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24 de maio de 2017

24 de maio é o Dia Nacional do Café

Quarta-feira, 24 de maio, é o Dia Nacional do Café.





Quarta-feira, 24 de maio, é o Dia Nacional do Café. A data foi incorporada ao Calendário Brasileiro de Eventos em 2005, por sugestão da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), e simboliza a época da colheita na maior parte das regiões produtoras e também o período de maior consumo da bebida no país, devido ao clima mais ameno e frio.

Uma das mais antigas bebidas da humanidade, o café é um produto que se mantém atual e moderno, incorporando inovações que atraem os consumidores, levando-os à experimentação e à descoberta de qualidades e origens diferenciadas, com mais aroma e sabor. No Brasil, o café está presente em 98,5% dos lares, com um consumo de 84 litros por habitante/ano. Só em 2016 foram industrializados 21,2 milhões de sacas de 60 kg. São números que confirmam ser o Brasil o segundo maior mercado consumidor mundial, atrás dos Estados Unidos, além de ser o maior país produtor e exportador de café.

Para comemorar a data, a ABIC reuniu uma série de dicas sobre como comprar, armazenar e preparar um excelente café coado ou filtrado em casa.

Qual o melhor café?

O melhor café é aquele que a pessoa mais gosta. Existem cafés para todos os gostos e bolsos.  Uma boa forma de descobrir qual o melhor café é fazer um teste comparativo.

Compre duas embalagens pequenas (250 gramas) de duas marcas diferentes. Prepare os dois simultaneamente. Coloque um em cada xícara e primeiro sinta o aroma, aproximando o nariz da borda. Em seguida, prove o primeiro e sinta o paladar, o corpo. Depois tome um gole de água (para limpar a boca), e experimente a segunda xícara e compare os dois.

Assim fica muito fácil saber qual é o café que mais lhe agrada e você pode descobrir ainda se gosta de café com torra mais escura, ou com torra mais clara; se gosta de café mais encorpado ou menos encorpado, e assim por diante.

Como comprar?

O café é um produto que absorve odores. Por isso, quando for ao mercado só compre se o café estiver longe de produtos de limpeza e de higiene. Depois, coloque-o em sacola separado das demais compras.

 A embalagem mais tradicional é a chamada almofada (saco). Há também a embalagens a vácuo (semelhante a um tijolo), um processo de embalar o café através da retirada do oxigênio. A vantagem é que tem validade mais longa, de 12 a 18 meses. Existem outros tipos de embalagem que preservam o café por 12 meses. São aquelas que têm válvula aromática e as que têm gás inerte, normalmente nitrogênio em seu interior. Nesses dois casos, o ar interno é removido e isto ajuda a preservar o aroma e o sabor por muito tempo. Independente do tipo de embalagem é importante que ela esteja intacta e bem conservada.

Ao comprar, verifique o prazo de validade. Muitas embalagens já trazem também informações como a origem do grão (em que fazenda/região foi cultivado, altitude, variedade), se a torra é clara, média ou escura.

O que são os selos de certificações?

Uma boa orientação para o consumidor são os certificados estampados nas embalagens. A ABIC possui um Programa de Autorregulamentação que monitora, por meio de coletas nos pontos e vendas e de análise em laboratórios autorizados, mais de 3.000 marcas por ano. Somente após esse processo a indústria associada à ABIC recebe autorização para estampar o Selo de Pureza, que atesta que o produto é puro e que atualmente certifica 1.019 marcas; os selos das categorias Extraforte, Tradicional, Superior e Gourmet do PQC – Programa de Qualidade do Café (que já conta com 700 marcas), e o selo do Programa Cafés Sustentáveis do Brasil.

As categorias dos produtos do PQC são determinadas após análise sensorial, feita em laboratório, da Qualidade Global do café na xícara, quando especialistas pontuam notas em uma escala de 0 a 10, sendo que o nível mínimo de qualidade é 4,5 pontos (abaixo disso, não é um produto recomendável para consumo).

Cafés Tradicionais ou Extrafortes são indicados para o consumo do dia-a-dia, com custo menor. São comparáveis aos vinhos de mesa, que tem qualidade regular, mas preço menor, para o consumo diário. São constituídos de cafés arábica, robusta/conilon ou blendados. (A nota de Qualidade Global fica na faixa de 4.5 a 5.9 pontos).

Os cafés Superiores têm qualidade boa e sabor mais acentuado. São comparáveis aos vinhos superiores, que estão na escala intermediaria de qualidade, melhores que os Tradicionais e/ou Extrafortes e com valor agregado. São constituídos de cafés arábica, ou blendados com robusta/conilon. (Nota de Qualidade Global na faixa de 6.0 a 7.2 pontos).
Já os Cafés Gourmets são excelentes, exclusivos e de alta qualidade, com sabor e aroma mais suaves por causa da seleção dos grãos. Também é possível perceber notas frutais, achocolatadas e de nozes. São comparáveis aos vinhos mais finos, mais raros e de alta qualidade. (Nota de Qualidade Global na faixa de 7.3 a 10).        

Essas mesmas categorias podem também ser certificadas no Programa Cafés Sustentáveis do Brasil, cujo selo atesta produtos com rastreabilidade assegurada desde a produção até a industrialização. Os cafés são produzidos com os grãos provenientes de fazendas certificadas quanto à sua produção sustentável, que preservam o meio ambiente e respeitam o produtor, e o processo de industrialização é auditado quanto às boas práticas de fabricação.
Como armazenar e conservar o café em casa?

Guarde o pacote de café na despensa, bem longe do armário de produtos de limpeza e de higiene.

Depois de aberta, guarde a embalagem ou transfira o pó para um pote que seja hermeticamente fechado, e coloque preferencialmente na geladeira.  O pote tem que estar muito bem fechado para não entrar ar e, no caso da geladeira, para o café não entrar em contato com  a umidade e o pó não adquirir os odores dos outros produtos e alimentos lá guardados.

O pote deve ser de uso exclusivo do café. Quando for repor o produto, lembre-se de lavá-lo e mantê-lo limpo e livre do pó anterior. Evite misturar o final de um pó de café com um novo.  O ideal é consumir o café até duas ou no máximo três semanas após aberto.

Cuidados importantes

Use sempre água filtrada no preparo do café, e nunca a ferva em demasia. Não reaproveite o pó de café usado, chamado de borra, para preparo de nova bebida. Como o café é um produto que absorve qualquer odor ou perfume, só use detergente neutro para lavar todos os utensílios: chaleira, jarra de vidro, bule, porta-filtro, garrafa térmica, canecas e xícaras.

Para garantir um café bem quentinho, escalde as xícaras com água fervente antes de servir e nos dias mais frios, escalde o próprio bule ou recipiente antes de passar o café. Escalde também a garrafa térmica, que deve ser de uso exclusivo para café. Importante: nunca adoce o café e só o mantenha na garrafa térmica por no máximo 1 hora – depois disso ele fica com gosto de requentado e perde todo o sabor.  Só adoce o café na xícara, na hora que for bebê-lo.

Faça o café na quantidade ideal para o número de pessoas que vai consumi-lo. Assim, além de ter sempre um cafezinho muito gostoso, você ainda economiza e não desperdiça, jogando o café no ralo.

Dicas de preparo

Independente se for preparar um café no coador de pano ou no filtro de papel, para um pó com torra média use entre 6 e 8 colheres de sopa rasas  para 1 litro de água (isso dá para fazer 20 xícaras. Se for fazer para 4 pessoas, use 3 colheres e 250 ml de água). Para um pó de café com torra escura use entre 5 e 6 colheres de sopa rasaspara 1 litro de água

Coloque o pó no coador ou filtro uniformemente e não compacte ou aperte a camada de café. Comece molhando o café pelas beiradas. Depois, despeje a água lentamente, em fio, bem no centro. Não mexa com a colher.

O café coado é a forma de preparo mais tradicional no Brasil e resulta em uma bebida suave. Se o coador for novo, ferva-o em água com borra de café antes do primeiro uso. Nas demais vezes, lave o coador após o uso apenas com água. Guarde-o dentro da água, em pote fechado, preferencialmente na geladeira e lembre-se de trocá-lo ao menos a cada 3 meses.

Já o café filtrado em filtro de papel resulta em uma bebida menos encorpada.
O processo de preparo é o mesmo do café coado. Porém, o filtro de papel deve ser do mesmo tamanho do porta-filtro.

Existem outros tipos de preparo, como o café solúvel, que é prático e não requer nenhum equipamento. Basta adicionar água quente (ou leite quente) ao pó. Também práticos e fáceis de usar são os cafés em cápsulas ou sachês, um segmento que vem conquistando muitos consumidores, não só nos lares, mas também nos escritórios, consultórios e academias.

Aproveite essas dicas para comemorar o Dia Nacional do Café com uma bebida especialmente feita por você. Escolha sua xícara predileta e prepare um café puro, ou uma média, e sinta todo o aroma, o corpo e o sabor que dão tanta energia e pique no dia a dia. Nesta quarta-feira, seja o barista!
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9 de novembro de 2016

CALÇADA ECOLÓGICA - Passo a passo para a construção! - PISOGRAMA

CALÇADA ECOLÓGICA - Passo a passo para a construção! Pisograma; concregrama; pavigrama...

Aprenda neste tutorial a construir / orientar pedreiro para fazer calçada ecológica com croncregrama/ pisograma.

Instalei aqui em casa, com base em tutoriais da internet e vídeos do Youtube. Mas senti que faltava algo mais detalhado, então resolvi produzir este mini-tutorial, documentando como fizemos aqui em casa, com o mestre-de-obras Vanderlei,  sempre seguindo a linha da adaptação da nossa casa à uma CASA ECOLÓGICA.

A maior vantagem da calçada ecológica/ pisograma, é melhorar a drenagem superficial do escoamento da água da chuva. Não forma poças e, além disso, ajuda a reduzir o calor!

No convencional, a água da chuva corre por sobre calçadas altamente impermeabilizadas, muitas vezes acumulando energia, somando velocidade e consequentemente, danificando as estruturas mesmo de concreto que ela encontra pela frente, quando com muita velocidade (aquele velho ditado: "água mole, tanto bate, até que fura").

No alternativo ecológico, a calçada ecológica permite que mais de 75% da água percole, ou seja, infiltre diretamente ao longo da calçada, pois o vazado nos blocos de concreto deixa a água passar. Com isso a água corre abaixo do piso, na cama de areia e brita preparada. 

Este tipo de piso, chamado concregrama ou pisograma, é produzido em blocos que variam de tamanho e forma. O que instalei aqui em casa foi o pavigrade com 7 x 45 x 60 cm. Pode ser também classificado como "piso intertravado", pela qualidade deles se encaixarem na instalação e dificilmente cederem, mesmo sob tráfego pesado.

PASSO A PASSO:

Figura 1) foto do ANTES mostrando a localização da calçada no contexto da casa. Essa é a calçada original, já é possível notar os primeiros efeitos do estrago da água no final da calçada. A partir daí ela acabou estragando completamente. Lógico que a falta de uma bica (calha d'agua) contribuiu para que o concreto se desmanchasse. Então a instalação da bica, adequada à vazão, foi concomitante.

Figura 2) calçada completamente quebrada e com o material de construção esperando o nivelamento. Foi nivelada em 4 níveis para permitir o assentamento plano dos blocos.

Figura 3) detalhe do estado de deterioração da calçada antes do início da instalação da calçada ecológica.

Figura 4) construção dos alicerces da calçada. A porção central será nivelada abaixo das laterais para a colocação da camada de seixo (3 cm) e areia (2 cm). As laterais serão preenchidas e socadas com barro de aterro, até um pouco menos de 2 cm da borda do alicerce central. A compactação deve ser muito bem feita. Justo por cima deste alicerce será posicionado o bloco alinhado. Posteriormente a auto-blocagem da peça será obtida com o cimento do piso e do contrapiso (figura 12).

Figura 5) nivelamento com o barro de aterro.

Figura 6) colocação do seixo (pode ser substituído por brita grossa ou média), com 2 a 3 cm e da camada de areia, também com 2 cm (tráfego leve). Estas medidas variam conforme o uso do piso. Camadas maiores de areia e seixo ou brita são indicadas para tráfego pesado de caminhões e carros.

Figura 8) pisograma aguardando ser instalado. Foram solicitados por encomenda e demoraram 4 dias para serem entregues.
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Figura 9) o piso é colocado sobre a camada de areia, sempre respeitando o nível, e o ajuste é feito com o auxílio de uma martelo de borracha. Após, o blocos já podem ser preenchidos com terra vegetal (terra preta adubada).

Figura 10) detalhe do acabamento do degrau da calçada.

Figura 11) detalhe do esquema de canos de drenagem que acompanham a parte final da calçada, interligando os vasos de drenagem, que recebem a água das calhas de chuva.

Figura 12) aplicação do concreto de piso nas laterais da calçada, garantindo a blocagem, fixação do piso. Nesta etapa se garante que o nivelamento tenha caimento para o centro, em direção aos furos dos blocos.
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Figura 13) calçada já concretada, com os blocos no lugares.

Figura 14) acabamento dos vasos de plantas. Está pareado com o vaso que receberá a água da calha, pela corrente (ver foto 15).

Figura 15) calçada em plena atividade. Em poucos minutos a água já será toda drenada e a calçada estará enxuta. Na época desta foto, o sistema da calha ainda não estava totalmente instalado.

Figura 16) início do plantio da grama. Estou fazendo o teste com dois tipos, para ver qual que melhor se adapta às condições de luz naquele ponto. Uma grama rasteira é a preferida.

Figura 17) calçada pronta e sistema de calhas de tubos de PVC 150 mm instalado (não aparecem na imagem).
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Isso aí leitor! O Blog vai voltar a ter mais postagens! Acompanhe e comente!
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5 de janeiro de 2016

Número de incêndios florestais cresce 27,5% no país (Folha de São Paulo)



Número de incêndios florestais cresce 27,5% no país

VENCESLAU BORLINA FILHO
DE CAMPINAS

05/01/2016 02h00 

Joel Silva - 20.nov.2015/Folhapress


Estima-se que o fogo tenha consumido a vegetação em uma área equivalente a 30 mil campos de futebol
A longa estiagem, a falta de fiscalização e a conjuntura econômica elevaram em 27,5% –para 235.629– o número de focos de incêndios florestais no país em 2015, na comparação com 2014.
A constatação, feita pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), revela que os dados se aproximam do recorde histórico, registrado em 2010, de 249.291 ocorrências em todo o Brasil.
Segundo Alberto Setzer, coordenador do núcleo de queimadas do Inpe, o ano de seca facilitou a propagação do fogo pelo homem. "Não existe história de combustão natural. Foi atividade humana, seja por descuido ou proposital", diz o pesquisador.
Os Estados recordistas em queimadas foram Pará (44.794), Mato Grosso (32.984) e Maranhão (30.066).
O pesquisador cita a falta de fiscalização e o momento econômico como agravantes para o cenário. Segundo ele, a elevação do preço da carne impulsionou o número de queimadas para a abertura de pasto para a pecuária.

Como exemplo, ele citou o aumento de 37,9% (para 80.518) nos focos de incêndio na região de Matopiba, formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e forte na produção de soja, milho e algodão.
"Nós só demonstramos indignação quando as queimadas atingem a Amazônia. Mas elas também avançam pelo cerrado, causando prejuízos ambientais na nova fronteira agrícola brasileira", disse.
Para serem identificados por satélites, os focos de incêndio precisam ter ao menos 30 metros de extensão por um metro de largura.

LONGA DURAÇÃO
Durante o ano, foram registrados no país incêndios florestais de grandes proporções e longa duração, como na Chapada Diamantina (BA) —de outubro a dezembro— e em terras indígenas localizadas no Maranhão.
Os focos na Chapada Diamantina, segundo o governo da Bahia, foram todos controlados no dia 29 de dezembro, após 64 dias. Cerca de 51 mil hectares, o equivalente a 340 parques Ibirapuera, foram destruídos.
Sem agentes suficientes para combater as queimadas, os governos estadual e federal precisaram da ajuda das Forças Armadas. O reforço também veio de brigadistas voluntários, na maioria moradores da região. Em nota, o governo da Bahia informou que investiu R$ 14 milhões em aluguel de aeronaves e na compra de equipamentos.

Segundo o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), responsável pelo parque nacional, 250 pessoas atuaram no combate às chamas.
No sul do Maranhão, metade da terra indígena Arariboia ardeu em chamas por dois meses. Uma área equivalente a 260 mil campos de futebol foi destruída.
Ambientalistas ligados ao Greenpeace afirmaram que a ação foi criminosa, tomada por madeireiros da região, em retaliação aos índios. A região é um dos poucos remanescentes amazônicos do Maranhão e alvo de especulação.

Para Setzer, a tendência para 2016 é que o número de incêndios diminua. Um dos motivos é que haverá menos vegetação a ser queimada. "As florestas demoram a se recuperar", afirma.

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30 de dezembro de 2015

10 anos do Blog do Athaydes

"Olá Amigos! Escrevo esta carta aqui das instalações do antigo Projeto Rondom, já em Cruzeiro do Sul, Acre. Estou provisoriamente e precariamente instalado aqui, acampado mesmo(...)"


Com essa frase eu iniciava, há 10 anos atrás, a série de relatos que contam parte da minha trajetória como professor, e porque não, desbravador destas terras esquecidas aqui do Norte do Brasil.

Nas páginas deste "diário" virtual, estão fotos e histórias, personalidades, eventos, notícias, matérias interessantes, locais e paisagens lindas, dicas, listas, e mais coisas que passaram pela minha cabeça neste tempo.

Tudo começou quando eu ingressei na Ufac, a Federal do Acre, em 2005. Iniciei o Blog apenas um mês depois de me mudar para CZS, depois de ser aprovado no concurso. 10 anos de Acre, 10 anos de Ufac e 10 anos do Blog com quase 100.000 visualizações. Neste tempo, tenho viajado pelo Acre, e apenas não fui em dois municípios. Tenho conhecido diversas pessoas, algumas que até passaram para o status de irmãs - mando um salve pro cumpadi, pro Pablito, pro Haru;  embora outras que tive o prazer de conhecer precisaram partir e deixaram muita saudade: Gina, Genildo, Seu João do Crôa...

Testemunhei a construção do Campus Floresta, lá no Canela Fina. Viajei para Serra do Môa, com o Lucas e a Hosana. Dei aulas em Marechal Thaumaturgo, em Tarauacá e em Feijó e percorri muitas vezes a BR-364 de carro quando havia bem menos asfalto do que hoje. Fui de ônibus à Porto Alegre com uma turma de alunos para um evento de Biologia. Caminhei do rio Alagoinha até o rio Croa, por dentro da floresta com pernoite, duas vezes. Fazendo o campo do doutorado fui salvo de ser picado por uma jararaca pois estava de perneira.

Neste tempo ainda testemunhei alguns terremotos. Nunca havia sentido. Também tive oportunidade de conhecer muito da medicina da floresta, o Kambô vacina do sapo, a Ayahuasca nosso Santo Daime, o rapé, a sananga. Estive em momentos incríveis, dentro da floresta, onde pude sentir de verdade esta floresta, conhecer parte dos seus mistérios e partilhar dos mais antigos moradores, suas belas lições de espiritualidade e conhecimento da natureza. 

Madurez. Maturidade. Com certeza! Traduzida em commuting semanal: vou de bicicleta trabalhar, pelo menos 3x por semana. Separo o meu lixo. Trato os resíduos orgânicos - caixa de gordura xixi do cachorro - com bactérias degradadoras. Não queimo as folhas do pátio nem o lixo. Pedalo. Medito. Tudo com tranquilidade e muita positividade, claro!

Foi interessante acompanhar aqui as loucas mudanças de fuso horário do Acre e seu impacto nas pessoas. Observar as mudanças na cidade de Cruzeiro do Sul com a nova ponte sobre o Rio Juruá e o aumento do fluxo de BR-364 ao longo do ano. A cidade também foi presenteada com uma linda biblioteca pública. A criação do IFAC trouxe mais professores ainda para a região. O Campus Floresta cresceu ainda mais, ganhou teatro e quiosque. Fui pra Espanha no doutorado e voltei e os ingás plantados já estavam fazendo sombra no estacionamento!

A maioria destes eventos eu comento nas páginas do blog. Desde o registro das minhas impressões sob efeito da vacina do sapo, até como jogar o Jogo da Onça, ou como instalar lâmpadas solares de garrafa PET, no telhado, ou saber mais sobre o rapé produzido pelos índios e ribeirinhos, saber mais sobre tiranabóia, sobre o fogo na Amazônia, sobre as palmeiras, diversas postagens sobre assuntos locais, bastante acessadas e que me incentivaram a manter no ar o blog e continuamente escrever, tá certo que nos últimos anos com menor freqüência.

Dez anos passaram rápido. Espero poder registrar nos próximos 10 anos mais aventuras aqui pelo Blog. Dos cadernos de campo para a web basta transcrever, pois até já comprei meus novos Moleskine...

Então, queridos leitores do Blog do Athaydes, obrigado pelas visitas! 

Comentem, critiquem e continuem prestigiando o Mas Bah Txai ! 

Valeu!!




Principais postagens:
30 de jun de 2008, 10 comentários
9764

20 de dez de 2008, 4 comentários
8465

10 de jan de 2009, 20 comentários
5361

4490


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15 de outubro de 2015

15 de outubro, Dia do Professor: refletindo sobre ser professor

Aula de campo no Campus Floresta - Ufac


REFLETINDO SOBRE SER PROFESSOR


(Paulo Freire)

É buscar dentro de cada um de nós forças para prosseguir, mesmo com toda pressão,

toda tensão, toda falta de tempo... Esse é nosso exercício diário!

Ser professor (a) é se alimentar do conhecimento e fazer de si mesmo (a) janela aberta para o outro.

Ser professor (a) é formar gerações, propiciar o questionamento e abrir as portas do saber.

Ser professor (a) é lutar pelas transformações... 

É formar e transformar,  através das letras, das artes, dos números... 

Ser professor (a) é conhecer os limites do outro. E, ainda assim, acreditar que ele seja capaz... 

Ser professor (a) é também reconhecer que todos os dias são feitos para aprender... 

Sempre um pouco mais...

Ser professor (a) É saber que o sonho é possível...

É sonhar com a sociedade melhor...

Inclusiva...

Onde todos possam ter acesso ao saber...

Ser professor (a) é também reconhecer que somos, acima de tudo, seres humanos, e que temos licença para rir, chorar, esbravejar.

Porque assim também ajudamos a pensar e construir o mundo.

Todos os dias do ano são seus, professor(a)!

Parabéns!



*Minha homenagem aos colegas, passados, atuais e futuros, que fizeram, fazem e farão desta profissão, não apenas uma trabalho, mas uma história de vida, para enaltecer e se orgulhar.*
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7 de agosto de 2015

Brasil está mais inflamável

Mesmo com redução na taxa de desmatamento, número de incêndios e período de fogo cresceram nas últimas décadas; cientistas culpam clima e fragmentação de florestas
Por: Claudio Angelo
Fonte: Observatório do Clima/amazonia.org.br

O desmatamento e as mudanças climáticas deixaram o Brasil mais vulnerável a incêndios florestais nas últimas décadas. Na Amazônia, essa tendência persiste mesmo com a queda na velocidade da devastação a partir de 2005.
As conclusões são de dois estudos independentes, um publicado na semana passada e outro no prelo, assinados por pesquisadores americanos e brasileiros. Ambos se valem de extensos registros de imagens de satélite, que cobrem um período que vai de 1979 a 2013.
O estudo americano foi liderado por Matt Jolly, do Serviço Florestal dos EUA, e saiu no periódico Nature Communications. Jolly e seus colegas buscaram avaliar a influência das mudanças do clima na duração da temporada de queimadas e na vulnerabilidade a incêndios de florestas do mundo todo nas últimas três décadas.
Analisando imagens de satélite e dados meteorológicos desde 1979, o grupo concluiu que todos os continentes menos a Austrália apresentaram tendências significativas de aumento nos incêndios. No total, o período do ano em que o calor e a secura favorecem o fogo aumentou 18,7% no planeta, e a área global sujeita a queimar dobrou.
Os incêndios florestais estão mais longos e atingem áreas maiores. No período de 34 anos analisado, houve seis anos nos quais mais de 20% da área vegetada do planeta foi afetada por longas estações de fogo. Todos aconteceram na última década – que foi também a mais quente já registrada desde que a humanidade começou a medir temperaturas com termômetros, no século XIX. Um desses anos foi 2010, quando a Rússia foi atingida pelo pior incêndio florestal de sua história.
Imagem mostra como inflamabilidade evoluiu no planeta entre 1979 e 2013
O grupo americano suspeita da perturbação no ciclo hidrológico induzida pelo aquecimento do planeta. Embora o total de chuvas no ano não tenha diminuído nas áreas afetadas, essas chuvas estão menos espaçadas – e possivelmente mais intensas. Isso aumenta o número de dias secos na temporada de queimadas: em média, o mundo ganhou 1,31 dia seco a mais por década.
Em nenhum lugar essa tendência é tão marcada quanto na América do Sul. Na Amazônia e no cerrado, o aumento médio na temporada de queimadas foi de impressionantes 33 dias em 35 anos. “Estações de queimada mais longas prolongam condições para incêndios por condução, potencialmente expandindo a área suscetível a incêndios que escapam de áreas desmatadas”, afirmam os pesquisadores. Entre as regiões afetadas está Rondônia, que decretou estado de emergência neste mês devido às queimadas.
Saturação
É precisamente isso o que parece estar acontecendo na região amazônica, de acordo com o outro estudo, liderado por Ane Alencar, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), que será publicado em agosto na revista Ecological Applications e já está disponível on-line.
Alencar e colegas do Ipam e das universidades de Stanford e da Flórida, nos EUA, analisaram imagens de satélite de 1983 a 2007 e mostraram que a região sudeste da floresta amazônica, onde está o chamado Arco do Desmatamento, tem sofrido o impacto duplo da extrema fragmentação e da recorrência de extremos climáticos, como o El Niño de 1998 e a seca de 2005.
“Entre 1983 e 2007, eventos de estiagem causaram incêndios florestais que ficaram maiores, mais frequentes e abarcaram um leque maior de meses da estação seca”, descrevem os autores.
Eles destacam que o próprio fato de uma floresta pegar fogo na Amazônia já é algo extraordinário, uma vez que a ideia clássica sobre a região era de que a selva fosse úmida demais para queimar. Antes da colonização, evidências sugerem que as matas amazônicas só incendiassem a cada 400 ou mil anos. Essa realidade mudou radicalmente.
Nos 24 anos de análise do grupo de Alencar, 15% de florestas densas, de dossel fechado – “inqueimáveis”, segundo o raciocínio clássico – na área estudada pegaram fogo. A maior parte dos incêndios, porém, aconteceu em florestas abertas (44%) e nas matas de transição, entre a Amazônia e o cerrado (46%).
“Em florestas úmidas, este aumento foi associado a eventos de seca, enquanto em florestas mais abertas o aumento na probabilidade de queima ocorreu mesmo se descontarmos a seca – provavelmente algo relacionado com a fragmentação da paisagem”, diz Paulo Brando, pesquisador do Ipam e coautor do estudo.
Segundo ele, mesmo com a redução das chamadas fontes de ignição (queimadas iniciadas por desmatamentos), na última década, quando a taxa de corte raso começou a cair, as florestas ainda estão pegando fogo. Em 2007, por exemplo, a área queimada na região do Xingu, que tem florestas abertas e de transição, foi muito superior à de outros anos, embora a quantidade de fontes de ignição não tenha aumentado significativamente.
Isso sugere, prossegue Brando, que boa parte da Amazônia está “saturada” de fontes de ignição. Ou seja, o desmatamento avançou tanto na fronteira que a única coisa que determina se as florestas vão ou não pegar fogo é o clima.
É como se a floresta no Arco do Desmatamento tivesse atingido um ponto de virada, a partir do qual grandes incêndios ocorrerão sempre que houver um ano de estiagem anormal. Com a mudança do clima, esses anos anormais estão virando o novo normal.
“Estamos vivendo um novo regime de fogo nessas áreas, onde o impacto das mudanças climáticas acaba sendo potencializado pelos impactos locais decorrentes da fragmentação e supressão da cobertura florestal”, disse Ane Alencar ao OC.
Como os incêndios florestais podem aumentar as emissões de carbono por degradação florestal três ou quatro vezes mais do que o desmatamento, esse novo regime pode criar um perigoso mecanismo de “feedback” entre devastação e aquecimento global, no qual um alimenta o outro.
Segundo os cientistas, o ideal, na Amazônia, é reduzir o desmatamento de forma drástica, para prevenir incêndios mesmo nos anos secos.
Já para o cerrado a história é outra, diz Brando. “Apesar de os fogos serem parte natural do bioma, eles estão acontecendo no final da estação seca e não no início, como acontecia naturalmente. Além disso, temos gramíneas invasoras que ajudam a deixar os incêndios muito mais intensos do que costumavam ser.”



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27 de julho de 2015

Mais fogo e menos água

FONTE GREENPEACE Brasil

O período de seca mal começou no Norte do Brasil, mas as queimadas já pintam de vermelho a cobertura verde da floresta. Os incêndios, tão comuns de agosto a setembro, estão começando mais cedo e, de acordo com duas pesquisas lançadas este mês, a explicação pode estar no desmatamento e a tendência é que tenhamos cada vez mais dias com fogo e menos dias com chuva.
Fogo rasteiro, perigo oculto no desmatamento e queima das florestas
Segundo o Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (INPE), de janeiro a 29 de julho deste ano o número de focos de incêndio cresceu em cinco, dos oito estados que compõem o bioma Amazônia, chegando a até 70% de aumento, no Acre e em Rondônia, na comparação com o mesmo período de 2014. Nas últimas 48 horas a Amazônia concentrou 39,3% dos focos de incêndios identificados por satélite.
Segundo o estudo “Climate-induced variations in global wildfire danger from 1979 to 2013” (Variações induzidas pelo clima no risco de incêndios florestais), publicado no periódico Nature, as mudanças climáticas estão alterando os padrões globais de queimadas e devem gerar um aumento na “temporada de incêndios” nas próximas décadas. O estudo aponta também que, de 1979 a 2013, o período anual de queimadas ficou 18,7% maior .
“O aumento da temporada de fogo e das áreas afetadas por queimadas foi verificado em todos os continentes, exceto Austrália. Florestas tropicais e subtropicais, campos e savanas da América do Sul têm experimentado enormes mudanças meteorológicas e temporadas de fogo mais longas, com um aumento médio de 33 dias ao longo dos últimos 35 anos”, revela a pesquisa.
“Esses dados são preocupantes. Vale lembrar que as queimadas ainda respondem por boa parte dos gases do efeito estufa emitidos pelo Brasil, o que agrava ainda mais as mudanças climáticas”, explica Rômulo Batista, da Campanha da Amazônia do Greenpeace. “É um círculo vicioso: as queimadas deixam o clima mais seco, o que provoca mais queimadas. Esta é uma relação perigosa, que deve ser evitada a todo o custo”, completa Batista.
De acordo com o artigo, a seca enfrentada na Amazônia em 2005 trouxe um longo período propício ao fogo, “levando a um aumento dramático na atividade com uso de queimadas em toda a bacia”.
Para os pesquisadores de outro estudo recente – “Landscape fragmentation, severe drought, and the new Amazon forest fire regime” (Fragmentação de paisagem, secas severas, e o regime de fogo na Amazônia), fruto de uma parceria entre as universidades de Stanford e da Flórida com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), os incêndios florestais estão cada vez mais longos e comuns na região devido a “mudanças fundamentais no clima e na paisagem”.
“O desmatamento influencia os regimes de fogo da Amazônia, pois resulta no aumento de fontes de ignição, aumento do comprimentos de borda da floresta , e alterações de climas regionais”, esclarece o estudo. Ou seja, o desmatamento e a degradação deixam as florestas mais expostas e vulneráveis à queimadas.Segundo a pesquisa, ao longo de um período de 24 anos (de 1983-2007) 44% das florestas degradadas e 46% florestas de transição queimaram, contra 15% das florestas primárias, muito mais densas e protegidas.
“Os efeitos combinados de um futuro climático mais seco, com mais fontes de ignição em paisagens cada vez mais fragmentados, pode diminuir a resistência ao fogo até nas densas florestas verdes”, alerta o estudo.
“As Florestas Primárias ou mata virgem, como são chamadas aqui na região, são muito mais densas e úmidas, constituindo uma barreira para o fogo. Além disso é nela que se concentram a biodiversidade e o carbono estocado na Amazônia, além de retirar da atmosfera mais de 2 toneladas de carbono por hectare todo ano. Ao preservá-las evitamos e mitagamos as mudanças climáticas e garantimos a sobrevivência de milhões de espécies únicas” afirma Batista.
Ambos os estudos chamam atenção para o alarmante aumento na emissão de gases do efeito estufa que este “alongamento” na temporada de queimadas pode representar. “O aumento dos incêndios de larga escala em florestas degradadas pode aumentar as emissões de carbono para as taxas de três ou quatro vezes as emissões anuais de desmatamento de alguns tipos de floresta”.
O Brasil já conseguiu reduzir o desmatamento. Mas ainda não é o suficiente. Esta destruição está fragilizando nossas florestas e os serviços ambientais que elas nos prestam. Está na hora de o país reassumir o papel de vanguarda ambiental, a que está destinado, e apresentar metas realmente ambiciosas em relação ao combate às mudanças climáticas e a perda florestal, assumindo um compromisso com o Desmatamento Zero no Brasil.
Faça parte do movimento pelo fim do desmatamento de nossas florestas. Assine em apoio ao projeto de lei pelo Desmatamento Zero e ajude a levar esta demanda ao Congresso Nacional.
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11 de junho de 2015

Minha linha do tempo das greves nas Universidades

Faixa dos estudantes de biologia da Ufrgs, durante greve em 1996. Esta faixa rodou o Brasil entre os Encontros de Biologia daquele ano.


A Greve nas Universidade Federais e outras Instituições Federais de Ensino (IFE) entrará na sua terceira semana. Docentes e Técnicos Administrativos de, por hora, 25 IFEs, e estudantes em várias universidades estão parados reivindicando diversos direitos que se existissem, fariam o slogan "Pátria Educadora" parecer, no mínimo, coerente.

São 35 anos desde a primeira greve do ensino público superior, que obteve adesão quase total dos docentes no Brasil. Naquele ano o governo acordou com a reestruturação da carreira docente e reajuste de mais de 80% nos vencimentos. Desde então foram perto de 19 greves com diversas graus de adesão, mas de poucas conquistas e muitos sacrifícios.

Em 2015 completo 10 anos como professor no ensino superior. Como esta década coincide com a greve atual, resolvi escrever o relato a seguir, uma breve retrospectiva, mas do ponto de vista dos meus anos no ensino superior enquanto estudante e agora, como professor.

Entrei no curso de Biologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1993. Lembro bem da primeira impressão ao caminhar pelo Campus Centro da UFRGS. Prédios muito antigos, e em especial, o antigo prédio da Medicina, nosso primeiro local de aulas. O acesso era pela porta dos fundos, por uma alta e estreita escada. Lembro da condição do forro dos tetos, a maioria desabando; os banheiros quebrados. Internet? Essa mal existia, então não conta. Mas me recordo bem dos laboratórios com muitos equipamentos velhos ou quebrados, parados nos cantos. Poderia ser uma má primeira impressão, mas eu não tinha parâmetros do que seria o ideal - tudo no ensino superior para mim era novidade. Assim achei quase 'normal' aquela situação, mas a recessão em todos os setores do Brasil estava longe de ser normal.

Nesse ano as aulas do segundo semestre começaram atrasadas pois havia acontecido a greve de 1993. Foi o ano do Plebiscito do Sistema de Governo e o Presidente Itamar Franco já tramava a criação do Plano Real. Mas pela educação nada vinha sendo feito até então. Foi a primeira greve com adesão dos estudantes. Depois de pouco mais de um mês, a desarticulação acabou com o movimento e além de 85% de reajuste, as discussões de autonomia e negociação de um plano de carreira estavam apenas começando.

Nosso primeiro acampamento de greve no campus central da UFRGS foi em 1996. Já era a era do o Governo FHC e as paralisações foram marcadas por ameaças de corte de ponto e demissões. A mobilização pela greve pareceu fraca e não foi uma greve muito longa. Entretanto, a interação entre os estudantes, principalmente entre nós da Bio, fortaleceu o Diretório Acadêmico, tanto que neste mesmo ano diversos alunos da Bio foram ao Encontro Nacional de Estudantes de Biologia (ENEB) em Belém do Pará, um encontro histórico. Este engajamento culminou em 1998, com o ENEB de Porto Alegre, organizado pelos mesmo “acampantes” de 1996, e que constituiu uma mudança histórica dos Eneb’s pelo Brasil, com muitas quebras de paradigmas, avanços no movimento estudantil e preocupação ecológica.

Estudantes, professores e funcionários da Ufrgs, reunidos no salão nobre do Instituto de Biociências, em uma das primeiras assembléias unificadas da greve de 1996.
 
Estudantes, professores e funcionários da Ufrgs, em uma das primeiras assembléias unificadas da greve de 1996.

Também em 1998 aconteceu uma greve. Com certeza pra mim a greve mais marcante foi a de 1998. Os estudantes aderiram novamente ao movimento grevista e no campus Central da UFRGS, desta vez um grande acampamento foi montado. Lá permaneceram, professores técnicos e estudantes, inclusive eu, por vários dias, quase todos os 105 dias em que a greve vigorou. A Rádio Muda, rádio livre dos estudantes foi montada no último andar do prédio da faculdade de Educação, e de lá transmitíamos as notícias da greve e muito Rock'n roll em um raio de poucos quilômetros do campus, e que mesmo assim nos custou a visita da Policia Federal. O acampamento foi uma grande oportunidade de exercício político, e eu pude aproveitar ao máximo. A pauta, antes de tudo, era preservação da qualidade do ensino superior, gratuito! E mais autonomia às universidades. Foi obtido a criação da GED, mas os concursos públicos, parados, continuaram inexistentes. 

Entre 2000 e 2005, já formado, estive em universidade pública estadual ou trabalhando como autônomo, então não acompanhei de perto o movimento federal destes anos. Mas em 2005, recém chegado na Ufac, ainda no processo de estruturação do campus, comprando equipamentos, montando os planos de ensino e o projetos dos cursos, acompanhamos a greve de 112 dias, a mais longa das greves até então. Concursos públicos, incorporação das gratificações, garantia da Universidade pública, gratuita, autônoma, democrática, laica e de qualidade, além do aumento do orçamento para o ensino, eram alguns dos pontos. Um parco aumento do orçamento foi obtido naquele ano.

O começo do ano de 2012 evidenciou a precariedade de várias instituições de ensino superior pelo Brasil. A consequência foi a maior greve já articulada em defesa do ensino público. Desta nada pude acompanhar pois estava fora do país durante capacitação de doutorado sanduíche. Com adesão de mais de 95% das IFEs, foi a mais longa e intensa da categoria, causada, principalmente, pela insatisfação dos professores com a desestruturação na carreira e as precárias condições de trabalho. 

O que mais chama atenção neste retrospecto, é que muito do solicitado em parte destes mais de 30 anos de lutas, continua sem avanços. Como em 2012, também agora em 2015 existem instituições sem professores, sem laboratórios, sem salas de aula, sem restaurantes universitários, ou estes sem verba pra comida, limpeza, até sem bebedouros e papel higiênico. Imaginem, o RU do Campus do Vale da Ufrgs já foi fechado mais de uma vez pela vigilância sanitária! Muitas outras IFEs estão enfrentando problemas de falta de limpeza e segurança. Isso tudo afeta diretamente a qualidade do ensino.

Diz-se que os alunos estão sendo afetados pela greve. O que é pior para o aluno: estudar / estagiar no meio do lixo, sem segurança, comendo pata de barata e cabelo no bandejão, ou, atrasar alguns dias as aulas e apoiar a mudança deste panorama?

Também a estrutura da carreira docente engatinhou nestes 35 anos de luta. Na greve de 2012 o governo não negociou de fato e, por meio de um acordo muito mal explicado, dissimulado, impôs uma lei que desestruturou ainda mais a carreira docente. Não houve a reposição integral das perdas salariais e total desconsideração quanto ao tema que trata da precarização das condições de trabalho, por parte do governo.

Condições de Trabalho -> Ninguém deveria ser submetido a trabalhar, a ensinar ou a aprender em situações precárias como estão hoje muitas IFEs pelo Brasil.
Sofrem professores, estudantes e técnicos administrativos.
Mas muito mais que isso, sofre todo o povo brasileiro.
Que serviço de qualidade será prestado por profissionais formados em Instituições com esta precarização? Que ensino será oferecido aos brasileirinhos que estão vindo das escolas fundamentais e médias?
Portanto, a luta é de todos. Não é só dos professores ou dos técnicos. TODOS temos a responsabilidade por querer educação pública de qualidade, gratuita e de qualidade!!! Todos!!

Se nestes 35 anos os sucessivos governos no Brasil tivessem feito seu ‘tema de casa’ – e olha que houve prazo – hoje teríamos orgulho de dizer, de peito estufado: “admire, mundo, nossa nação educadora!” Infelizmente, hoje vivemos sob o jugo da ‘nação usurpadora.’ É difícil, não me entra mesmo na cabeça, tamanha incoerência, um pais tão rico, com uma educação tão desmoralizada, é triste. Greve sim, até o fim.



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