condições de absorver, era muita coisa para um ser-humano-citadino só. E ao mesmo tempo, aprendi muito, muito mesmo, quase tudo ainda lembro, está gravado dentro do meu íntimo. Graças ao Nilson, às pessoas que conheci no seringal Cachoeira em final de 1999, hoje estou aqui, morando aqui. Lá, pouco antes de ir embora, ouvindo a Dona Cecília contar a história do Chico, sentadinho no mesmo lugar em que o Chico, quando pequeno, sentava, tomando o cafezinho doce que só no seringal tem. No mesmo lugarzinho aonde o Chico aprendeu a ler e escrever mais tarde. Sentado lá eu prometi pra mim mesmo, é aqui, é aqui que eu ei de trabalhar e de viver. Pronto pra ir embora, desatei a chorar, chorei pois minha maior lição ali foi reaprender a olhar, olhar igual aos olhares deles, olhares sem maldade, puros, olhares até hoje marcados na minha memória.

Obrigado Nilson, obrigado por me ensinar tudo que me ensinou lá, por continuar ensinando tanta gente a gostar, amar a floresta, por me fazer ver a humildade do povo da floresta e por me trazer até aqui. Um dia nos encontraremos de novo.

Rio Branco, 4 de novembro de 2009.

Universidade da Floresta 5 anos. Parte 2.

Uma das cenas mais lindas do nosso Campus. A paisagem que se enxerga do outro lado do laguinho, do açude, tão negligenciado por todos, tão esquecido. A maior parte dos alunos e alguns professores nem dão bola pro nosso laguinho, e nunca viram a cena acima de uma beleza única. O pôr-do-sol com os prédios de sala de aula e a biblioteca ao fundo.

Ai a vista da cantina, pequena, mas confortável.

Alguns alunos no intervalo de almoço, estudando, ouvindo brega e conversando. Realmente ainda faltam outros espaços de convivência no Campus, espero que logo os mesmo estejam disponíveis para usufruto de todos.

No almoço o pessoal vai sentando pelos corredores, para passar o tempo até o início das aulas da tarde. Muitos não tem como ir e voltar neste intervalo de meio-dia, pois o horário de ônibus é bastante apertado. O jeito é trazer sua marmitinha de casa, achar um cantinho e almoçar. Na foto está o módulo de laboratórios didáticos.

Ao fundo pode-se ver a cantina. À direita está o Restaurante Universitário, infelizmente ainda não funcionando. Este corredor, depois de emendado, fará ligação com o prédio novo de salas de aula e com os prédios de pesquisa - fotos abaixo.

Esta vista mostra à direita, em primeiro plano, o prédio inacabado do Instituto da Biodiversidade, um pouco mais além, também a direita, o prédio de pesquisa, com os laboratórios de pesquisa. Ao fundo, o prédio parcialmente terminado de salas de aula.

O Instituto da Biodiversidade, ainda em fase de construção.

O prédio dos laboratórios de pesquisa.
Outra vista do prédio novo das salas de aula, que vem para suprir uma carência de espaço, já defasado.

18 de outubro de 2009

Acre convoca população para compor plano de águas


Local: Brasília - DF
Fonte: WWF Brasil
Link: http://www.wwf.org.br


O Governo do Estado do Acre lança, hoje (15/10), em Rio Branco, um kit de materiais de comunicação que irá apoiar a elaboração participativa do Plano Estadual de Recursos Hídricos, uma experiência inédita no Brasil no que tange à gestão das águas em nível estadual.

O kit – produzido com apoio do WWF-Brasil – inclui uma cartilha, destinada aos agentes multiplicadores do processo, um folder explicativo e quatro spots de rádio para veiculação no estado. A cartilha será utilizada para treinamento em 66 comunidades, sendo 44 em áreas críticas de conservação e outras 22 em áreas conservadas. Cerca de 150 multiplicadores participarão de todo o processo de treinamento e informação da população.

Os spots de rádio têm como objetivo informar a população em geral – com anúncio sobre a construção participativa do plano – , produtores rurais, população urbana e gestores públicos – com uma convocação específica destes três últimos públicos à participação efetiva no processo.

De acordo com Glauco Freitas, coordenador substituto do Programa Água para a Vida, a expectativa do WWF-Brasil é de que, feito o diagnóstico das águas no Acre, o Plano Estadual de Recursos Hídricos venha reforçar programas e ações para conservação e recuperação das bacias e, principalmente, apresente propostas de adaptação frente aos possíveis impactos das mudanças climáticas sobre os recursos hídricos.

“Além disto, é importante que o Plano esteja integrado com o Zoneamento Econômico Ecológico, harmonizando diretrizes de uso de solo e de água nas microbacias do estado”, destacou Glauco.

O Plano Estadual de Recursos Hídricos do Estado do Acre será o primeiro da Amazônia, uma região em que ainda não são graves nem tão urgentes a escassez e os conflitos por recursos hídricos. Glauco Freitas destacou a postura proativa do governo do Acre que elege a gestão de recursos hídricos como questão importante e se antecipa aos impactos eventualmente causados pelas mudanças climáticas, que poderão mudar drasticamente o cenário atualmente confortável da região no que tange à água, como se viu durante a seca de 2005.

Anseios e saberes
Para o técnico especializado do WWF-Brasil Angelo Lima, responsável pelos projetos demonstrativos de governança da água na ONG, é importante que o Plano tenha uma excelente participação da sociedade e possa refletir os desejos e anseios da população acreana, com relação aos desafios e oportunidades para a gestão das águas.

“É importante que o Plano também tenha a percepção social. Além dos estudos técnicos, é preciso integrar saberes para que a sociedade acreana possa se sentir parte deste processo”, disse Angelo, lembrando que, no caso do Acre, é preciso levar em consideração as comunidades indígenas, e também o fato de que o Rio Acre é transfronteiriço, ou seja, passa por três países (Bolívia, Peru e Brasil). A expectativa do governo acreano é a de que o plano seja concluído até julho de 2010. Neste caso, o técnico alerta para que a implementação tenha início logo em seguida. “Diversos planos não consideram, de forma apropriada, a sua implementação e é fundamental dar atenção a esta fase”.

O técnico especializado do WWF-Brasil em Cuiabá, Alberto Tavares Pereira Júnior, acredita que existe um aspecto inovador nessa ação que é a garantia da participação da população através da divulgação ampla pelos meios de comunicação do processo de elaboração do Plano Estadual de Recursos Hídricos. “Isto mobilizará a sociedade a contribuir ativamente nas etapas de construção do plano e não somente tomar conhecimento do que já estaria pronto”, avalia.

16 de outubro de 2009

Retrospectiva Universidade da Floresta 5 anos. Parte 1.


Este ano o Curso de Letras da Universidade Federal do Acre comemora 20 anos. O ensino regular no processo de interiorização da UFAC começa em 1989, aqui em Cruzeiro do Sul, com a criação do Curso de Letras. Mais além o Curso de Pedagogia é criado. Anos depois, com o Projeto da Universidade da Floresta, novos cursos são somados aos já existentes. O processo para definição de quais cursos foi democrático e contou com a participação popular, nos Fóruns dos Povos da Floresta e Reuniões da Universidade da Floresta em Cruzeiro do Sul.

No prédio do Bairro Eletroacre foi a primeira sede do Campus Floresta - nome dado ao novo Campus da UFAC. Aqui onde tudo começou. Em março de 2006 iniciam as aulas dos cursos de Enfermagem, Engenharia Florestal, Ciências Biológicas. Tem continuidade os cursos de Letras e Pedagogia.


Esta foi a primeira sala administrativa do Centro Multidisciplinar, e de todas as novas coordenações dos cursos recém criados.

Havia no Canela Fina - bairro distante 12km do Centro - precárias instalações construídas em 2002 para abrigar os cursos de Letras e Pedagogia que acabaram não sendo utilizadas. A imagem acima é de janeiro de 2006.

Tem-se início em maio de 2006 a reforma dos prédios existentes e a construção de novos prédios, que em bem pouco tempo já se mostraram insuficientes para abrigar todo o corpo administrativo e a quantidade de novos alunos.


A Reforma foi acelerada com diversos prédios sendo construídos. O estacionamento foi o último e talvez por isso, ou apesar disto, não previram nenhuma árvore. Depois de 3 anos já podíamos ter sombra.
Obras do prédio de salas de aula, maio de 2006, Campus Floresta, Cruzeiro do Sul Acre.

Na época um principal obstáculo devia ser superado, o acesso. Foi superado em partes, é tudo asfaltado mas o serviço de transporte público ainda é muito precário.


Uma vista aérea do Campus Floresta em julho de 2006.

O prédio da Biblioteca em 2007 quando foi construído. É a maior biblioteca do oeste do Acre.

Vista da fachada geral do Campus, em 2008. Neste ano inicia a construção dos prédios novos de salas de aula mais laboratórios didáticos. Mas esta história é um outro post.

14 de outubro de 2009

Tataraneta de Darwin refaz percurso do biólogo no Brasil

13/10/2009 - 20h31
Fonte: Agência Estado

Rio - O veleiro holandês Clipper Stad Amsterdam, que há quarenta e cinco dias começou a refazer o percurso traçado por Charles Darwin há 178 anos, aportou no Rio de Janeiro. Um grupo de biólogos, do qual faz parte a tataraneta do naturalista, Sarah Darwin, quer chamar a atenção para a importância da preservação da natureza.
"Se, muitos há anos atrás, Darwin descreveu a origem das espécies, hoje estamos preocupados com a preservação das espécies e o ambiente em que vivem", disse Johan van de Gronden, diretor da ONG WWF, um dos patrocinadores do projeto.

A viagem está sendo gravada e apresentada em 35 episódios em canal de tevê da Holanda e da Bélgica. Além da equipe de produção da série, cerca de 50 pesquisadores de várias partes do mundo, entre paleontólogos, biólogos e até mesmo teólogos, visitam o barco e tratam de temas que tenham a ver com os estudos de Darwin.

"A discussão entre a Teoria da Evolução e o Criacionismo é perda de tempo. O importante é preservar a partir de agora. A humanidade não tem o direito divino de destruir a natureza", defende Sarah.

O veleiro vai percorrer 12 países, com quatro paradas no Brasil, exatamente como Darwin fez - a diferença é que o naturalista viajou por cinco anos, o grupo fará o trajeto em sete meses. "Ele visitou vários lugares importantes, viu as formações rochosas de Cabo Verde, fósseis de animais gigantes na Argentina, as aves de Galápagos. Mas pode-se dizer que as passagens de Darwin pela Mata Atlântica foram as mais importantes. É uma floresta tão diversa. Em um hectare há mais espécies de árvores do que em toda Grã-Bretanha", compara.

No Brasil, as primeiras paradas da equipe foram em Fernando de Noronha e Salvador - onde foi preciso viajar mais três horas de carro para se chegar à floresta. No fim da semana, o veleiro parte para a Argentina.

7 de outubro de 2009

Cruzeiro do Sul fabrica a melhor farinha do País

Da Agência Amazônia de Notícias

TER, 06 DE OUTUBRO DE 2009 08:44

Mas a comercialização não compensa o esforço dos pequenos produtores, lamenta o prefeito

MONTEZUMA CRUZ
montezuma@agenciaamazonia.com.br

CRUZEIRO DO SUL, AC – Alto-falantes das lojas anunciam as ofertas na manhã de sábado nesta movimentada cidade do extremo-oeste brasileiro. "Venha participar do arraial de ofertas da Cruzeirense. Temos os melhores planos para você", ouve-se num deles. São 8h e o comércio está com todas as portas abertas, apresentando promoções numa mistura de sotaques de locutores nativos e de sulistas.

serieac070809bNa segunda cidade mais importante do Acre, onde se fabrica a melhor farinha de mandioca do Brasil, a goma custa R$ 5 o litro, farinha é vendida a R$ 65 a saca de 50 quilos, beiju e tapioca a R$ 1 e R$ 2 a unidade, em tamanho pequeno e grande; e a farinha de coco a R$ 120. Cruzeiro do Sul é chamada de "meca da farinha", um reconhecimento manifestado por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no estado e de Cruz das Almas (BA).

A farinha vendida nos cinco mercados municipais de Cruzeiro vem das colônias pelos ramais (vicinais) de chão batido, acomodada no chão das camionetes paus-de-arara ou em carros particulares e pequenas embarcações. Alcança, por rodovias e embarcações fluviais, os estados de Rondônia, Mato Grosso e Amazonas.

Torrada duas vezes

Cruzeiro do Sul fica no Vale do Juruá, a cerca de 700 quilômetros de Rio Branco, é a porção nordestina mais expressiva do Acre. Aqui, seus pequenos fabricantes utilizam a matéria-prima com um jeito especial. "A farinha de coco é torrada duas vezes e demora mais" explica dona Maria Gomes de Oliveira, 60 anos, mãe de 12 filhos "todos vivos", quase todos farinheiros. Ela tem banca no Mercado Samambaia e recebe o produto da Colônia Belo Jardim, na saída para o município de Rodrigues Alves.

"Em média, cada produtor fabrica três a quatro sacas por dia. Tem qualidade muito boa, tanto que sempre vendem outras farinhas por aí, como se fosse a nossa", explica Cleomildo Cunha, 53, encarregado da administração dos mercados.

Pesquisa Mensal da Cesta Básica divulgada no mês passado pelo Governo do Acre indicou redução de 24,2% no custo dos alimentos no índice acumulado de julho e agosto em Cruzeiro do Sul. Na comparação com julho, o gasto com a cesta básica caiu 15,92% em agosto, confirmando o impacto positivo da reabertura da rodovia BR-364.

serieac070809Secretário de agricultura
quer diversificar produção

CRUZEIRO DO SUL – Mesmo com incentivos oficiais e a breve construção da extensão do Núcleo de Tecnologia da Mandioca pela Embrapa, o prefeito Vagner Sales reuniu-se com gerentes do Ibama e do Instituto Chico Mendes, para buscar alternativas agrícolas. Não significa um cansaço da farinha, mas a oportunidade para se abrir nova frente de comercialização, ele admite. O prefeito também quer incentivar o plantio de açaí e cupuaçu.

Com sede em Rio Branco, o núcleo é um projeto viabilizado por uma emenda parlamentar individual de R$ 5,8 milhões do deputado Fernando Melo (PT-AC). Suas atividades consistirão na promoção de treinamento, uso e manutenção de microtratores e trituradora de capoeira, e transferência de tecnologia aos pequenos agricultores do Juruá. "Proponho o aproveitamento múltiplo da raiz e principalmente da parte aérea da planta, que rende manipueira (líquido leitoso da mandioca), mas há anos é desperdiçada nesta região e também no Vale do Purus", explica o deputado.

Baixa cotação

Numa das reuniões para ouvir os agricultores, o secretário municipal de Agricultura Erni Dombroswski avaliou com 370 famílias da Reserva Extrativista do Rio Liberdade, a possibilidade de escoamento da safra com transporte custeado pelo município. Moradores das localidades de Uruburetana, Carlota de Baixo, Carlota de Cima e Tatajuba já se beneficiam disso. Eles mandam para o porto de Cruzeiro toda a produção agrícola num barco com capacidade para 12 toneladas, alugado pela prefeitura.

Prefeito e secretário perceberam que os pequenos produtores passam um ano e meio cultivando mandioca para as casas de farinha, mas só obtêm R$ 30 pela saca de 50 Kg. "Enquanto isso, em apenas quatro meses o agricultor vende uma saca de arroz por esse mesmo valor, ou seja, ganham pelo menos quatro vezes mais que o negócio com a farinha", salienta.

Outro fator para a diversificação é a falta de milho na região. Segundo o secretário, a produção desse grão se dá num ciclo de apenas três meses. Atualmente, avicultores do município compram fora do estado, pagando fretes caros. "No máximo em quatro meses, os agricultores do Rio Liberdade podem plantar, colher e vender uma saca de 50kg por R$ 30,00, com um lucro superior ao obtido com a farinha", acrescenta. (M.C.)

9 de setembro de 2009

Proposta da ABC para a Amazônia no site do Banco Mundial

Proposta da ABC para a Amazônia no site do Banco Mundial

FONTE: Site da Academia Brasileira de Ciências

8/09/2009

O Acadêmico Carlos Nobre, climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), publicou um artigo no site do Banco Mundial tratando da revolução científica e tecnológica proposta pela Academia Brasileira de Ciências e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) para a Amazônia.

O texto de Nobre resume as propostas contidas em documento elaborado em 2008 por grupo da ABC, do qual fez parte. Deste ponto de vista, os desafios trazidos pelas mudanças climáticas globais são uma oportunidade única para os países tropicais, ricos em recursos naturais, se tornarem potências ambientais.

Na Amazônia está a maior floresta tropical do planeta, distribuída por oito países. Nos últimos 40 anos, de acordo com o autor, a região foi sujeita ao desmatamento, aquecimento global e incêndios florestais, que não trouxeram riqueza nem qualidade de vida para os povos amazônidas. Na última década, a emissão de dióxido e carbono originada na Amazônia correspondeu a quase 2.5% das emissões globais nesse período, dada a ocupação da região com plantações de soja e pastos para gado.

O desafio agora é conciliar a manutenção de parte da atividade agrícola tradicional em áreas já devastadas com uma nova visão da utilização dos recursos naturais renováveis e com a valorização dos serviços ambientais dos ecossistemas. E para isso é preciso que a realização de uma revolução científica e tecnológica na Amazônia se torne a prioridade estratégica nas políticas de desenvolvimento regional. "Agregar valor ao coração da floresta", nas palavras da Acadêmica Bertha Becker, também membro do grupo que elaborou o documento da ABC, será o maior desafio para a comunidade científica brasileira nos próximos 20 anos.

Leia o artigo na íntegra e atenção: o Prof. Carlos Nobre fará uma palestra intitulada Mudanças Climáticas e Amazônia, no dia 18 de setembro, 6a feira, no Auditório do BNDES - na Av. Chile, 100, no Centro do Rio de Janeiro, dentro da programação científica do Ano da França no Brasil.

Todas as matérias deste site podem ser reproduzidas, desde que citada a fonte.

5 de setembro de 2009

Causos applemaníacos

“Causos da Apple”

Essa aconteceu em 2005. Somente uma de várias que eu já passei com as minhas maquininhas. Havia recém me mudado para cá, Acre, Amazônia, e além dos meus MACs, trouxe meu cão Corisco, um pastor alemão bem grande. Na primeira casa, não havia escritório então trabalhava com o iBook na mesa da sala, além de jantar também por ali. Uma bela noite, sai para ver o jogo do meu time, pois não tinha ainda televisão, e deixei o iBook em cima da mesa, com a janta posta. E assim aconteceu, o Corisco, medroso que até hoje é de fogos de artifício, conseguiu pular uma janela basculante que ficava a quase 2 m de altura caindo com tudo na mesa da sala, virando a mesa e arremessando o iBook uns dois metros longe, deixando o mesmo todo sujo de manteiga, geléia, farelo de pão e etc…

Nem tentem imaginar a minha cara quando cheguei. A princípio nem vi o computadorzinho, depois que o achei, desligado (tinha deixado ligado, como sempre) me bateu o desespero..e agora? Será que ele estragou? Respirei fundo, e apertei na tecla de ligar: um segundo depois Tããããnn, ele ligou. Maravilha! Nenhum estrago aparente por fora, mas, uma coisa estranha, depois do tombo ele voltou no tempo: apareceu aquele aviso que o Mac havia voltado para 01/01/1969 !!!! Hehe, coisas de macmaníacos.